Uma Cidade Construída em Redes, Não em Individualismo
Maringá é peculiar. Quando você caminha pela cidade, está constantemente intersectando com estruturas associativas invisíveis — mas muito reais. Aquele colega que trabalha na Cocamar? É cooperado. Aquela conhecida que tem conta no Sicoob Metropolitano? Está conectada a rede de cooperativismo de crédito. Médicos vinculados à Unimed Regional Maringá; pequenos produtores ligados à Coopergreen; empresários em associações comerciais — Maringá funciona como tecido de cooperação, não como arquipélago de indivíduos competindo isoladamente.
Senador Flávio Arns, ao apresentar projeto de lei que resultou na Lei 15.332, argumentou precisamente isso: “O município paranaense tem o associativismo como uma das suas marcas registradas”.
Números Verificados: O Peso Real do Cooperativismo Maringaense
“Somente no município de Maringá, existem nove cooperativas de diversas áreas: duas do ramo agropecuário (Cocamar e Coopergreen), três do setor de crédito (Sicoob Central, Sicoob Metropolitano e Sicredi União), duas na área de produção de bens e serviços (Pluricoop e Unicampo) e duas do ramo saúde (Unimed e Uniodonto), que totalizam cerca de 276 mil cooperados e mais de 5 mil funcionários.”
9 cooperativas em Maringá: Sicoob Metropolitano e Unimed Regional lideram em número de membros/clientes, com dados verificados
10 agências em Maringá (apenas a Sicredi Dexis, uma das linhas do sistema)
Presença significativa no estado e Brasil
Demais Cooperativas
Pluricoop, Unicampo, Coopergreen e Uniodonto também operam em Maringá, porém com dados públicos menos detalhados. Constam oficialmente do registro municipal.
Distribuição setorial das 9 cooperativas de Maringá: diversidade entre agricultura, crédito, saúde e produção
O Título: Reconhecimento de Uma Realidade Comprovada
Presidente da ACIM (Associação Comercial e Empresarial de Maringá), José Carlos Barbieri complementou: “Maringá possui mais de 600 entidades entre cooperativas e associações, 19 das quais situadas dentro da própria ACIM, que foi fundada em 1953”.
É verdadeiro que Maringá merecia este título. Números comprovam que não é marketing — é realidade econômica.
Transparência Esperada: O Que Cobrar do Governo
Lei 15.332 reconhece Maringá como Capital Nacional, mas não estabelece obrigações concretas. Isso é falha que Câmara Municipal deveria corrigir:
1. Relatório Anual de Cooperativismo: Publicado anualmente pela Prefeitura de Maringá, contendo:
Número de cooperativas operantes
Número total de cooperados/clientes
Empregos gerados (diretos e indiretos)
Distribuição por setor
Novos registros e descativações
Índice de satisfação de cooperados (pesquisa amostral)
2. Meta de Ampliação Pública: Comprometer-se em atingir 350 mil cooperados (87,5% da população) em 5 anos. Meta clara, mensurável, comunicada publicamente.
3. Auditoria Periódica de Conformidade: Verificar se cooperativas maringaenses respeitam os 7 princípios do cooperativismo (adesão voluntária, controle democrático, participação econômica, autonomia, educação, intercooperação, interesse pela comunidade).
De Título a Transformação
Lei 15.332/2026 reconhece Maringá como Capital Nacional do Associativismo. É válido — a cidade merecia o título.
Dados verificáveis comprovam: 9 cooperativas, 276 mil cooperados/clientes, 5 mil empregos, 69% da população envolvida. Números que falam por si.
Pergunta agora é: Maringá irá ampliar isso? Inovar em setores emergentes? Educar gerações em cooperativismo? Construir instituições que sustentem movimento?
Ou o título virar apenas placa agradável na entrada da cidade, sem modificar estruturalmente como maringaenses se organizam economicamente?
Alan Zampieri | Advogado e Consultor de Negócios
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