Última atualização em 19/11/2025 por Alan Zampieri
Transparência digital: será que Maringá precisa gastar mais para comunicar melhor?
Vou ser direto com vocês: a Câmara de Maringá já tem uma TV. Já transmite as sessões ao vivo. Já está no YouTube, Instagram e Facebook. Então por que o debate sobre ampliar ainda mais essa estrutura? Será que o maringaense acorda de manhã pensando “nossa Câmara precisa de mais TV”? Ou será que o povo está pedindo outra coisa: menos gastos, mais eficiência e transparência de verdade?
O que já existe em Maringá
Ou seja: a estrutura digital já existe e funciona. Qualquer maringaense pode acompanhar os trabalhos legislativos de casa, do trabalho ou de qualquer lugar, gratuitamente, pela internet. A pergunta que fica é: o que mais é necessário? E principalmente: quanto mais a população vai ter que pagar por isso?
Quando o orçamento dispara e a transparência não melhora
Vamos aos números, porque eles contam uma história preocupante. Em 2023, a Câmara de Maringá teve um orçamento de R$ 35 milhões. Em 2024, esse valor saltou para R$ 63 milhões – um aumento de 76%, enquanto o orçamento geral do município cresceu apenas 4%, praticamente acompanhando a inflação.
Isso significa que cada maringaense paga R$ 146,51 por ano para manter a Câmara funcionando. Para comparar: em Curitiba, o custo per capita é de R$ 73,92; em São Paulo, R$ 47,41. Estamos pagando o dobro de Curitiba e mais do que o triplo de São Paulo. Por quê?
O argumento oficial é que o aumento foi necessário para ampliar o prédio e receber os oito novos vereadores (Maringá passou de 15 para 23 parlamentares em 2025). Mas aí vem a segunda pancada: em julho de 2025, a Câmara aprovou a criação de mais 30 cargos comissionados, aumentando de quatro para cinco assessores por gabinete. Custo adicional: R$ 2,9 milhões por ano, ou seja, quase R$ 250 mil reais por mês a mais.
O que outras cidades estão fazendo (e gastando menos)
Câmaras menores, como a de Florianópolis, transmitem sessões ao vivo pelo YouTube e mantêm comunicação direta com o cidadão pelas redes sociais. Estudos acadêmicos confirmam que a comunicação digital legislativa é eficaz quando prioriza transparência, accountability e participação – não necessariamente grandes estruturas físicas.
Inovação não é gastar mais – é gastar melhor
Aqui entra um ponto fundamental que precisa ficar claro: inovação em comunicação pública não significa criar mais cargos, mais estrutura ou mais gastos. Inovação é usar inteligência, tecnologia e criatividade para entregar mais resultado com menos recurso.
As redes sociais permitem transmissão ao vivo gratuita, interação direta com a população, alcance massivo e mensuração de resultados em tempo real. Um vídeo bem produzido no Instagram pode alcançar milhares de pessoas instantaneamente. Uma live no YouTube pode ser assistida, comentada e compartilhada sem custo adicional. Isso é comunicação do século XXI.
A Câmara precisa ouvir a voz do povo
E aqui está o ponto central de tudo: a Câmara existe para representar a população. Os vereadores foram eleitos para serem a voz do povo. Mas será que estão ouvindo o que as ruas estão dizendo?
Ninguém está pedindo mais estrutura. A população de Maringá já se posicionou contra o aumento de cargos comissionados, alertando que a medida eleva gastos públicos e impacta todas as próximas gestões. O maringaense está cansado de ver dinheiro público sendo usado para ampliar a máquina enquanto faltam recursos para saúde, educação e segurança.
A Câmara de Maringá devolveu R$ 24,8 milhões em sobras orçamentárias em 2024. Isso mostra que é possível trabalhar com orçamento menor.
Transparência com responsabilidade e diálogo
Defendo a transparência com todas as forças. O trabalho legislativo precisa ser público, acessível e compreensível para todos os cidadãos. Mas transparência não se constrói com estruturas caras – se constrói com compromisso, diálogo e responsabilidade fiscal.
A Câmara de Maringá já possui todas as ferramentas necessárias para uma comunicação transparente e eficiente: canal no YouTube, redes sociais ativas, transmissões ao vivo das sessões e equipe de comunicação. O que falta não é mais estrutura – é melhor utilização do que já existe e compromisso genuíno com a prestação de contas.
Minha proposta é clara: em vez de gastar mais, vamos potencializar o que já temos. Vamos profissionalizar a comunicação digital, criar conteúdos mais didáticos e acessíveis, abrir canais de diálogo direto com a população e, principalmente, reduzir os custos operacionais da Câmara. Isso sim seria inovação.
Menos custos, mais eficiência
A Câmara de Maringá precisa dar o exemplo. Não podemos aceitar que o legislativo municipal consuma R$ 146,51 de cada maringaense enquanto outras capitais gastam menos da metade disso. Não podemos aceitar o aumento de 30 cargos comissionados quando a população pede enxugamento da máquina pública.
A gestão eficiente passa por escolhas difíceis. Passa por dizer não a privilégios. Passa por colocar o interesse público acima dos interesses corporativos. E passa, principalmente, por ouvir a população e fazer o que ela está pedindo: economizar, trabalhar melhor e entregar resultados concretos.
Alan Zampieri | Advogado e Consultor de Negócios
Para acompanhar reflexões sobre ética, trabalho e políticas públicas que fazem Maringá prosperar, siga @alanzampieri.adv no Instagram.



