Última atualização em 12/01/2026 por Alan Zampieri
Quando Comunicação é Tudo e Transparência é Nada
Pergunta que merecia resposta simples de vereador fiscalizador: qual é a cobertura real da Estratégia Saúde da Família em Maringá neste momento?
A resposta deveria estar em nota oficial divulgada quinzenalmente, com atualização de números. Deveria estar em painel digital na Prefeitura, em app para cidadãos baixar. Deveria estar sendo monitorada pela Câmara Municipal com cobrança periódica ao Executivo. Deveria ser parte do discurso do prefeito quando anuncia realizações.
Não está. O que temos é fragmentado: uma página na Secretaria de Saúde mencionando “99 equipes em 35 UBS”. Cálculo técnico simples – 99 equipes × 3.000 pessoas por equipe (parâmetro nacional) = 297 mil pessoas cobertas. Maringá tem aproximadamente 400 mil habitantes. Resultado: 74% de cobertura.

Infraestrutura da Estratégia Saúde da Família em Maringá, mostrando número de equipes, unidades, cobertura populacional e alcance aproximado de população assistida
Isso significa que aproximadamente 103 mil maringaenses estão fora do sistema de Saúde da Família. Não têm agente comunitário visitando. Não têm médico de família acompanhando cronicamente. Estão marginalizados da porta de entrada que deveria ser universal.
Meta nacional estabelecida em portarias do Ministério da Saúde é mínimo de 80% de cobertura para que se atinjam resultados significativos em indicadores de saúde. Maringá, que se considera referência nacional em qualidade de vida, está 6 pontos percentuais abaixo da meta mínima.
O Que está acontecendo?
Maringá, referência regional, implantou o Programa Saúde da Família (PSF) em 1999 e, desde então, ampliou sua cobertura para cerca de 80% da população, com 61 equipes em funcionamento até 2024. O modelo, consagrado nacionalmente como Estratégia Saúde da Família (ESF), busca atendimento integral, preventivo e humanizado, com equipes multiprofissionais atuando nos bairros e junto às famílias.
Porém, nos últimos dias, a cidade foi sacudida por uma polêmica: a possível perda de 28 equipes de Saúde da Família, divulgada pela prefeitura. O motivo? Equipes incompletas, sem todos os profissionais exigidos pelo Ministério da Saúde, o que pode suspender repasses federais, mas não obrigatoriamente acabar com o atendimento local. Ou seja, a população não ficará desassistida de imediato, mas a falta de recursos ameaça a continuidade e a qualidade dos serviços.
Quais sãos os Avanços? E as boas práticas?
Os avanços e boas práticas da saúde da família em Maringá são evidentes principalmente na ampliação da cobertura da Estratégia Saúde da Família (ESF), que hoje atinge cerca de 80% da população, superando a média nacional. A cidade investiu em equipes multiprofissionais, integração com outras políticas públicas e programas de capacitação, como o atendimento especializado a demandas atuais, incluindo o autismo. A informatização dos sistemas de saúde e a criação de canais de ouvidoria também são exemplos de boas práticas que facilitam o controle social e o acompanhamento dos serviços. Maringá se destaca ainda pela participação em redes nacionais, como a Rede de Municípios Potencialmente Saudáveis, e pelo incentivo à participação social, fortalecendo o protagonismo comunitário e a corresponsabilidade entre poder público e sociedade.
Quanto às Ameaças…
A principal das ameaças ao modelo de saúde da família em Maringá é a falta de profissionais qualificados, especialmente médicos, que pode comprometer a continuidade do atendimento e a manutenção dos repasses federais. A fragmentação do acompanhamento dos pacientes, com baixa resolutividade em casos de doenças graves e registros insuficientes nos prontuários, dificulta o monitoramento e a avaliação dos resultados. A transparência na gestão dos recursos públicos ainda precisa ser aprimorada, com informações mais claras e acessíveis sobre orçamento, indicadores de desempenho e auditorias. Além disso, a participação das famílias no acompanhamento dos pacientes é limitada, e o envolvimento comunitário, embora incentivado, enfrenta barreiras culturais e estruturais. Sem avanços nessas áreas, o risco é de retrocesso na qualidade e na sustentabilidade da saúde da família em Maringá.

Comparação de alocação orçamentária de Maringá em 2025, destacando despesas com diárias de viagens versus investimentos em saúde, educação e infraestrutura urbana
É preciso fiscalizar!
É necessário cobrar investigação rigorosa de eventuais irregularidades, exigir punição quando houver ilicitudes e garantir que cada centavo investido retorne em atendimento digno para a população. O controle social, via ouvidorias e conselhos, precisa ser fortalecido, e a Câmara de Maringá deve exercer seu papel de fiscalização, cobrando relatórios periódicos, audiências públicas e transparência total na gestão da saúde.
A saúde da família em Maringá é muito mais que um presente de Páscoa: tem que ser direito garantido, com transparência, eficiência e respeito ao cidadão. O debate não termina no chocolate, mas começa na cobrança por resultados, na participação ativa da sociedade e na fiscalização permanente dos recursos públicos.
Que a Páscoa inspire renovação — e que a saúde pública de Maringá renasça com mais transparência, justiça e compromisso com a vida. Afinal, como dizemos aqui na cidade, “quem não fiscaliza, acaba levando gato por lebre — ou, no caso de hoje, coelho por chocolate”.
Alan Zampieri | Advogado e Consultor de Negócios
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