Última atualização em 12/01/2026 por Alan Zampieri
Pizza, Café e Política: O Sabor Amargo dos Escândalos em Maringá
Quem vive em Maringá sabe: basta um escândalo político para o assunto virar tema de conversa no café da manhã, no grupo da família e até na fila do pão. Mas, afinal, quando o assunto é nepotismo e uso indevido de dinheiro público, será que tudo acaba mesmo em pizza por aqui? Ou a população maringaense está pronta para exigir mais responsabilidade dos seus representantes?
Nepotismo: Um Fantasma que Insiste em Assombrar a Câmara
Desde 2006, nove vereadores e ex-vereadores de Maringá enfrentam processos por nomearem parentes em cargos de confiança nos próprios gabinetes, prática conhecida como nepotismo. A condenação veio: perda dos direitos políticos, proibição de assumir cargos públicos e multas pesadas. Mas, como em roteiro de filme repetido, decisões judiciais recentes suspenderam parte dessas punições, alegando mudanças na Lei de Improbidade Administrativa em 2021.
Cris Lauer e o Uso Indevido de Recursos: Quando o Público Vira Privado
Outro episódio que ganhou destaque foi o da vereadora Cris Lauer (NOVO), a mais votada em 2024. Ela foi condenada por improbidade administrativa após usar o chefe de gabinete, pago com dinheiro público, para defendê-la em processos particulares. A Justiça determinou a devolução de R$ 19 mil aos cofres públicos e pagamento de multa equivalente, mas não cassou seus direitos políticos, permitindo que siga exercendo o mandato enquanto recorre.
A tentativa de cassação do mandato pela Câmara foi barrada pelo Tribunal de Justiça, que entendeu que a perda de mandato só pode ocorrer após trânsito em julgado, ou seja, quando não houver mais possibilidade de recurso. O episódio alimentou o sentimento de impunidade e gerou intenso debate nas redes sociais, com muitos maringaenses questionando se as leis realmente valem para todos.
O Dinheiro que Vai e Volta (Ou Não) para os Cofres Públicos
Maringá já foi palco de escândalos ainda maiores, como o desvio de R$ 63 milhões da Prefeitura nos anos 1990, protagonizado pelo ex-secretário da Fazenda, Luis Antonio Paolicchi. Só recentemente, após décadas de tramitação judicial, a Justiça determinou a devolução desse valor ao município, corrigido, ultrapassando hoje a casa de quase R$ 1 bilhão. O caso mostra que, embora a Justiça tarde, ela pode não falhar — mas o prejuízo social é irreparável.
Por que Isso Acontece? E o Que Fazer?
A recorrência desses casos revela fragilidades institucionais e culturais. O nepotismo, por exemplo, era prática corriqueira em Maringá e em dezenas de cidades do Paraná até a decisão do STF que o proibiu, forçando a exoneração de parentes e a devolução de salários indevidos. Já o uso indevido de dinheiro público, seja por meio de contratos, cargos ou serviços, é facilitado pela falta de fiscalização e transparência.
Mas há luz no fim do túnel. Iniciativas como o Observatório Social de Maringá, formado por cidadãos de diversas áreas, já evitaram o desvio de cerca de R$ 80 milhões entre 2006 e 2014, mostrando que a sociedade pode, sim, fazer a diferença.
Casos em Outras Capitais: Exemplos que Inspiram
Cidades como Recife, Florianópolis e Rio de Janeiro avançaram na criação de mecanismos de controle e transparência. Em Recife, o programa “Transparência Recife” permite ao cidadão acompanhar cada centavo gasto pela prefeitura. Florianópolis criou o “Controle Social Digital”, plataforma que facilita denúncias e acompanhamento de licitações. No Rio, a Controladoria-Geral do Município implementou auditorias contínuas em contratos públicos, reduzindo drasticamente casos de corrupção.
Essas experiências mostram que, com vontade política e participação popular, é possível mudar o jogo.
Não, Não Precisa Acabar em Pizza!
Não podemos aceitar que tudo acabe em pizza. É hora de virar esse jogo, de exigir resultados, de fiscalizar — seja lendo o Diário Oficial, acompanhando portais de transparência, participando de audiências públicas ou simplesmente cobrando dos nossos vereadores e gestores uma postura ética e responsável.
Aos colegas advogados, contadores, médicos, professores, líderes de bairro, servidores e profissionais liberais: a política não é um terreno exclusivo dos políticos. É nossa responsabilidade coletiva. Vamos juntos construir uma Maringá mais justa, transparente e sustentável, onde o dinheiro público seja respeitado e onde a ética não seja exceção, mas regra.
Propostas para um Combate Intransigente ao Nepotismo e à Corrupção
- Aprovação de projetos de lei que ampliem a transparência e dificultem nomeações de parentes e contratos suspeitos.
- Criação de canais diretos de denúncia e acompanhamento de processos disciplinares.
- Parceria com entidades civis e universidades para auditorias cidadãs.
- Educação política nas escolas e campanhas de conscientização sobre o uso correto do dinheiro público.
Para Refletir: O Futuro Está em Nossas Mãos
Se queremos uma Maringá melhor, precisamos agir agora. A pizza pode até ser boa na mesa do domingo, mas na política, o sabor é amargo. Fiscalize, participe, cobre. Juntos, podemos garantir que, em Maringá, o dinheiro público seja tratado com o respeito que a nossa gente merece.
Alan Zampieri | Advogado e Consultor de Negócios
🔗 Leitura Complementar
Para entender melhor como políticas públicas de inclusão social funcionam em outras cidades, e como pressionar por mudanças em Maringá, recomendamos:
Para acompanhar reflexões sobre ética, trabalho e políticas públicas que fazem Maringá prosperar, siga @alanzampieri.adv no Instagram.



