Última atualização em 16/01/2026 por Alan Zampieri
Quando caminhamos pelas ruas arborizadas de nossa querida Maringá, é impossível não se orgulhar do patrimônio verde que construímos ao longo das décadas. Como maringaense de coração e defensor apaixonado de políticas públicas eficientes, posso afirmar que nossos parques são muito mais do que simples áreas de lazer — são verdadeiros laboratórios de qualidade de vida urbana, espaços de convivência democrática e pilares fundamentais para um futuro sustentável.

O Coração Verde da Cidade: Parque do Ingá
O Parque do Ingá é, sem dúvida, o cartão postal verde de Maringá. Inaugurado em 10 de outubro de 1971 pelo então prefeito Adriano José Valente, este espaço de 47,3 hectares de mata nativa remanescente representa muito mais que uma área de preservação — é um símbolo de como o planejamento urbano inteligente pode harmonizar desenvolvimento e natureza.
Atualmente, o parque funciona de terça a domingo, das 8h às 20h (horário estendido implementado pela gestão municipal para atender melhor a população durante o verão), oferecendo uma infraestrutura completa que inclui pista de caminhada de três quilômetros, Academia da Terceira Idade (ATI), playground, museu biológico, estação saúde e o famoso lago com pedalinhos.
Os números impressionam: durante a semana, recebe entre 300 a 600 visitantes, mas aos sábados esse número pode chegar a 5 mil pessoas, e aos domingos, impressionantes 8 mil maringaenses aproveitam este espaço público. Isso demonstra a importância vital que nossos parques têm na vida da população.

Principais Parques Urbanos de Maringá por Extensão de Área
Cultura e Tradição: Parque do Japão
O Parque do Japão, localizado na Rua Tulípa, 987, no Jardim Industrial, é uma verdadeira ponte cultural que celebra a forte presença da comunidade japonesa em nossa cidade. Funcionando de terça a domingo, das 8h às 18h, este espaço de 100 mil metros quadrados oferece aos visitantes uma imersão na cultura milenar japonesa.
O Jardim Imperial Japonês, com seu lago de carpas (símbolo de prosperidade na tradição nipônica), a Casa de Chá e o restaurante com comida típica japonesa fazem deste parque um destino único não apenas em Maringá, mas em todo o Paraná. A entrada é gratuita, mantendo nosso compromisso com a democratização do acesso à cultura e ao lazer.
É importante registrar que o Parque do Japão foi inaugurado em maio de 2014 através de acordo de irmandade entre Maringá e Kakogawa, assinado em 2 de julho de 1973. A presença japonesa em Maringá completou 100 anos em 2008, e o parque surgiu como celebração dessa centenária herança.
Espaço de Contemplação: Parque Alfredo Nyffeler (Buracão)
Carinhosamente conhecido como “Buracão”, o Parque Alfredo Nyffeler representa um exemplo exitoso de recuperação ambiental urbana. Com 104 mil metros quadrados, funciona todos os dias da semana, das 6h30 às 20h30, oferecendo um dos horários de funcionamento mais amplos entre nossos parques.
Este parque, que surgiu da revitalização de uma área degradada para proteger a nascente do Ribeirão Morangueiro, conta com lago artificial, mirante, pista de caminhada, playground e áreas de piquenique com churrasqueiras. É um exemplo concreto de como políticas públicas bem executadas podem transformar passivos ambientais em ativos comunitários.
Parques Lineares: A Nova Geração de Áreas Verdes
Maringá tem investido de forma inteligente na criação de parques lineares, seguindo tendências mundiais de urbanismo sustentável. O Parque Linear Gralha Azul, na Vila Morangueira, com 10,4 hectares, e o Parque Linear Rio Samambaia, no Jardim Campos Elísios, com 15 mil metros quadrados, representam essa nova concepção de espaço público.
