Última atualização em 16/01/2026 por Alan Zampieri
Quando a dor se encontra com a violência: os furtos que abalaram Maringá
A paz que se espera encontrar nos cemitérios foi perturbada ao longo de 2025 em Maringá. Em setembro, a Guarda Civil Municipal recuperou 10 placas de bronze escondidas dentro de um túmulo violado no Cemitério Municipal. As peças, avaliadas em aproximadamente R$ 20 mil, haviam sido furtadas do próprio cemitério e ocultadas estrategicamente, evidenciando a organização criminosa por trás dos crimes.
A Polícia Civil instaurou inquérito e identificou dois suspeitos, homens de 29 e 31 anos, que já estavam presos por outros delitos. Um deles havia violado a própria tornozeleira eletrônica. Durante interrogatório, negou participação nos furtos, mas as investigações prosseguem com análise de imagens de câmeras de segurança e oitivas. Apenas dez dias depois, novo episódio chocou a cidade: outro casal foi detido pela Guarda Municipal em flagrante, na noite de 24 de setembro. Quatro homens foram flagrados retirando peças dos túmulos; três conseguiram fugir pulando o muro, mas um foi capturado.
O suspeito confessou que era a terceira vez que o grupo furtava no cemitério e revelou que as peças eram revendidas “por carga fechada”. Do lado de fora, sua namorada adolescente aguardava em um veículo repleto de ferramentas e peças de bronze. O caso expôs a facilidade de acesso ao cemitério e a existência de um mercado clandestino ávido por metais preciosos. Até início de outubro, novas mochilas lotadas de peças foram encontradas abandonadas em túmulos, confirmando que os criminosos usavam as sepulturas como depósitos temporários para posterior retirada.
Esses episódios revelam um problema crônico que afeta cemitérios de médio e grande porte em todo o Brasil. A vulnerabilidade das extensas áreas, os muros facilmente transponíveis e a ausência de vigilância constante transformam esses espaços sagrados em alvos atrativos para quadrilhas especializadas. Em Maringá, a área de 255 mil metros quadrados e as entradas laterais facilitavam a ação dos criminosos.
A resposta que Maringá precisava dar
Diante da escalada de crimes, a Prefeitura de Maringá respondeu com decisão. A Secretaria de Infraestrutura, sob comando do secretário Vagner Mussio, iniciou em junho de 2025 o projeto de instalação de câmeras de videomonitoramento. Inicialmente, foram anunciadas 32 câmeras, número posteriormente ampliado para 64 equipamentos, com 48 já em pleno funcionamento em outubro.
As câmeras foram instaladas estrategicamente para cobrir toda a extensão do cemitério, protegidas contra vandalismo e capazes de captar imagens de qualidade. O monitoramento ficou sob responsabilidade da Guarda Civil Municipal, que recebe as transmissões em tempo real. Além disso, refletores foram posicionados em pontos estratégicos para melhorar a iluminação noturna, reduzindo áreas de sombra onde criminosos poderiam agir.
A medida mais contundente veio em outubro: a implantação de serviço de vigilância motorizada 24 horas. Equipes de ronda circulam de motocicleta por todo o perímetro do cemitério em turnos ininterruptos. A velocidade recomendada para vigilância motorizada é de até 10 km/h, garantindo amplo campo visual e presença preventiva efetiva. As próprias motos são monitoradas eletronicamente, permitindo rastreamento constante das rotas e verificação se os vigilantes estão cumprindo adequadamente suas funções.
Segundo o secretário Mussio, “as câmeras são importantes para sabermos o momento real se alguém está invadindo o cemitério. Resolver o problema mesmo não resolve, mas inibe. Com a vigilância motorizada, teremos 24 horas por dia um serviço de ronda com motos, que também serão monitoradas para verificar se realmente estão fazendo o serviço”. A fala reconhece honestamente que tecnologia sozinha não elimina crimes, mas a combinação de câmeras, iluminação e presença física cria camadas de proteção que desestimulam a ação criminosa.
Lições de quem já enfrentou o mesmo desafio
Maringá não está sozinha nesse problema. Cemitérios de cidades brasileiras de diversos portes têm enfrentado ondas de furtos de peças metálicas, impulsionados pelo mercado clandestino que as revende. A análise de casos bem-sucedidos revela padrões que validam as escolhas de nossa cidade.
SÃO PAULO
Respeito aos mortos, vigilância pelos vivos
O momento que antecede o Dia de Finados convida à reflexão sobre a finitude da vida e a importância de honrar a memória daqueles que nos antecederam. Para muitos maringaenses, a visita aos túmulos é ato de fé, manifestação de amor que persiste além da morte, ocasião de oração e recolhimento espiritual. A sociedade tem o dever de assegurar que esses momentos ocorram em ambiente de paz e segurança.
Os furtos de lápides e placas não representam apenas prejuízo material. Configuram violação da memória dos mortos e agressão aos sentimentos dos familiares que já carregam a dor da perda. Cada placa furtada apaga um nome, uma data, uma história. Cada túmulo violado profana o repouso eterno e traumatiza quem dedicou recursos e esforços para homenagear dignamente seus entes queridos.
O chamado para a mobilização responsável
O trabalho de proteger nossos espaços sagrados não compete apenas ao poder público. A sociedade maringaense precisa engajar-se ativamente. Famílias que visitam o cemitério devem estar atentas e denunciar imediatamente atividades suspeitas através do 190 ou diretamente à Guarda Municipal. A participação cidadã fortalece o trabalho das forças de segurança e cria rede de vigilância comunitária.
À medida que nos aproximamos do Dia de Finados 2025, maringaenses podem visitar seus entes queridos com maior tranquilidade. As medidas implementadas não garantem segurança absoluta – nenhuma medida garante – mas criam ambiente significativamente mais protegido do que existia antes. Avançamos. Precisamos continuar avançando, aperfeiçoando sistemas, aprendendo com experiências de outras cidades, propondo inovações e, fundamentalmente, mantendo o diálogo permanente entre poder público e sociedade sobre as melhores formas de proteger o que nos é sagrado: a memória dos que amamos e já partiram.
Alan Zampieri | Advogado e Consultor de Negócios
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