Última atualização em 12/01/2026 por Alan Zampieri
Em Maringá, a Defensoria Pública do Estado do Paraná tem se destacado como protagonista na construção de uma rede robusta de enfrentamento à violência, combinando tradição jurídica com inovação tecnológica para atender uma demanda crescente e complexa. Os números revelam a urgência desta missão: nossa cidade registrou 757 casos de violência doméstica em 2024, representando uma taxa de 176 casos por 100 mil habitantes. Contudo, estes dados também evidenciam a maturidade de nossos sistemas de registro e a confiança que as mulheres maringaenses depositam nas instituições de proteção.

Evolução dos casos de violência doméstica em Maringá (2023-2025)
O Cenário Atual da Violência Doméstica em Maringá
Dados Estatísticos e Tendências
Os números da violência doméstica em Maringá refletem uma realidade complexa que demanda análise técnica cuidadosa. Em 2025, até março, foram registrados 124 casos, indicando uma projeção anual de aproximadamente 496 casos – uma redução de 34,5% comparada a 2024. Esta tendência decrescente, embora positiva, deve ser interpretada com cautela, considerando fatores como subnotificação e mudanças nos padrões de denúncia durante diferentes períodos do ano.
O contexto regional amplia nossa compreensão do fenômeno. Na 17ª Área Integrada de Segurança Pública, que abrange 18 municípios incluindo Maringá, foram registrados 6.092 casos entre janeiro e maio de 2023, sendo que nossa cidade concentrou 52,6% destes registros. Esta concentração reflete não apenas a densidade populacional de Maringá, mas também a eficiência de nossos sistemas de registro e a acessibilidade dos serviços de proteção.
Perfil da Violência e Identificação de Padrões
A pesquisa acadêmica conduzida pela Universidade Estadual de Maringá identificou que a violência psicológica é a mais recorrente, porém a menos identificada pelas próprias vítimas. Este dado revela a necessidade de campanhas educativas específicas para conscientização sobre os diferentes tipos de violência previstos na Lei Maria da Penha: física, psicológica, sexual, moral e patrimonial.
Durante a pandemia, houve um incremento significativo no número de vítimas atendidas pelas instituições de acolhimento. O NUMAPE da UEM, por exemplo, precisou adaptar seus serviços para atendimento virtual, mantendo o suporte jurídico e psicossocial mesmo durante o isolamento social. Esta adaptação demonstrou a resiliência e capacidade de inovação de nossa rede de proteção.
A Defensoria Pública como Protagonista da Proteção
Estrutura e Abrangência do Atendimento
A Defensoria Pública do Paraná em Maringá opera com uma estrutura especializada que combina atendimento presencial tradicional com inovações tecnológicas. A sede, localizada na Avenida Tiradentes, 1289, funciona de segunda a quinta-feira, das 12h às 17h, atendendo as áreas criminal, de família e violência doméstica. Coordenada pela defensora Ana Luisa Imoleni Miola, a equipe trabalha de forma integrada com outros órgãos da rede de proteção.
O diferencial competitivo da Defensoria maringaense reside na combinação de expertise jurídica tradicional com ferramentas digitais inovadoras. Desde 2023, o Portal Luna permite que mulheres de toda a região realizem o primeiro atendimento online, democratizando o acesso aos serviços jurídicos. Esta iniciativa representa um avanço significativo na superação de barreiras geográficas e sociais que frequentemente impedem mulheres em situação de vulnerabilidade de buscar ajuda.
O Projeto Ampara: Inovação Nacional
O marco mais recente na atuação da Defensoria Pública paranaense é o Projeto Ampara, lançado em 2025. Esta ferramenta digital revolucionária oferece atendimento 24 horas por dia, sete dias por semana, exclusivamente para mulheres em situação de violência doméstica. O diferencial do Ampara está na composição de sua equipe: exclusivamente feminina, garantindo ambiente de confiança e segurança para as vítimas.
A plataforma permite solicitação de medidas protetivas de urgência, acompanhamento de processos em andamento e atendimento multidisciplinar envolvendo direito, psicologia e serviço social. Este modelo integrado representa uma evolução significativa no conceito de assistência jurídica, transcendendo a mera prestação de serviços legais para oferecer suporte holístico às mulheres em situação de vulnerabilidade.
Integração com a Rede Local
A efetividade da Defensoria Pública em Maringá resulta, em grande medida, da integração com outros componentes da rede de proteção. Esta rede inclui a Procuradoria da Mulher da Câmara Municipal, o NUMAPE da UEM, o CRAM Daniela Carolina Marinelo, a Patrulha Maria da Penha (153), a Delegacia da Mulher e a Casa Abrigo Edna Rodrigues de Souza.