O Parque Linear Gralha Azul foi inaugurado com investimento de R$ 1,2 milhão, viabilizado através de parceria com o Governo do Estado. Estes parques cumprem múltiplas funções: preservam as faixas de drenagem natural, ajudam a prevenir enchentes, oferecem lazer à população local e descentralizam as opções de recreação na cidade. São equipados com playground, quadras esportivas, pista de caminhada e Academia da Terceira Idade (ATI).

Bosque das Grevíleas: Patrimônio Arbóreo da Cidade
O Bosque Anníbal Bianchini da Rocha, popularmente conhecido como Bosque das Grevíleas, é uma das principais áreas verdes do município, com 44,6 mil metros quadrados. Localizado na Avenida Pio XII, Zona 05, este bosque é nomeado devido à predominância da espécie grevílea em seu território.
O espaço oferece pista para cooper, área para ginástica, ciclovia e ATI. Quando as primaveras estão floridas, junto com as grevíleas, criam um espetáculo visual que encanta quem visita o local. É um exemplo perfeito de como a escolha adequada das espécies arbóreas pode potencializar a beleza e funcionalidade dos espaços urbanos.
Além das Fronteiras: Trilha Caminhos de Peabiru
A cerca de 70 quilômetros de Maringá, na cidade de Peabiru, encontramos um tesouro histórico e natural: a Trilha Caminhos de Peabiru. Esta rota, que reconstitui parcialmente os antigos caminhos indígenas que conectavam o litoral brasileiro aos Andes peruanos, oferece 10 quilômetros de trilhas com acesso a sete cachoeiras e nascentes em meio à Mata Atlântica.
Declarada Patrimônio Cultural Imaterial do Paraná pela Lei Estadual nº 21.046/2022, a trilha funciona mediante agendamento prévio e é gratuita, solicitando apenas a contribuição de alimentos não perecíveis. O Programa Rota Turística Caminhos do Peabiru foi instituído pelo Decreto Estadual nº 8.025/2024, promovendo turismo sustentável, desenvolvimento social e econômico, e preservação ambiental.
É uma oportunidade única de conectar com nossa história e natureza regional.
Parque Estadual Lago Azul: Referência Regional
Localizado em Campo Mourão, a cerca de 100 quilômetros de Maringá, o Parque Estadual Lago Azul é um exemplo de como a preservação ambiental pode coexistir com o turismo sustentável. Com 1.749 hectares e um lago de 70 milhões de metros cúbicos, oferece trilhas ecológicas, centro de educação ambiental e atividades náuticas.
Funcionando de quarta a segunda-feira, das 9h às 17h, com visitas que devem ser agendadas no Instituto Água e Terra, representa um modelo de gestão ambiental que podemos adaptar e replicar em nossa região.
Aprendendo com Outras Cidades
O Programa 100 Parques de São Paulo, executado entre 2008 e 2012, elevou o número de parques municipais paulistanos de 34 para 102, utilizando recursos de termos de compensação ambiental de grandes empreendimentos imobiliários. Este modelo demonstra como políticas públicas criativas podem viabilizar a expansão de áreas verdes urbanas.
Em Curitiba, os cinco Parques Lineares Municipais (Cajuru, Mairi, Mané Garrincha, Yberê e Rio Bonito do Tatuquara) foram implementados para preservar faixas de drenagem, solucionar problemas sociais e ambientais, e oferecer lazer integrado com a natureza. A capital paranaense nos ensina que parques lineares são ferramentas eficazes de gestão urbana sustentável.
O Paraná, através do projeto coordenado pelo Instituto Água e Terra (IAT), já inaugurou 25 parques urbanos desde 2019, com investimento de R$ 73 milhões, focando na recuperação de áreas degradadas em fundos de vale. Este programa estadual mostra resultados concretos em municípios de diferentes portes.

Comparação: Área Verde por Habitante em Cidades Brasileiras
Movimento ODS Maringá: Parceiro Estratégico da Sustentabilidade
Como membro ativo do Movimento ODS Maringá, tenho o privilégio de trabalhar ao lado de voluntários comprometidos com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU. O movimento, que atua na cidade desde 2015, promove ações ambientais e sociais que fortalecem nossa consciência ecológica.
