Última atualização em 21/01/2026 por Alan Zampieri
O Natal Além das Aparências: Uma Reflexão Necessária
Você já parou para pensar no que realmente significa o Natal? Não estou falando daquele Natal de vitrines iluminadas, de aglomerações em shoppings ou de presentes comprados por obrigação. Falo daquele outro Natal — aquele que Dom Severino, nosso querido arcebispo, nos convida a redescobrir: um Natal de fé, paz, esperança e ação transformadora. A entrevista recente do Dom no Podcast Ponto a Ponto do Maringá Post trouxe reflexões profundas que todos nós, lideranças políticas e cidadãos conscientes, precisamos interiorizar.
Quando Dom Severino afirma que “o brilho dos shoppings brilha mais que os brilhos das catedrais”, ele não está condenando o comércio local — vital para nossa economia. Está alertando sobre algo crítico: quando o consumismo substitui a espiritualidade, perdemos o sentido. A realidade é que Maringá, cidade de aproximadamente 440 mil habitantes, concentra sua riqueza em determinados espaços enquanto famílias inteiras em bairros periféricos enfrentam vulnerabilidade social, insegurança alimentar e falta de oportunidades.
O arcebispo recorda que a criança nascida em Belém — Jesus — nasceu na humildade, na simplicidade e no acolhimento. São Francisco de Assis, fundador da ordem franciscana à qual Dom Severino pertence, criou o primeiro presépio em 1.223 precisamente para ajudar as pessoas a verem com os olhos a realidade: não há beleza decorativa que substitua a presença genuína, o cuidado verdadeiro e a dignidade ofertada aos que sofrem. Essa mensagem, meu caro leitor, é profundamente política — não no sentido eleitoral, mas no sentido de política pública: ações mensuráveis, inclusivas, transparentes e focadas na transformação social.
Esperança como Mobilizadora de Políticas Públicas
Se há algo que caracteriza este ano de 2025 na Igreja Católica é o Jubileu da Esperança. E Dom Severino é enfático: a esperança não é sentimentalismo ou pensamento positivo ingênuo. É esperança que age, que denuncia injustiças, que educa gerações, que resgata dignidade.
Pensemos em uma realidade concreta de Maringá: em 2024, os afastamentos de professores por transtornos mentais atingiram níveis alarmantes, aumentando 97,5% em comparação a 2022. Isso é sintoma de uma cidade em sofrimento, mesmo sendo destaque nacional em indicadores educacionais (IDEB 7,2 em 2023). Nesse contexto, como transformamos esperança em política pública estruturante? A resposta está na integração entre saúde, educação e assistência social.
Vejo em cidades como Recife, com o programa Jovens de Impacto, como é possível articular educação, empreendedorismo e resolução de problemas sociais de forma concomitante. Já o Rio de Janeiro, através do programa Rio Cidade Criativa, capacita jovens em vulnerabilidade em áreas como sabonete artesanal, crochê e artesanato, gerando renda e economia criativa em 15 núcleos pela cidade. Essas iniciativas transformam esperança em oportunidade concreta.
Solidariedade como Responsabilidade Permanente, Não Sazonal
Dezembro de 2025 trouxe um dado inspirador: a campanha Natal Sem Fome alcançou 5 mil toneladas de alimentos para distribuição em todo o Brasil, resultado de parceria histórica entre governo e ONG Ação da Cidadania. Isso demonstra que quando esperança e ação se articulam, a mobilização é exponencial.
Transparência e Eficiência: Pilares de Confiança Pública
Dom Severino é enfático quanto a um ponto: a Igreja mantém-se fora do jogo eleitoral porque sua missão é servir todos, sem siglas, sem polarização. Essa lição ressoa para a política pública em Maringá. O arcebispo fala que foi a Câmara Municipal que reuniu com todos os candidatos em 2024, não para apoiar um ou outro, mas para dialogar sobre temas estruturantes.
Maringá possui portal de transparência implementado desde 2005, com consulta de servidores, licitações e orçamento. Mas o cidadão pergunta: essas informações são de fácil acesso para jornalistas locais, pesquisadores e lideranças de bairros? Dados abertos não garantem democracia — transparência ativa e educação para leitura de dados, sim. Vejo que o Programa Cidades Verdes Resilientes do governo federal selecionou 50 cidades brasileiras para capacitação em gestão com uso de IA e dados climáticos. Maringá poderia candidatar-se a integrar essa rede, elevando o padrão de gestão.
Feliz Natal é Ação Transformadora
Quando Dom Severino encerra a conversa com o jornalista Ronaldo Nezo dizendo “é Natal, é deixar a luz do menino Deus tomar conta, todo mundo tá brilhando de alegria”, ele não está pedindo à população que ignore sofrimento ou problema estrutural. Está convidando a transformar esperança em movimento, fé em dias melhores em políticas públicas para todos, solidariedade em instituição permanente.
Para isso, convido políticos, jornalistas, lideranças comunitárias e cidadãos conscientes de Maringá a fazerem o que Dom Severino recomenda: conversão — mudança de olhar, redefinição de prioridades, coragem para agir.
Feliz Natal em Maringá não é decoração de vitrines ou presentes comprados sem reflexão. É ressignificação coletiva do que significa comunidade, dignidade, esperança. É a Prefeitura que escuta os vereadores. É a Câmara que debate com a sociedade, e fiscaliza o Poder Executivo. É empresários que humanizam a gestão. É professores que recebem apoio em saúde mental. É jovens empreendendo com crédito e mentoria. É família reunida sem polarização. É vizinhos cuidando de vizinhos.
Isso é Natal. Isso é política pública com fé, pragmatismo e amor ao próximo.
Que em 2026, em Maringá, possamos dizer como Dom Severino: “Nós conseguimos dar um novo elã à existência. Nasceu algo novo entre nós. A esperança ganhou a palavra final.”
Alan Zampieri | Advogado e Consultor de Negócios
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