Última atualização em 12/01/2026 por Alan Zampieri
Recentemente, durante a Semana Maringaense de Educação Financeira, a palestra do especialista Paulo Portinho na Expoingá foi um verdadeiro “sacode” na consciência coletiva, trazendo dados alarmantes sobre o endividamento e os impactos negativos das apostas na vida das famílias.
O que está acontecendo?
As bets chegaram com força em Maringá e em todo o país. Basta dar uma volta pelos bares da cidade, conversar com jovens nas universidades ou acompanhar as redes sociais para perceber como o assunto está em alta. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 70% dos jovens brasileiros já tiveram contato com algum tipo de aposta online. Em Maringá, conforme apurado pelo portal Maringá Post e pela CBN Maringá, o número de apostadores cresceu mais de 40% nos últimos dois anos.
Por que isso preocupa?
O problema vai muito além do dinheiro perdido em uma aposta. Estudos recentes do Banco Central e do Serasa apontam que o endividamento das famílias brasileiras atingiu níveis recordes em 2024, com mais de 30% dos inadimplentes citando jogos de azar e apostas como causa principal. Em Maringá, relatos de famílias endividadas e jovens com problemas de saúde mental relacionados às apostas se multiplicam, conforme noticiado pelo portal O Maringá e pela Rádio Jovem Pan Maringá.

Durante a Expoingá, Paulo Portinho destacou:
“A aposta fácil é uma ilusão perigosa. Ela mina o planejamento financeiro, destrói lares e compromete o futuro de nossos jovens.”

Como isso afeta a Saúde Mental?
A compulsão por apostas é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um transtorno comportamental. Em Maringá, psicólogos e psiquiatras relatam aumento expressivo de casos de ansiedade, depressão e até tentativas de suicídio ligados ao vício em bets. O Hospital Municipal de Maringá registrou, em 2024, um aumento de 25% nas internações relacionadas a distúrbios financeiros e emocionais provocados por jogos de azar.
O papel da Educação Financeira?
A educação é o caminho mais seguro para a prevenção. O projeto de lei 123/2024, em tramitação na Câmara de Maringá, propõe a inclusão de educação financeira e prevenção ao jogo patológico nas escolas municipais. Essa iniciativa, inspirada em políticas públicas de cidades como Recife, Florianópolis e Rio de Janeiro, já mostrou resultados positivos, reduzindo em até 18% o número de jovens endividados, segundo dados da Prefeitura de Florianópolis.

Políticas Públicas e Responsabilidade Social
É papel do poder público, da sociedade civil e dos meios de comunicação agir de forma responsável. Não podemos aceitar a banalização das bets, nem a irresponsabilidade de quem divulga ou incentiva esse tipo de prática. Precisamos de políticas públicas sustentáveis, baseadas em dados, diálogo e transparência.
Em Maringá, a Prefeitura e a Câmara Municipal já discutem medidas como:
- Campanhas educativas em escolas e universidades;
- Fiscalização de publicidade de apostas;
- Apoio psicológico gratuito para vítimas do vício;
- Parcerias com entidades religiosas, como a Igreja Católica, para orientação e acolhimento.
A Liberdade não deve ser confundida com a Irresponsabilidade
É claro que vivemos em uma sociedade livre e democrática, onde o direito ao lazer e à escolha individual deve ser respeitado. No entanto, a liberdade não pode ser confundida com irresponsabilidade. O que está em jogo é o futuro de nossas famílias, a saúde mental de nossos jovens e a sustentabilidade financeira do nosso município.
O alerta está dado. As bets não são brincadeira. Elas têm destruído sonhos, lares e carreiras. É hora de agir com responsabilidade, promover a educação financeira e exigir políticas públicas que protejam nossa população. Maringá pode – e deve – ser exemplo de gestão, direito e sustentabilidade.
Se você, leitor, tem uma história ou sugestão, compartilhe. Vamos juntos construir uma cidade mais consciente, justa e preparada para os desafios do futuro.
Alan Zampieri | Advogado e Consultor de Negócios
🔗 Leitura Complementar
Para entender melhor como políticas públicas de inclusão social funcionam em outras cidades, e como pressionar por mudanças em Maringá, recomendamos:
Para acompanhar reflexões sobre ética, trabalho e políticas públicas que fazem Maringá prosperar, siga @alanzampieri.adv no Instagram.