Através de oficinas sobre cultura indígena, saúde e bem-estar, além do “berçário das araucárias” – que conscientiza sobre a preservação dessa espécie nativa, o movimento complementa o trabalho de conservação realizado em nossos parques. É fundamental que a sociedade civil organizada seja parceira ativa na construção de políticas públicas ambientais.
Horários e Informações Práticas
Para facilitar o planejamento das famílias maringaenses, compilei os horários atualizados de nossos principais parques:
- Parque do Ingá: terça a domingo, 8h às 20h (horário estendido)
- Parque do Japão: terça a domingo, 8h às 18h
- Parque Alfredo Nyffeler (Buracão): todos os dias, 6h30 às 20h30
- Bosque das Grevíleas: acesso livre (área externa)
- Bosque dos Pioneiros: fechado para visitação interna, pista externa disponível
- Parques Lineares: acesso livre
Informações importantes: entrada gratuita em todos os parques públicos municipais; pedalinhos no Parque do Ingá: R$ 8,00 por pessoa; animais de estimação não são permitidos no interior dos parques, mas podem circular na pista externa do Parque do Ingá.
Desafios e Oportunidades
Não posso deixar de mencionar os desafios que ainda enfrentamos. O Parque do Cinquentenário, por exemplo, sofre com problemas de degradação ambiental e necessita de um plano de recuperação urgente. O Bosque dos Pioneiros permanece fechado há anos, representando uma oportunidade perdida de oferecer mais 59 hectares de lazer à população.
Estes desafios, contudo, são também oportunidades para demonstrarmos capacidade de gestão e inovação. Com planejamento adequado, parcerias estratégicas e participação cidadã, podemos transformar estes passivos em novos ativos para nossa cidade.
O Futuro Verde de Maringá
Maringá tem todas as condições para se tornar referência mundial em gestão de áreas verdes urbanas. Nossos mais de 80 metros quadrados de área verde por habitante já nos colocam entre as cidades mais arborizadas do Brasil, mas podemos ir além.
A criação de novos parques lineares, a revitalização de áreas degradadas, a integração tecnológica e a participação cidadã podem elevar nossa cidade a um patamar de excelência internacional. Outros municípios já nos procuram para conhecer nossas práticas – é hora de sistematizar e potencializar nosso modelo.
Sua Participação Faz a Diferença
Como cidadãos conscientes e responsáveis pelo futuro de nossa cidade, todos nós temos papel fundamental na conservação e melhoria de nossos parques.
Participe ativamente: frequente nossos parques, leve sua família, organize piqueniques, pratique exercícios e contribua para que estes espaços sejam sempre movimentados e valorizados.
Seja um guardião ambiental: denuncie irregularidades, práticas como descarte de lixo inadequado ou vandalismo. Nossos parques dependem do cuidado coletivo.
Engage-se politicamente: acompanhe as sessões da Câmara de Maringá quando houver discussões sobre meio ambiente e áreas verdes. Sua opinião importa na formulação de políticas públicas.
Junte-se ao Movimento ODS Maringá: participe de nossas ações de conscientização ambiental e social. Juntos, podemos multiplicar o impacto positivo em nossa comunidade.
Promova a educação ambiental: leve crianças para conhecer nossos parques, ensine sobre a importância da preservação, compartilhe conhecimento sobre nossa rica biodiversidade urbana.
A qualidade de vida que desfrutamos em Maringá não é um acaso – é resultado de décadas de planejamento, investimento público e cuidado coletivo. Nossos parques são patrimônio de todos os maringaenses e precisam de nossa proteção para as gerações futuras.
Que possamos continuar sendo exemplo de como desenvolvimento urbano e preservação ambiental podem caminhar juntos, construindo uma cidade cada vez mais sustentável, inclusiva e próspera. Afinal, como dizemos aqui no norte do Paraná: “Maringá é isso aí, né?” – uma cidade que soube crescer sem esquecer de suas raízes verdes.
Alan Zampieri | Advogado e Consultor de Negócios
🔗 Leitura Complementar
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