Última atualização em 12/01/2026 por Alan Zampieri
O Grão que Move Nossa História e Nosso Futuro
Maringá está vivendo uma verdadeira revolução silenciosa. Enquanto alguns ficam presos nas discussões políticas de sempre, nossa cidade está construindo uma nova narrativa econômica e cultural através do café especial. E não é papo de político não, é realidade concreta que está movimentando milhões de reais e criando oportunidades de emprego e renda para centenas de famílias maringaenses.
Das Cinzas da Geada Negra: Uma Lição de Resiliência
Permita-me começar esta conversa com uma lembrança que marca nossa região. Em 18 de julho de 1975 — exatos 50 anos atrás — a Geada Negra dizimou os cafezais do Norte do Paraná. Foi um divisor de águas que mudou para sempre nossa economia regional. Mas sabe o que mais me impressiona nessa história? A capacidade de reinvenção do povo maringaense.

Onde alguns viram apenas destruição, nossa gente viu oportunidade. Hoje, cinco décadas depois, Maringá não produz mais café em grande escala como antigamente, mas se tornou referência nacional em cafés especiais, experiências gastronômicas e cultura cafeeira. É isso que eu chamo de inteligência coletiva: transformar adversidade em vantagem competitiva.
O Antigo IBC: De Símbolo do Passado a Palco do Futuro
Vocês conhecem a história do Instituto Brasileiro do Café em nossa cidade? Aquele prédio histórico na antiga estrutura do IBC não é apenas um monumento ao passado — é o cenário perfeito para o Café On 2025, que acontecerá nos dias 2 e 3 de agosto.

É simbólico demais, não acham? O local que um dia coordenou a política cafeeira nacional hoje recebe a maior celebração de cafés especiais do Paraná. Isso é planejamento urbano inteligente: ressignificar espaços históricos para criar novas centralidades econômicas e culturais.
Rota dos Cafés Especiais: O Associativismo que Dá Certo
Agora vou contar para vocês sobre uma iniciativa que me enche de orgulho como maringaense: a Rota dos Cafés Especiais de Maringá e Região. Esse projeto, coordenado pelo Núcleo de Cafés Especiais do Programa Empreender da ACIM, é um exemplo prático de como o associativismo empresarial funciona quando bem estruturado.
Os números do Programa Empreender impressionam: 85 núcleos setoriais, 1.300 empresas participantes e 500 profissionais envolvidos. É o maior programa do gênero no Brasil. E a Rota dos Cafés faz parte dessa engrenagem que gera emprego, renda e desenvolvimento para nossa cidade.
Patrícia Duarte, presidente da Rota, tem uma frase que resume tudo: “Nosso objetivo é levar o mundo do café especial para Maringá e região, fortalecendo o ecossistema com foco em educação, qualidade e conexão”. É exatamente essa visão sistêmica que precisamos replicar em outras áreas da economia maringaense.
Festival Jazz & Blues: Quando a Cultura Vira Economia
Em agosto, teremos algo inédito em nossa cidade: o Festival do Café — Aqui Tem Jazz & Blues. Não é apenas mais um evento cultural, pessoal. É uma estratégia de desenvolvimento econômico disfarçada de entretenimento.
Café On Movimento
Quero aproveitar para destacar o trabalho da advogada Rita Augusta Valim Rossi, uma das vozes mais respeitadas no cenário empresarial maringaense. Rita, que atualmente preside a Comissão de Mulheres Advogadas da OAB Maringá, tem sido uma parceira fundamental na construção de pontes entre o setor privado e as discussões sobre desenvolvimento econômico sustentável.
Sua experiência como sócia da Para Elos Eventos – coorganizadora do evento Café On com a The Great – e conselheira do Instituto ACIM de Responsabilidade Socioambiental, demonstra exatamente o tipo de liderança técnica e comprometida que precisamos para fortalecer iniciativas como o evento Café On.
O que Outras Cidades Estão Fazendo
Não podemos falar de café especial sem olhar para o que está dando certo pelo Brasil. Vou citar alguns exemplos práticos que deveriam nos inspirar:
Minas Gerais: Lei das Rotas do Café
Em junho de 2025, Minas aprovou a Lei nº 25.278, que reconhece as Rotas Turísticas do Café como de relevante interesse cultural. O projeto da deputada Maria Clara Marra abrange mais de 60 municípios e cria base legal para fomentar políticas públicas voltadas ao turismo cafeeiro.
Patos de Minas: Legislação Municipal Inteligente
A Câmara Municipal aprovou o Projeto de Lei Nº 6269/2025, instituindo a Rota do Café do Cerrado Mineiro como roteiro oficial do município. O resultado? Ampliação do fluxo turístico e geração de novos empregos no turismo rural.
Santos: Museu do Café como Âncora Turística
O Museu do Café de Santos recebe 600 pessoas por dia e serve 450 xícaras diárias, movimentando toda a economia do centro histórico. É referência nacional e internacional sobre a história cafeeira brasileira.
Espírito Santo: Prêmio Cafés Especiais
O governo capixaba criou o Prêmio Cafés Especiais do Espírito Santo, que premia com até R$ 30 mil os melhores cafés nas categorias Arábica e Conilon. São 8 mil propriedades produzindo cafés especiais no estado, agregando R$ 300 milhões anuais em valor.
