Última atualização em 11/01/2026 por Alan Zampieri
A Realidade Que Pais Vivem Diariamente: Escolas Em Colapso
Se você é pai ou mãe em Maringá, ou educador, conhece a realidade: escolas caindo aos pedaços.

Metade das escolas municipais de Maringá possui problemas estruturais; taxa é superior à média nacional (43%) e significativamente maior que Curitiba (22%)
Diagnóstico oficial de Maringá: 50% das escolas municipais e CMEIs têm problemas estruturais. Leia bem — metade. A Seduc admitiu isso publicamente.
Que problemas? Deixa eu ser específico:
- Vazamentos de telhado que viram corredores em lagos durante chuva
- Infiltrações que criam mofo e comprometem saúde respiratória de crianças
- Fiação elétrica exposta em áreas de circulação infantil — risco de eletrocussão
- Paredes com bolor e umidade crônica
- Pisos danificados que criam risco de queda
- Sistemas hidráulicos precários com banheiros não funcionando adequadamente
- Cobertura inadequada deixando salas de aula quentes ou frias demais
- Ausência de climatização em creches onde estão crianças de até 5 anos
Maringá está acima de tudo isso — no topo negativo do ranking.
Por que isso importa? Porque criança não aprende em prédio caindo aos pedaços. Adolescente não foca em matemática quando água cai na cabeça. Educador não consegue dar aula decente quando a sala é um forno.
Estudos mostram: criança em ambiente deteriorado tem redução de até 15% no desempenho acadêmico. Não é “cosmético” — é educação mesmo.
A Contradição Orçamentária: R$ 147 Milhões Planejados, 20% Executados
Maringá planeja bem. O problema é executar.

Apenas 20% das obras de infraestrutura de R$ 147 milhões foram concluídas; 70% estão atrasadas, paralisadas ou não iniciadas
Em 2024, Prefeitura anunciou programa ambicioso: R$ 147 milhões em obras de infraestrutura educacional. Novos CMEIs, reformas estruturais, cobertura de áreas, sistemas hidráulicos e elétricos renovados.
Muito bem. Mas o que aconteceu?
- 20% foram concluídas (R$ 29,4 milhões)
- 35% estão em execução (obras lenta)
- 35% foram paralisadas ou estão atrasadas — projetos suspensos, contratuais, judiciais
- 10% sequer foram iniciadas — estão “planejadas” apenas
70% do programa está parado ou atrasado.
Cronograma? Inexistente. Comunicação transparente? Nenhuma. Previsão de conclusão? Desconhecida. Cidadão, pai ou educador, pode acompanhar progresso? Não.
Comparação com contexto maior:
- Paraná (rede estadual) investiu R$ 354 milhões em 2025 em reformas de escolas — e estão sendo executadas
- São Paulo lançou programa de R$ 231,6 milhões com equipe de 600 profissionais para reparos — agilidade
- Rio de Janeiro investe R$ 235 milhões em modernização
Maringá: planeja R$ 147 milhões e executa R$ 29,4 milhões.
Diferença brutal: enquanto escolas estaduais e de outras cidades recebem investimentos executados, crianças em escolas municipais de Maringá seguem em prédios deteriorados.
O Caos de Vigilância: 150+ Desempregados, Zero Segurança Alternativa
Agora vem história ainda mais perturbadora.
Justificativa? “Contrato emergencial atingiu limite, licitação foi suspensa, há requerimentos de esclarecimento e impugnação”.
Porém, no lugar desses 150+ profissionais, o que foi colocado?
Guarda Municipal com “intensificação de patrulhamento” — tradução: você coloca 2-3 guardas para cobrir 117 unidades escolares, 6 prédios de Secretaria, 12 unidades de EJA (Educação de Jovens e Adultos). Câmeras e alarmes existem, mas sem vigilante, funcionam menos eficazes.
Resultado prático: escolas e CMEIs sem vigilância de segurança privada por meses.
Questão crítica para Câmara Municipal e Prefeitura:
Por que não reativar contrato emergencial (mesmo que prorrogado antes) enquanto licitação está suspensa? Existe precedente de cidades que mantêm vigilância mínima durante processos licitatórios longos. Maringá escolheu deixar 150+ profissionais sem trabalho e escolas sem segurança adequada.
Decisão administrativa válida? Sim. Acertada? Questão aberta.
Gestão Sem Execução É Fracasso
Maringá tem bom planejamento — R$ 147 milhões alocados para infraestrutura educacional.
Mas gestão sem execução é só papel.
Criança não aprende em escola com telhado vazando. Educador não consegue trabalhar em prédio deteriorado. Vigilante não está ali para “opção política” — está porque segurança educacional é direito fundamental.
Quando Prefeitura deixa 150+ vigilantes desempregados enquanto licitação é suspensa, e simultaneamente gasta R$ 1,8 M em viagens internacionais, está dizendo algo: escolas e segurança não são prioridade.
Afirmação explícita, por ação, não por palavra.
Maringá merece:
- Transparência: saber exatamente o que está planejado, quanto já foi gasto, quando vai terminar
- Execução: obras realmente construídas, não apenas anunciadas
- Priorização coerente: se educação é “prioridade”, orçamento deveria refletir isso
Pergunta final para Câmara Municipal, Prefeitura, Seduc, e população maringaense:
Vamos transformar este plano de R$ 147 milhões em realidade de infraestrutura decente para nossas crianças? Ou vamos continuar deixando 50% das escolas em péssimas condições enquanto gastamos em viagens?
A escolha é nossa. A urgência é agora.

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