Última atualização em 17/01/2026 por Alan Zampieri
A Black Friday já está aí, batendo na porta. E sabe aquele sentimento de ver aqueles descontos gigantescos, aquelas ofertas que parecem milagrosas? Pois é. Eu entendo essa emoção. Mas vou ser franco: nem tudo que brilha é ouro nesta data. Muita gente quer aproveitar os “piscas”, e acaba caindo nas armadilhas preparadas por quem não pensa em você, mas apenas no seu dinheiro.
A verdade é que muitos comerciantes usam técnicas que, francamente, desrespeitam o consumidor. E a gente precisa falar sobre isso sem medo, mas com técnica e com os olhos bem abertos. Porque você tem direitos – muitos direitos – garantidos por lei. O problema é que nem todo mundo conhece.
O Dever Básico: Transparência e Informação Clara
O Código de Defesa do Consumidor (CDC), lei que protege você desde 1990, é cristalino em uma coisa: toda publicidade deve ser clara, verdadeira e completa. Não é complicado. Significa que a loja precisa te contar a verdade sobre o produto, o preço, as condições de pagamento e o prazo de entrega. Ponto. Sem letra miúda. Sem truques de linguagem.
Mas o que acontece todo ano nessa época? Muita gente descobre que aquele “desconto de 70%” não é bem um desconto. É uma ilusão criada porque o preço foi aumentado artificialmente semanas antes. Chama-se “metade do dobro” – uma prática que é, tecnicamente, proibida por lei e considerada publicidade enganosa.
O Monitoramento de Preços: Sua Arma Contra a Fraude

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Aqui vai uma dica que pode salvar seu dinheiro: comece a monitorar os preços dos produtos que você quer comprar agora, hoje mesmo. Não espere até sexta-feira. Use apps como Buscapé, Google Shopping ou Compare agora. Tire prints. Guarde evidências.
Por quê? Porque quando você chegar na Black Friday e vir aquele desconto gigantesco, você terá a certeza se é real ou é armação. A Senacon, órgão do Ministério da Justiça, é muito claro nisso: quem não controla o histórico de preços é vulnerável a essa prática abusiva.
O Procon de diferentes cidades intensifica a fiscalização exatamente nessa época. Em Sorocaba, por exemplo, os fiscais visitam lojas solicitando documentos de compra e venda dos produtos em promoção para verificar se os descontos realmente existem. Maringá deveria fazer mais disso também. Mas, enquanto isso, você é seu próprio fiscal.
Os Golpes Digitais Que Mais Crescem
Se você vai comprar pela internet – e muita gente faz isso na Black Friday – precisa conhecer os três principais golpes que aumentam exponencialmente nesta data:
Primeiro: sites falsos que imitam lojas legítimas. O golpista cria um site praticamente idêntico ao da Americanas, Natura, Magazine Luiza. Você digita “Americanas” no Google, encontra aquele link que parece real, clica e acaba em uma armadilha. O site rouba seus dados bancários. Para se proteger: digite sempre o endereço da loja diretamente no navegador. Não clique em links de anúncios. Verifique se a URL começa com “https://” (note o “s” – significa conexão segura). Procure pelo certificado de segurança do site.
Segundo: “o desconto milagroso demais para ser verdade”. Se um eletrônico novo, lançado há pouco tempo, está com 80% de desconto, algo está errado. Descontos reais em itens caros raramente ultrapassam 40-50%. Quando vê algo assim, pause. Respire. Pesquise em outro lugar. Avalie com calma.
Seus Direitos Quando Você Compra Online
Vamos falar de direitos. De verdade. O CDC garante a você, maringaense, uma série de proteções quando compra fora do estabelecimento físico – seja internet, telefone ou catálogo:
Direito ao arrependimento: Você tem até sete dias corridos após receber o produto para desistir da compra. Sem precisar dar motivo. Sem custos adicionais. Nada. Só preenche um formulário e devolve. A loja precisa reembolsar não apenas o produto, mas também o frete.
Informação clara sobre prazos: As lojas precisam te informar quando o produto vai chegar. Não pode dizer “prazo indefinido” ou “será informado posteriormente”. Se não respeitar o prazo prometido e não entregar em tempo razoável, você pode cancelar sem penalidade.
Garantia em caso de defeito: Se o produto chegar com defeito, você tem direito a reparo dentro de 30 dias, se para produtos não duráveis, e 90 dias, se para produtos duráveis. Se não consertar no prazo, escolha entre: trocar por outro em perfeito estado, devolver o dinheiro integral ou receber desconto proporcional.
Proteção contra publicidade enganosa: Se a descrição do produto não corresponder ao que chegou, se as fotos foram enganosas, você tem direito de devolver, exigir o cumprimento da oferta ou receber o dinheiro de volta.
Um Olhar sobre Consumo Consciente e Responsabilidade Social
Aqui em Maringá, temos uma tradição interessante. A Associação Comercial e Empresarial de Maringá (Acim) trabalha há anos na campanha “Comércio em Movimento”, justamente para fortalecer o comércio de rua e o consumo local. E sabe por quê? Porque quando você compra em uma loja local, aquele dinheiro fica girando na economia da nossa cidade.
A realidade é essa: consumo consciente não significa não consumir. Significa consumir com inteligência, com responsabilidade. Significa perguntar: aquela blusa que vou comprar, de verdade eu preciso? Aquele eletrônico, de verdade vai trazer valor para minha vida ou é apenas impulso?
Empresas socialmente responsáveis – aquelas que praticam o que chamamos de ESG (ambiental, social e de governança) – entendem que respeitar o consumidor é fundamental. Elas oferecem transparência, qualidade, preços justos. E você, como consumidor consciente, precisa reconhecer e valorizar essas empresas.
Comércio de Rua em Maringá na Black Friday
Vou ser honesto: a Black Friday tradicional, com lojas abertas até tarde, é importante para o comércio de rua maringaense. Nesta sexta-feira, 28 de novembro, o comércio de rua funcionará das 8h às 20h. Aproveitem. Vocês têm direito de negociar, de conversar com o lojista, de conhecer a pessoa que está vendendo. Isso tem valor que a internet não substitui.
Seu Papel Como Consumidor Consciente
Aqui vai meu apelo: seja o fiscal da sua própria compra. Não confie apenas em leis – use-as a seu favor. Mas vá além:
- Pesquise antes de comprar. Monitore preços. Tire screenshots.
- Leia as políticas de troca e devolução. Guarde comprovantes.
- Se vir publicidade enganosa, denuncie. Acione o Procon. Use o portal consumidor.gov.br.
- Se comprar online, use cartão de crédito ou cartão virtual. Evite transferências.
- Não caia em “ofertas relâmpago” que só duram horas. Oferta real fica disponível.
- Desconfie de descontos acima de 60% em produtos novos e caros.
- Compartilhe suas experiências. Se encontrou uma loja honesta, divulgue. Se encontrou uma fraude, denuncie publicamente (responsavelmente, claro).
Essa é a defesa real do consumidor. Não é apenas lei. É você, consciente, vigilante, atuando como cidadão. É você, transmitindo conhecimento para a família. É você, cobrando transparência do comerciante.
Alan Zampieri | Advogado e Consultor de Negócios
🔗 Leitura Complementar
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