Última atualização em 17/01/2026 por Alan Zampieri
A dor que atravessa a cidade: Retrato real do trânsito maringaense
No apagar das luzes de novembro de 2025, a cidade de Maringá se viu novamente abalada por sucessivas tragédias que expuseram a fragilidade de nosso trânsito. Entre outubro e novembro, foram nove vidas perdidas em acidentes fatais, elevando para 32 o total de mortes no ano, sendo a maioria motociclistas jovens, vítimas de manobras perigosas, excesso de velocidade, falhas mecânicas, falta de respeito à sinalização e ausência de equipamentos de proteção adequados. No contexto das redes sociais locais, moradores, profissionais e lideranças debatem com indignação, exigindo respostas concretas e uma postura mais eficaz do poder público frente à escalada de mortes viárias.
Por trás dos números: Quem são as vítimas e onde estão os maiores riscos?
De janeiro a novembro de 2025, Maringá registrou mais de seis mil acidentes de trânsito. As estatísticas revelam que 17 das vítimas fatais eram motociclistas — sendo elas jovens em sua maioria, entre 20 e 29 anos. A Avenida Colombo lidera o ranking de acidentes, seguida pelas avenidas Brasil, Pedro Taques, São Paulo e Sincler Sambatti. Pedestres, ciclistas e ocupantes de automóveis também figuram nas tristes estatísticas, compondo um retrato de pluralidade das vítimas e agravando o desafio da gestão pública municipal.
Mortes no trânsito em Maringá (jan-nov 2025) por perfil da vítima

Mortes no trânsito em Maringá (jan-nov 2025) por perfil da vítima
Ao analisar os meses do ano, observa-se que os acidentes fatais têm picos sazonais, com o mês de novembro especialmente crítico, sendo também maio e setembro períodos de atenção reforçada. Essa sazonalidade reflete, entre outros fatores, datas comemorativas, alterações climáticas e mudanças comportamentais da população, exigindo planejamento preventivo direcionado.
Evolução mensal das mortes no trânsito em Maringá (2025)

Evolução mensal das mortes no trânsito em Maringá (2025)
Causas reais e desafios estruturais
O perfil dos acidentes revela fatores recorrentes: imprudência, avanço de sinal, excesso de velocidade, desrespeito à sinalização, uso inadequado de equipamentos de segurança, conversões irregulares e veículos com manutenção deficiente. Soma-se a isso uma estrutura urbana que prioriza o fluxo de automóveis, em detrimento da segurança de pedestres e ciclistas — grave contradição em uma cidade com topografia e clima favoráveis à mobilidade ativa. Como gestor e cidadão maringaense, sinto profundamente o peso dessas vidas interrompidas e defendo uma abordagem técnica, transparente e colaborativa para o enfrentamento desse problema.
Soluções já adotadas em Maringá: avanços e limites
A Prefeitura de Maringá, Câmara Municipal e Governo do Estado do Paraná avançaram em medidas relevantes: fiscalização eletrônica intensificada, limitação de velocidades, integração dos agentes de trânsito com a Guarda Civil Municipal, muralha digital de monitoramento, criação de refúgios e rampas para pedestres, implantação de faixas exclusivas para transporte público, e a Semana Municipal de Segurança no Trânsito — iniciativa alinhada ao Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans) e ao Plano Global da ONU para redução de fatalidades até 2030.
No entanto, conforme apontado por especialistas, jornalistas e o próprio debate público em redes sociais, esses avanços são ainda insuficientes. Faltam políticas de mobilidade sustentável, infraestrutura para ciclistas, campanhas de educação continuada e envolvimento direto da comunidade, incluindo jovens, escolas, empresas e organizações religiosas.
O que deu certo lá fora: experiências nacionais que inspiram Maringá
Cidades como Fortaleza, Joinville, Londrina e Curitiba lograram significativa redução de mortes após implementar medidas como:
- Redução dos limites de velocidade nas vias urbanas (Fortaleza)
- Semanas municipais permanentes de educação para o trânsito (Curitiba)
- Redes de acessibilidade e rotas seguras de conexão com hospitais e escolas (Joinville)
- Redesenho viário, fiscalização eletrônica e estatísticas transparentes para a população (Londrina)
Impacto das políticas públicas em cidades médias brasileiras

Impacto das políticas públicas em cidades médias brasileiras
Mobilizar é preciso: sensibilizar, propor e agir juntos
É imprescindível passar do discurso à prática. Mobilizar políticos, lideranças religiosas, profissionais liberais, empresários preocupados com sustentabilidade, servidores públicos, enfim, todos os cidadãos, para que sejam protagonistas na reversão deste triste cenário. Debater é só o começo — precisamos agir. Isso é política pública eficiente, transparente e inovadora, que respeita a Constituição, valoriza a vida e escuta a voz dos maringaenses.
Urgência de Salvar Vidas e Reconstruir Confiança
A tragédia das mortes no trânsito de Maringá não pode continuar. Precisamos de gestão eficiente, avanços mensuráveis e políticas que mobilizem todos os setores da sociedade, em uma ação conjunta pela segurança viária e pelo bem-estar coletivo. Este é o caminho para uma Maringá mais justa, sustentável e humana. E é por ele que sigo propondo e mobilizando.
Alan Zampieri | Advogado e Consultor de Negócio
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