Última atualização em 11/01/2026 por Alan Zampieri
A Lei Está, Mas Onde Estão os Resultados?
Programa Cidade Verde Resiliente em Maringá é proposta estruturada. Apoiado em Lei Complementar nº 1.468/2024 que revisou Plano Diretor e incluiu diretrizes de sustentabilidade urbana, desenvolvimento sustentável, infraestrutura verde e resiliência climática.
A estrutura é excelente: integra diferentes secretarias municipais (Planejamento, Meio Ambiente, Infraestrutura), conta com apoio do COMDEMA (Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente), órgão pioneiro criado em 1978 — um dos primeiros do país.
Mas aqui está o problema crítico: entre lançamento do programa e hoje (janeiro de 2026), qual foi a comunicação pública sobre resultados? Quantas árvores foram plantadas? Qual investimento foi realizado? Qual redução de emissões de carbono foi alcançada? Qual é o cronograma detalhado de implementação?
Falta divulgação sistemática de:
- Estudos técnicos realizados
- Indicadores de performance
- Orçamento alocado e gasto
- Resultados concretos por setor/bairro
- Cronograma de execução
A proposta é excelente. A comunicação é invisível.
O Reconhecimento Internacional Que Maringá Conquistou — Mas Não Aproveita
Maringá recebeu título de “Cidade Árvore do Mundo (World Tree City)” em 2022 e 2023 — reconhecimento da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO-ONU) e Fundação Arbor Day.
Título é legítimo. Maringá efetivamente possui:
- 47 hectares de mata nativa no Parque do Ingá no coração da cidade
- Cobertura arbórea de 14,5-14,8% (acima de muitas capitais)
- Sistema viário integrado com ciclovias em expansão
- Planejamento urbano estruturado desde fundação
- Arborização como marca da cidade (sinônimo de “cidade verde”)
Porém: reconhecimento internacional que poderia ser usado estrategicamente para promover políticas de aprofundamento de sustentabilidade está dormindo.
Não há campanhas comunicando o título. Não há plataforma divulgando o que Maringá faz. Não há roadmap transparente sobre como Maringá atingirá as próximas metas de sustentabilidade.
É como ter ouro em mão e enterrá-lo no quintal.
Comparação com Cidades Referência: Maringá Fica Atrás em Ações Concretas

Maringá fica atrás em gestão de resíduos (40%), agricultura urbana (20%) e soluções baseadas na natureza (35%) em relação a cidades referência
Enquanto Maringá anuncia intenção via “Programa Cidade Verde Resiliente”, outras cidades implementam com transparência:
Curitiba (Paraná)
Consórcio CONRESOL integra 23 municípios e processa 3.500+ toneladas/mês de resíduos com compostagem e triagem.
Fazenda Urbana de Curitiba — 4.435 m² de produção de alimentos orgânicos com programa de incentivo em comunidades.
Programa estruturado com dados públicos, relatórios e expansão planejada.
Rio de Janeiro
13,1% de cobertura arbórea (acima de Maringá 14,8%). Lidera em arborização urbana.
Hortas Cariocas — 49 hortas comunitárias que recebem composto de resíduos orgânicos e alimentam população vulnerável.
Projeto Maravilha e parques lineares com recuperação ecológica articulada.
São Paulo
Corredores Verdes na Avenida 23 de Maio e Butantã conectam áreas vegetadas.
Jardins de chuva em diversas regiões para drenagem urbana sustentável.
Manual de Desenho Urbano e Obras Viárias que normatiza soluções baseadas na natureza.
Anápolis (Goiás)
Programa Pró-Água — desde 2017, recuperou 123 nascentes, plantou 250 mil mudas de árvores nativas, instalou viveiros, jardins sazonais, pomares, jardins de chuva.
Compostagem municipal converte 25 toneladas/dia de resíduos orgânicos e 5 toneladas de galhos.

Maringá avançou de 12,3% (2020) para 14,8% (2025), mas precisa acelerar para atingir 30% até 2035 conforme PlaNAU
Comparação crítica: essas cidades têm programas semelhantes a “Cidade Verde Resiliente” de Maringá — mas divulgam, mensuram, comunicam resultados.
Maringá tem a lei. Não tem a comunicação.
O Que Maringá Já Implementou do Programa Cidade Verde Resiliente?
Segundo informações públicas:
Confirmado:
- Investimentos no Parque do Ingá — infraestrutura, trilhas, conservação
- Arborização urbana continuada (histórico de décadas, não recente)
- Ciclovias em expansão
Não divulgado/Não transparente:
- Investimento específico alocado ao Programa Cidade Verde Resiliente em 2024-2025
- Número exato de árvores plantadas por ano
- Redução de emissões estimada
- Programa detalhado de agricultura urbana (não há Fazenda Urbana como Curitiba)
- Programa estruturado de compostagem/gestão de resíduos (não há CONRESOL como Curitiba)
- Hortas comunitárias integradas (não há rede como Rio de Janeiro)
- Cronograma trimestral de ações
Resultado: programa bonito no papel, invisível na execução pública.
Sem transparência e mensuração, programa vira:
- Retórica políica sem substância
- Ferramenta de discurso “cidade sustentável” sem resultado
- Oportunidade desperdiçada de liderança nacional
A questão incômoda que deve guiar Câmara Municipal e Prefeitura é:
“Programa Cidade Verde Resiliente é responsabilidade genuína com mensuração pública, ou é apenas narrativa bonita para marketing municipal?”
Se é primeira opção: divulgue dados. Se é segunda: reconheça e corrija.
De Programa Invisível a Marca Pública
Maringá possue base sólida: reconhecimento internacional, história de arborização, planejamento urbano estruturado, lei municipal alinhada.
Mas: sem transparência, comunicação e mensuração pública, Programa Cidade Verde Resiliente corre risco de ser letra morta.
A escolha é clara:
Opção 1 (Atual): Lei 1.468/2024 apenas estabelece marco regulatório. Implementação ocorre sem divulgação. Cidadão não sabe o que está acontecendo. Programa fica invisível.
Opção 2 (Proposta): Lei 1.468/2024 é transformada em compromisso público com mensuração trimestral, plataforma digital, auditoria anual. Programa vira marca de Maringá. Cidadão acompanha progresso. Transparência guia gestão.
Maringá merecia ser referência nacional em sustentabilidade urbana — não apenas em discurso, mas em ação transparente.
Pergunta final para gestores, vereadores e população maringaense:
Programa Cidade Verde Resiliente será “lei bonita só no papel” ou será transformado em política pública mensurada, transparente e efetiva?
A resposta depende de decisões que fazemos agora.
Alan Zampieri | Advogado e Consultor de Negócios
🔗 Leitura Complementar
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