Última atualização em 12/01/2026 por Alan Zampieri
A cena é cada vez mais comum: jovens maringaenses, na entrada e saída das escolas, portando cigarros eletrônicos com naturalidade. O que para alguns parece moda, para nós, gestores públicos, pais e educadores, é motivo de alerta e ação. O uso do vape, pod, e-cigar e similares disparou entre adolescentes, impulsionado por sabores atrativos, design moderno e a falsa sensação de segurança. Mas como Maringá está enfrentando esse desafio? E o que podemos aprender com outras cidades brasileiras?

Dados sobre prevalência de uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes no Brasil e estimativas para Maringá, evidenciando crescimento preocupante e baixa percepção de risco
O que está acontecendo em Maringá?
Em maio de 2025, a Câmara Municipal de Maringá aprovou, em primeira discussão, o Projeto de Lei 17.275/2025, de autoria do vereador Diogo Altamir da Lotérica (PSDB), que institui a Campanha Municipal de Conscientização e Combate ao Consumo de Cigarro Eletrônico no Ambiente Escolar. O texto prevê ações permanentes em escolas públicas e privadas, abrangendo desde palestras, rodas de conversa, oficinas, teatros, vídeos e debates até a participação ativa de entidades da sociedade civil, especialistas em saúde, Conselhos Tutelares, Ministério Público e toda a comunidade escolar.
A proposta, aprovada por unanimidade, nasce de uma constatação simples e preocupante: alunos usando dispositivos eletrônicos para fumar nas imediações das escolas, muitas vezes sem qualquer constrangimento. O foco é claro: desfazer mitos, alertar para os riscos à saúde – como dependência de nicotina, doenças pulmonares (incluindo a EVALI), e o perigo de o vape ser porta de entrada para o tabagismo convencional – e fortalecer o ambiente escolar como espaço seguro e saudável.

Análise da composição química do vapor de cigarro eletrônico, desmitificando Marketing enganoso que apresenta como seguro ou ‘inofensivo’
Por que o combate é urgente?
Os dados são alarmantes: segundo o Ministério da Saúde, entre jovens de 18 a 24 anos, o uso de cigarros eletrônicos subiu de 19,7% para 23,9% em apenas um ano. Em Maringá, estudo com acadêmicos de Medicina revelou que 25% dos estudantes já trocaram o cigarro tradicional pelo eletrônico, e 43% desconheciam os riscos graves, como a EVALI – lesão pulmonar associada ao vape, potencialmente fatal.
O apelo desses dispositivos está justamente no visual moderno, nos aromas agradáveis e na falsa ideia de que são menos nocivos que o cigarro convencional. Mas a ciência é clara: o conteúdo de nicotina é alto, a dependência se instala rapidamente, e as consequências para a saúde são graves e, muitas vezes, irreversíveis.
O que diz a lei e como a gestão municipal atua?
Desde 2009, a comercialização, importação e propaganda dos cigarros eletrônicos são proibidas no Brasil pela Anvisa. O Paraná reforçou a proibição com a Lei Antifumo (16.239/2009), atualizada em 2023, que veda o uso desses dispositivos em ambientes coletivos, públicos ou privados. Em Maringá, o PL 17.275/2025 avança ao criar uma política municipal de educação e prevenção, integrando as secretarias de Educação, Saúde, entidades sociais e o Legislativo municipal.
A gestão pública, inspirada em experiências exitosas de cidades como Limeira-SP – pioneira na proibição do uso de vapes em locais públicos e privados de uso coletivo, com fiscalização e campanhas educativas obrigatórias -, aposta em campanhas permanentes, formação de professores, envolvimento das famílias e da comunidade. O objetivo é claro: não basta proibir, é preciso conscientizar, dialogar e oferecer alternativas saudáveis.
O que outras cidades e estados têm feito?
O debate é nacional. No Rio de Janeiro, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Pará, campanhas educativas nas escolas, kits antivape, palestras e seminários têm sido implementados com apoio dos governos locais e do Ministério da Saúde, via Programa Saúde na Escola e Programa Saber Saúde. Limeira (SP) inovou ao proibir o uso em todos os ambientes públicos e exigir cartazes informativos e fiscalização ativa. Em Parauapebas (PA), a legislação municipal obriga ações de conscientização e assistência psicológica aos jovens afetados.
Essas experiências mostram que a combinação de lei, educação e envolvimento comunitário é o caminho mais eficaz. A legislação sozinha não resolve: é preciso atuação preventiva, participação dos pais, formação continuada dos professores e escuta ativa dos estudantes.
Pontos fortes, desafios e oportunidades
Pontos Fortes:
- Maringá demonstra protagonismo ao aprovar lei específica e permanente, com foco em educação e prevenção.
- A integração entre Câmara, Prefeitura, entidades sociais e comunidade escolar fortalece a gestão e a transparência das políticas públicas.
- O município já possui tradição em educação de qualidade e sustentabilidade social, o que facilita a implementação de novas ações.
Desafios e Ameaças:
- O acesso ilegal aos dispositivos persiste, mesmo com a proibição nacional, exigindo fiscalização constante e atualização das estratégias.
- A desinformação entre jovens e famílias ainda é grande, alimentada por propagandas enganosas e pela cultura digital.
- O descarte inadequado dos dispositivos representa risco ambiental, tema ainda pouco debatido nas escolas.
Oportunidades:
- Ampliar parcerias com universidades, ONGs e órgãos de saúde para fortalecer campanhas e pesquisas locais.
- Utilizar as redes sociais e influenciadores digitais para dialogar diretamente com o público jovem, desmistificando o vape com linguagem acessível e regionalizada.
- Transformar Maringá em referência nacional de políticas públicas sustentáveis e inovadoras na área de saúde escolar.
PONTO – A proibição e a repressão ao cigarro eletrônico nas escolas são essenciais para proteger a saúde dos jovens e garantir um ambiente educacional saudável.
CONTRAPONTO – A simples proibição não resolve o problema, pois o acesso ilegal persiste e a curiosidade dos jovens é alimentada pela falta de informação e pelo apelo social dos dispositivos.
SÍNTESE – O combate eficaz ao cigarro eletrônico em ambiente escolar exige políticas públicas integradas: legislação clara, campanhas educativas permanentes, envolvimento das famílias, formação dos professores e diálogo aberto com os estudantes. Maringá, ao aprovar o PL 17.275/2025 e seguir exemplos nacionais, demonstra compromisso com uma gestão municipal transparente, sustentável e orientada pelo direito à saúde e à educação de qualidade.
Conversando com você, maringaense
Aqui em Maringá, a gente sempre gostou de fazer diferente – de inovar, de buscar soluções que funcionam na prática, sem radicalismos.
O cigarro eletrônico não é inofensivo. Ele vicia, adoece e pode até matar. Por isso, a luta é de todos nós: professores, pais, gestores, líderes religiosos, profissionais liberais, servidores públicos e, claro, dos próprios estudantes. Só juntos vamos construir uma Maringá mais saudável, justa e sustentável.
Se você quiser saber mais, conversar ou sugerir ideias, me chama no Instagram (@alanzampieri.adv). Vamos continuar esse papo – porque saúde, educação e futuro são causas que unem toda a nossa cidade.
Alan Zampieri | Advogado e Consultor de Negócios
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