Benchmarking: Aprendendo com Políticas Exitosas
São Paulo: Modelo de Integração Tecnológica
O Estado de São Paulo desenvolveu um dos mais avançados ecossistemas de proteção às mulheres no Brasil. O aplicativo SP Mulher Segura unifica serviços digitais de proteção, incluindo geolocalização, botão do pânico e cruzamento de dados entre vítima e agressor monitorado por tornozeleira eletrônica. O Protocolo Não Se Cale capacitou 82.423 profissionais de bares, restaurantes e casas noturnas para identificar e auxiliar mulheres em situação de risco.

Estas iniciativas paulistas oferecem lições valiosas para Maringá. A capacitação de profissionais do setor privado amplia exponencialmente a rede de detecção precoce, transformando estabelecimentos comerciais em pontos de apoio. A implementação de protocolo similar em nossa cidade poderia potencializar a identificação de casos e reduzir o tempo entre a situação de risco e a busca por ajuda.
Curitiba: Referência em Atendimento Multidisciplinar
A capital paranaense opera a Casa da Mulher Brasileira com modelo que integra defensoria pública, atendimento psicológico, assistência social e orientação jurídica em espaço único. A unidade funciona das 12h às 16h, oferecendo medidas protetivas de urgência, queixa-crime e atendimento especializado conforme a Lei Maria da Penha. Este modelo inspira a expansão dos serviços em Maringá, demonstrando a viabilidade de concentrar múltiplos serviços especializados.
Minas Gerais: Inovação em Comunicação
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais desenvolveu cartilha digital em linguagem simples para orientar mulheres vítimas de violência. Esta iniciativa reconhece que a complexidade da linguagem jurídica pode constituir barreira adicional para mulheres em situação de vulnerabilidade. A adaptação desta abordagem para Maringá, considerando especificidades regionais e culturais, poderia amplificar o alcance das informações sobre direitos e serviços disponíveis.
Inovações Legislativas e Tecnológicas Recentes
Lei 14.994/2024
A recente Lei 14.994/2024 representa evolução fundamental na proteção legal às mulheres. A transformação do feminicídio em crime autônomo, com pena de 20 a 40 anos, fortalece o sistema punitivo e reconhece a especificidade da violência de gênero. Para Maringá, esta mudança legislativa oferece instrumentos mais robustos para promotores e defensores públicos, potencializando a efetividade das medidas judiciais.
A lei também endurece penas para descumprimento de medidas protetivas e estabelece perda do poder familiar para condenados por crimes contra mulheres. Estas disposições fortalecem a Lei Maria da Penha e ampliam as consequências legais para agressores, criando efeito dissuasório mais efetivo.
Tecnologias de Monitoramento e Proteção
O uso de dispositivos móveis para proteção de vítimas representa fronteira tecnológica promissora. Em 2024, estes equipamentos geraram 13 mil alertas no Distrito Federal, protegendo 277 vítimas através de monitoramento integrado com tornozeleiras eletrônicas de agressores. A implementação desta tecnologia em Maringá poderia revolucionar a proteção de mulheres com medidas protetivas ativas.
Programa Mulher Segura 2025: Prevenção e Integração
Lançamento e Objetivos
O Programa Mulher Segura 2025, lançado pela Prefeitura de Maringá em parceria com o Governo do Estado, representa evolução na abordagem preventiva. O programa fortalece a atuação conjunta das forças de segurança e órgãos especializados, incluindo capacitações para agentes públicos, instalação de salas especializadas e palestras para identificação de relacionamentos abusivos.
Resultados Mensuráveis
Os dados operacionais do programa demonstram sua efetividade. Em 2022, Maringá registrou dois casos de feminicídio; em 2023, este número foi reduzido a zero. Embora a imprevisibilidade destes crimes exija vigilância constante, a redução evidencia o impacto positivo das ações integradas de prevenção e proteção.
Maringá como Modelo de Proteção Integrada
A análise da atuação da Defensoria Pública no combate à violência doméstica em Maringá revela um sistema em evolução, caracterizado por inovações significativas e resultados mensuráveis. O Projeto Ampara posiciona nossa cidade na vanguarda nacional do atendimento digitalizado, enquanto a rede integrada de proteção demonstra a maturidade institucional alcançada ao longo das últimas duas décadas.
O compromisso com políticas públicas mensuráveis, transparentes e cientificamente fundamentadas deve orientar os próximos passos. A proteção das mulheres maringaenses não é apenas imperativo ético, mas também investimento no desenvolvimento social e econômico sustentável de nossa cidade. Como maringaenses, temos a responsabilidade e a oportunidade de construir modelo que inspire outras cidades brasileiras na luta pela igualdade de gênero e pelo fim da violência doméstica.
A Defensoria Pública, como instituição guardiã dos direitos fundamentais, continuará sendo protagonista desta transformação social. Cabe a todos nós – sociedade civil, poder público e iniciativa privada – apoiar e amplificar estas ações, construindo Maringá como cidade onde todas as mulheres possam viver com dignidade, segurança e respeito.
Alan Zampieri | Advogado e Consultor de Negócios
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