Nossa Proposta: Lei Municipal do Café Especial
Com base nessas experiências e na realidade maringaense, apresento uma proposta legislativa inédita para nossa cidade:
Projeto de Lei: “Programa Municipal de Desenvolvimento do Café Especial”
Art. 1º – Fica instituído o Programa Municipal de Desenvolvimento do Café Especial de Maringá (PROMCAFÉ), com os seguintes objetivos:
I – Fomentar o turismo gastronômico e cultural relacionado ao café especial;
II – Criar marco regulatório para certificação de estabelecimentos especializados;
III – Estabelecer parcerias público-privadas para capacitação técnica;
IV – Desenvolver calendário anual de eventos temáticos.
Art. 2º – O programa será coordenado pela Secretaria de Aceleração Econômica e Turismo, em parceria com a ACIM e o Núcleo de Cafés Especiais.
Art. 3º – Fica criado o Selo Maringá Cafés Especiais para certificação de estabelecimentos que atendam critérios técnicos de qualidade e sustentabilidade.
Os Números que Comprovam o Potencial
Não estou falando de achismo. Os dados mostram que o setor cafeeiro em Maringá está em crescimento acelerado. Entre 2015 e 2024, saltamos de 1.963 para 2.200 empregos diretos no setor, com massa salarial passando de R$ 2,7 milhões para R$ 4,1 milhões anuais.
Mesmo com o impacto da pandemia em 2020, a recuperação foi impressionante. Em 2022, já havíamos superado os níveis pré-pandemia, chegando a R$ 3,7 milhões em massa salarial com 2.109 trabalhadores envolvidos.
Maringá Foods: Valorizando Nossa Gastronomia
Não posso deixar de mencionar o trabalho que desenvolvemos, junto com minha esposa Beatriz Cardoso, através do @maringafoods. Nossa missão é simples: valorizar a gastronomia, cultura e turismo da nossa cidade.
O café especial se encaixa perfeitamente nessa estratégia. Quando promovemos a Rota dos Cafés ou eventos como o Festival Jazz & Blues, estamos fortalecendo toda a cadeia produtiva local: produtores rurais, torrefações, cafeterias, restaurantes e o setor turístico.
Desafios e Oportunidades
Agora vou ser direto com vocês sobre os desafios que enfrentamos:
Pontos Fortes:
- Tradição histórica consolidada no setor cafeeiro
- Programa Empreender da ACIM como facilitador do associativismo
- Localização estratégica no Norte do Paraná
- Qualidade das terras vermelhas ainda presente na região
Pontos de Melhoria:
- Falta de marco regulatório municipal específico para o setor
- Divulgação insuficiente dos eventos e iniciativas
- Capacitação técnica limitada para pequenos empreendedores
- Integração deficiente entre setor público e privado
Oportunidades:
- Turismo gastronômico em franca expansão no país
- Mercado de cafés especiais crescendo 15% ao ano nacionalmente
- Proximidade com grandes centros consumidores (São Paulo, Curitiba)
- Estrutura de eventos já consolidada na cidade
Ameaças:
- Concorrência de outras regiões cafeeiras mais organizadas
- Falta de continuidade nas políticas públicas municipais
- Dificuldade de acesso a crédito para pequenos empreendedores
- Sazonalidade dos eventos e iniciativas
O Futuro Exige Responsabilidade
Uma questão que não podemos ignorar é a sustentabilidade ambiental do setor cafeeiro. As terras vermelhas do Norte do Paraná são patrimônio natural que precisa ser preservado para as futuras gerações.
Por isso, nossa proposta legislativa inclui critérios rigorosos de sustentabilidade socioambiental para certificação dos estabelecimentos. Não adianta desenvolver economia hoje se comprometermos o meio ambiente de amanhã.
Mobilização pela Nossa Cidade
Agora preciso do apoio de vocês para transformar essa visão em realidade:
Para Empresários e Profissionais Liberais: Participem dos núcleos do Programa Empreender da ACIM, apoiem os eventos da Rota dos Cafés Especiais e cobrem dos vereadores a aprovação de marco regulatório municipal
Para Lideranças Comunitárias: Divulguem as iniciativas em seus bairros e comunidades, organizem visitas técnicas aos eventos do setor e mobilizem a participação popular nas audiências públicas
Para Servidores Públicos: Articulem ações integradas entre secretarias municipais, proponham melhorias nos processos de licenciamento e facilitem o diálogo entre poder público e iniciativa privada
Para Todos os Maringaenses: Frequentem os estabelecimentos da Rota dos Cafés, participem do Festival Jazz & Blues em agosto e divulguem nossa cidade como destino do café especial
O Café que Une Passado e Futuro
Concluindo nossa conversa, quero deixar uma reflexão: o café especial em Maringá não é apenas uma atividade econômica — é um movimento de resgate da nossa identidade histórica projetada para o futuro.
Quando visitamos o antigo IBC, quando participamos da Rota dos Cafés, quando saboreamos um café especial produzido nas terras vermelhas da nossa região, estamos conectando gerações. Estamos honrando o legado dos pioneiros que enfrentaram a Geada Negra e construíram nossa cidade, ao mesmo tempo em que criamos oportunidades para nossos filhos e netos.
É isso que eu chamo de política com propósito: unir tradição e inovação, cultura e economia, sustentabilidade e desenvolvimento. Nossa Maringá merece lideranças que enxerguem essas conexões e trabalhem para fortalecê-las.
O Café On 2025 é apenas o começo. Com organização, planejamento e muito trabalho, podemos fazer de Maringá a capital brasileira dos cafés especiais. Mas isso só acontecerá se todos nós — empresários, políticos, servidores e cidadãos — remarmos na mesma direção.
Alan Zampieri | Advogado e Consultor de Negócios
🔗 Leitura Complementar
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