Última atualização em 12/01/2026 por Alan Zampieri
O Escândalo que Abalou a Previdência Nacional
Olha só, quando falamos de R$ 6,3 bilhões desviados de aposentados e pensionistas, não estamos falando de números abstratos. Estamos falando do dinheiro do seu Joaquim, aposentado que trabalhou a vida toda na Cocamar, da dona Maria, viúva do ferroviário que ajudou a construir nossa cidade. É sobre gente real, gente simples, que teve parte de seus benefícios roubada por um esquema que a Polícia Federal classificou como uma das maiores fraudes já vistas no país.
A Operação Sem Desconto revelou que 97% dos beneficiários nem sabiam que estavam sendo lesados. Imaginem vocês: enquanto nossos idosos contavam cada centavo para pagar remédio e feira, organizações criminosas estavam sistematicamente roubando deles, mês após mês, com a conivência de servidores corruptos.

Evolução temporal do rombo bilionário no INSS entre 2016 e 2024
Como Funciona uma CPMI: Transparência em Ação
Vamos desmistificar esse processo, porque transparência começa com informação clara. A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito aprovada pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, terá 30 parlamentares – 15 deputados e 15 senadores. Eles terão 180 dias e um orçamento de até R$ 200 mil para investigar tudo que aconteceu entre 2019 e 2024.
A escolha da presidência ficará com o Senado, provavelmente com o senador Omar Aziz (PSD-AM), enquanto a relatoria deve ir para a Câmara. É importante que tenhamos parlamentares comprometidos com a verdade, não com a politicagem barata que tanto prejudica nossa democracia.
O Rombo Bilionário: Dimensão Nacional de uma Tragédia Social
Os números são assustadores, mas precisamos olhá-los com a frieza técnica que o momento exige. Entre 2016 e 2024, os valores descontados indevidamente saltaram de R$ 413 milhões para impressionantes R$ 2,8 bilhões anuais. Esse valor poderia construir 18 mil escolas ou 900 Unidades Básicas de Saúde.

Mapa do impacto regional das fraudes no INSS por estado brasileiro
O impacto regional mostra como as regiões mais vulneráveis foram as mais atingidas. Estados como Maranhão e Piauí tiveram até 65% dos seus aposentados lesados, enquanto no Paraná esse percentual ficou em torno de 25%. Isso não é coincidência – é reflexo de como a corrupção sempre escolhe os mais indefesos como suas vítimas preferenciais.
Maringá e Região: Nossos Aposentados Também Foram Vítimas
Aqui na nossa região, temos mais de 50 mil beneficiários do INSS. Proporcionalmente, isso significa que milhares de maringaenses podem ter sido lesados por esse esquema. Pensem nos nossos aposentados que frequentam as agências do INSS na zona sul da cidade, ou nos pensionistas que dependem desses recursos para sua sobrevivência.
O prefeito Ulisses Maia sempre demonstrou preocupação com nossos idosos, promovendo eventos como o Projeto Nova Fase da Maringá Previdência. É essa sensibilidade social que precisamos levar para o debate nacional: políticas públicas que protejam, não que explorem nossos mais vulneráveis.
Reembolso em Parcela Única: Justiça Tardia, Mas Necessária
Uma das informações mais importantes para nossas famílias é sobre o reembolso. O governo federal se comprometeu a devolver todos os valores em parcela única ainda em 2025, após autorização do STF. Serão pagamentos quinzenais, corrigidos monetariamente, para mais de 3,2 milhões de pessoas.

É fundamental que nossos aposentados fiquem atentos: não é necessário fazer nada. O dinheiro será depositado automaticamente junto com o benefício regular. Cuidado com golpistas que podem se aproveitar da situação – toda informação oficial vem do próprio INSS.
Exemplos de Combate à Corrupção
Enquanto o escândalo do INSS chocava o país, várias cidades brasileiras já vinham implementando medidas eficazes de combate à corrupção. O prefeito Eduardo Paes, no Rio de Janeiro, criou sistemas de transparência digital que permitem rastreamento em tempo real dos gastos públicos. João Campos, no Recife, implementou auditorias contínuas que identificam irregularidades antes que se tornem escândalos.
Aqui no Paraná, o governador Ratinho Junior foi pioneiro ao criar o Fundo Estadual de Combate à Corrupção e implementar programas de integridade na administração pública. O “Controla Paraná” já conta com adesão de 185 das 399 prefeituras do estado, criando uma rede de proteção contra fraudes.

