Última atualização em 12/11/2025 por Alan Zampieri
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas exibidos com ícones e descrições em português
Por que um maringaense, um brasileiro, um cidadão da nossa cidade deveria se importar com uma data que parece tão distante, tão diplomática, tão “lá fora”? Porque a ONU não é apenas um prédio em Nova York ou Genebra – é um compromisso que chega até nossas casas, nossas escolas, nossos bairros. É a Agenda 2030 e os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que orientam políticas públicas em Maringá e em todo o planeta. É o trabalho que fazemos aqui, no Movimento ODS Maringá e no Núcleo ODS do Programa Empreender da ACIM, conectando nossa realidade local com desafios globais. É a escolha diária entre radicalização e moderação, entre indiferença e solidariedade, entre isolamento e cooperação.
O Sonho que Nasceu das Cinzas
Precisamos lembrar de onde viemos. Em 1945, o mundo estava destroçado. Mais de 60 milhões de mortos, cidades inteiras reduzidas a escombros, famílias separadas, economias arrasadas. A humanidade havia experimentado o pior de si mesma: o totalitarismo, o genocídio, a bomba atômica. E foi justamente ali, no abismo mais profundo, que representantes de 50 nações se reuniram em São Francisco para dizer: “Nunca mais”.
Agenda 2030: Do Global ao Local, do Sonho à Ação
Em 2015, setenta anos após a fundação da ONU, os 193 Estados-membros deram um passo histórico ao adotarem a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Este documento, intitulado “Transformando o Nosso Mundo”, estabeleceu 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e 169 metas específicas para serem alcançadas até 2030.
Os 17 ODS abrangem desde a erradicação da pobreza e da fome até ação climática, consumo responsável, redução de desigualdades, educação de qualidade, saúde, trabalho decente, cidades sustentáveis, paz e justiça, além de parcerias para implementação. Não são objetivos isolados – são integrados e interdependentes, conectando as dimensões econômica, social e ambiental do desenvolvimento.
O Brasil é protagonista nessa agenda. Fomos um dos primeiros países a aderir formalmente aos ODS, criando estruturas governamentais e mobilizando a sociedade civil. E mais: somos o único país do mundo que possui uma ferramenta para acompanhar todos os 17 ODS em cada um de nossos 5.570 municípios – o Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades (IDSC-BR).
Essa mobilização local é crucial porque, como mostram os dados do IDSC-BR, ainda temos um longo caminho pela frente: cerca de 70% dos municípios brasileiros estão classificados com nível de desenvolvimento sustentável “baixo” ou “muito baixo”. Nenhuma cidade brasileira atingiu ainda o nível “muito alto”. Mas justamente por isso, cada ação local importa. Cada projeto bem-sucedido em Maringá pode inspirar outras cidades. Cada maringaense que abraça os ODS multiplica o impacto da Agenda 2030.
A Igreja Católica e a Construção da Paz: Diálogo como Caminho
Desde o Papa João XXIII até o Papa Francisco, passando por Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI, a Santa Sé tem sido voz profética em defesa do diálogo, da justiça social e da ecologia integral.
O Papa Francisco, em suas mensagens para o Dia Mundial da Paz, tem proposto caminhos claros para a construção da paz duradoura: diálogo entre gerações, educação e trabalho. Segundo o Santo Padre, esses são “três elementos imprescindíveis para tornar possível a criação de um pacto social, sem o qual se revela inconsistente todo projeto de paz”.
A Campanha da Fraternidade 2026, com tema “Fraternidade e Moradia” e lema “Ele veio morar entre nós” (João 1,14), também se conecta diretamente aos ODS, especialmente ao ODS 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis). A CNBB alerta que o Brasil enfrenta déficit habitacional de 6 milhões de moradias, somado a 26 milhões de residências inadequadas – realidade que “clama por conversão social e ações concretas que garantam um lar digno a todos”.
Contra a Radicalização, a Favor do Diálogo
Vivemos tempos de polarização crescente. Nas redes sociais, nos debates públicos, até nas conversas familiares, parece que perdemos a capacidade de discordar civilizadamente. Quem não está “comigo” automaticamente está “contra mim”. Quem pensa diferente vira inimigo. O diálogo dá lugar ao monólogo, o debate ao grito, a reflexão ao ataque pessoal.
Mas é possível conviver com quem pensa diferente de nós. Não apenas possível – é necessário e enriquecedor. A própria ONU é prova disso: 193 países, com culturas distintas, sistemas políticos diversos, religiões variadas, níveis de desenvolvimento diferentes, conseguem sentar-se à mesma mesa e buscar consensos mínimos que beneficiem a humanidade.
O caminho do centro não é ausência de convicções ou capitulação frente às injustiças. É, pelo contrário, a postura madura de quem sabe que soluções complexas exigem visões integradas, que nenhum lado detém o monopólio da verdade, que podemos discordar sem desumanizar o outro. Centro é pragmatismo: avaliar cada política pública por seus resultados concretos para a população, não pela ideologia de quem a propõe. Centro é técnica: buscar evidências, dados, experiências bem-sucedidas em vez de abraçar dogmas partidários. Centro é diálogo: escutar genuinamente antes de falar, construir pontes em vez de trincheiras.
Maringá Pode Ser Referência Nacional em ODS
Temos tudo para fazer de Maringá uma cidade referência nacional e internacional na implementação dos ODS. Já possuímos estruturas importantes: o Movimento ODS Maringá, o Núcleo ODS da ACIM, o Programa Empreender reconhecido internacionalmente, eventos anuais de impacto, empresas certificadas, sociedade civil organizada.
O Futuro Começa Hoje!
Celebrar o Dia das Nações Unidas não é apenas relembrar uma data histórica ou fazer discursos bonitos sobre paz e cooperação. É renovar nosso compromisso diário, pessoal e coletivo, com a construção de um mundo mais justo, equilibrado, inclusivo e sustentável.
É escolher o diálogo em vez do confronto, a evidência em vez do fanatismo, a cooperação em vez do individualismo. É reconhecer que os desafios que enfrentamos – mudanças climáticas, desigualdades sociais, crises econômicas, conflitos armados, pandemias – não respeitam fronteiras nacionais e só podem ser superados com esforço conjunto.
Alan Zampieri | Advogado e Consultor de Negócios
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