Panorama das medidas anticorrupção propostas para o INSS e seus impactos esperados
Medidas Anticorrupção: O Que Precisa Ser Feito
Como alguém formado pelas melhores escolas de formação política do país – Renova Brasil, RAPS, Fundação Ulysses Guimarães e Fundação FHC – sei que combater corrupção exige mais que indignação: exige método. As medidas propostas pela Polícia Federal incluem implementação obrigatória de biometria, que poderia evitar 58% das fraudes.
O Portal da Transparência Previdenciária, lançado em 2023, é um avanço, mas precisa ser aperfeiçoado. Precisamos de auditoria contínua, sistemas integrados de monitoramento e, principalmente, punição exemplar para os responsáveis.

Entre a Politicagem e a Solução Real
Não podemos deixar que esta CPMI vire palanque eleitoral. Infelizmente, já vemos movimentações políticas tentando usar o sofrimento dos aposentados para ganho partidário. O irmão do presidente Lula estar envolvido em uma das entidades investigadas não pode ser usado nem para atacar nem para blindar ninguém.
A verdade é que esse esquema atravessou governos de diferentes partidos. Entre 2019 e 2024, o problema cresceu sob Bolsonaro e continuou sob Lula. Isso mostra que a corrupção não tem cor partidária – ela tem cor de oportunidade.

Lições para Maringá: Transparência que Funciona
Como maringaenses, temos exemplos locais do que funciona e do que não funciona. A gestão transparente dos recursos da Maringá Previdência, com suas audiências públicas regulares e prestação de contas clara, mostra como se faz gestão responsável. Por outro lado, problemas como a lei de carreira de 2020, que gerou questionamentos judiciais, nos ensinam a importância de processos criteriosamente técnicos.
Nossa cidade precisa de lideranças que entendam que política não é sobre privilégios, mas sobre servir. É sobre criar sistemas que protejam o cidadão, não que o explorem.
O Papel do Ministério Público e dos Órgãos de Controle
O Ministério Público do Paraná já vem atuando proativamente no combate à corrupção municipal. Mais de 80 recomendações foram feitas para fortalecer os mecanismos de controle interno nos municípios paranaenses. Cidades como Carambeí chegaram a criar campanhas nas redes sociais incentivando denúncias contra fraudes.
O Tribunal de Contas do Paraná também tem papel fundamental, especialmente com suas novas ferramentas de compensação previdenciária que facilitam o controle cruzado de informações. É essa sinergia entre órgãos que precisamos fortalecer nacionalmente.
O Que Maringá Pode Fazer
Podemos implementar sistemas de auditoria cidadã, onde os próprios aposentados ajudem a fiscalizar os descontos em seus benefícios.
Precisamos criar um “Observatório da Transparência Maringaense”, conectado com as melhores práticas nacionais. Isso inclui parcerias com organizações como a Transparência Internacional Brasil, que já atua em 100 países.

Formulário do INSS brasileiro para solicitação de transferência de benefícios previdenciários para outro país ou atualização de dados bancários de beneficiários internacionais
Tolerância Zero: Mais que Slogan, uma Necessidade
A tolerância zero com corrupção não pode ser apenas um discurso de campanha. Precisa ser política de Estado, implementada de forma técnica e sistemática. Isso significa servidores bem treinados, sistemas informatizados seguros, controle social efetivo e punição rápida e exemplar.
O caso do INSS nos ensina que a corrupção sistêmica só prospera onde há omissão institucional. Por isso, precisamos de lideranças que coloquem a gestão técnica acima dos interesses políticos.
O Futuro da Previdência Passa por Maringá
O escândalo do INSS nos dói, mas também nos ensina. Nos ensina que cidadãos bem informados são a melhor defesa contra a corrupção. Nos ensina que transparência não é luxo, é necessidade básica. E nos ensina que lideranças comprometidas com resultados fazem toda a diferença.
A CPMI do INSS não pode ser mais um espetáculo político. Precisa ser o marco de uma nova era na gestão previdenciária brasileira. Uma era onde cada centavo seja rastreável, cada desconto seja autorizado, e cada servidor público entenda que seu papel é servir, não se servir.
Nossos aposentados merecem dignidade, não só no valor dos benefícios, mas na forma como são tratados pelo Estado. É isso que defendo, é por isso que trabalho, e é com essa convicção que seguimos construindo um Brasil mais justo e transparente para todos.
Alan Zampieri | Advogado e Consultor de Negócios
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