Última atualização em 16/01/2026 por Alan Zampieri
A Força Motriz de uma Política Cultural Consistente

Evolução dos investimentos em cultura através do Fomento Aniceto Matti demonstra crescimento consistente na valorização das políticas culturais municipais
Diversidade que Enriquece, Gestão que Sustenta
Uma das características mais notáveis desta edição é sua capacidade de mapear o Brasil musical contemporâneo. Artistas de nove estados diferentes, representando desde a música erudita de Vanessa Moreno e Salomão Soares até as sonoridades indígenas do Swbathekye, da tribo Kariri Xocó de Alagoas.

O Femucic 2025 demonstra sua vocação nacional ao reunir artistas de múltiplas regiões brasileiras, fortalecendo o intercâmbio cultural
Essa diversidade não é acidental, é resultado de uma curadoria que compreende a música como linguagem universal capaz de unir diferenças. Quando vejo nomes como Mari Tenório apresentando-se no Restaurante Popular ou Bruno Sanches levando música ao interior de Santa Fé, enxergo política pública cultural de inclusão funcionando na prática.
O Que Podemos Aprender?
Durante minhas análises sobre gestão pública, sempre busco referências nacionais. O Rio de Janeiro, por exemplo, executou 100% dos recursos da Política Nacional Aldir Blanc em 2024, investindo R$ 37,8 milhões em projetos culturais. São Paulo criou o programa “Sons do Rio”, mapeando artistas de 92 municípios através de playlists digitais.
O Paraná, por sua vez, destinou quase R$ 400 milhões em investimentos culturais em 2024, incluindo a construção do primeiro museu internacional em parceria com o Centre Pompidou nas Américas. Estes exemplos mostram que cultura não é gasto, é investimento estratégico.
Maringá precisa se inspirar nessas experiências, mas sem perder sua identidade. Nossa cidade tem características únicas que devem ser potencializadas: localização estratégica, tradição em eventos culturais e população altamente escolarizada.
Femucic e o Ecossistema Cultural Maringaense
O que mais me orgulha como maringaense é perceber como o Femucic dialoga harmoniosamente com outras iniciativas locais. O Fomento Aniceto Matti – que substitui o antigo prêmio, adequando-se às exigências federais – permite que os recursos sejam repassados integralmente aos contemplados, sem descontos tributários.
A Democratização do Acesso: Além dos Grandes Palcos
Uma das estratégias mais acertadas do Femucic 2025 é sua capilarização urbana. Shows em terminais de ônibus, restaurante universitário, feiras do produtor e empresas locais transformam a cidade inteira em palco.
Esta abordagem reflete uma compreensão moderna de política cultural: não basta ofertar cultura, é preciso levá-la onde as pessoas estão. Quando vejo apresentações no Terminal Urbano ou no Restaurante Popular, reconheço uma gestão que compreende as dinâmicas sociais urbanas.
Desafios e Oportunidades: O Olhar para o Futuro
Estes são pontos de atenção e oportunidades no atual modelo do Femucic:
A Formação de Plateias como Política de Estado
As oficinas de 2025 abordam desde técnicas vocais até acompanhamento de choro, passando por prática de conjunto. É educação cultural aplicada, criando condições para que futuros artistas locais participem das próximas edições do festival.
Sustentabilidade Econômica e Social dos Festivais
A discussão sobre sustentabilidade em eventos culturais ganhou relevância nacional após problemas em megashows como o da Taylor Swift no Rio. O Femucic, por sua natureza mais intimista e distribuída, oferece um modelo mais sustentável social e ambientalmente.
Seus ingressos solidários (2kg de alimentos não perecíveis) demonstram como é possível democratizar o acesso mantendo a responsabilidade social. Esta estratégia poderia ser replicada em outros eventos municipais, criando uma rede permanente de arrecadação para entidades assistenciais.
O Papel da Mídia Local na Valorização Cultural
Como alguém que transita entre mídia e política, reconheço o papel fundamental de veículos como CBN Maringá, GMC Online e Maringá Post na divulgação e análise crítica de eventos como o Femucic.
A cobertura jornalística local não apenas informa, mas educa o público sobre a importância das políticas culturais. É através dela que conceitos como “economia criativa” e “impacto cultural” chegam ao cidadão comum.
Integrando Tradição e Inovação
O Femucic 2025 consegue algo raro: manter-se fiel às suas raízes enquanto abraça inovações necessárias. A Orquestra Jovem Sesc Paraná abrindo e fechando o festival simboliza esta continuidade, enquanto artistas como Swbathekye trazem sonoridades que expandem nossos horizontes culturais.
Esta capacidade de equilibrar tradição e renovação é exatamente o que precisamos nas políticas públicas maringaenses: inovação com responsabilidade, ousadia com planejamento.
Participe da Construção Cultural de Maringá
O Femucic 2025 é mais que entretenimento – é oportunidade de participarmos ativamente da construção de uma Maringá culturalmente vibrante. Seja retirando seus ingressos solidários, prestigiando as apresentações gratuitas ou debatendo propostas de melhorias.
Convido especialmente os formadores de opinião, jornalistas, advogados, empresários, professores – a frequentarem não apenas os shows principais, mas também as oficinas e apresentações descentralizadas. É nestes espaços que a verdadeira transformação cultural acontece.
Como cidade que se orgulha de seu planejamento urbano, Maringá tem tudo para se tornar referência nacional também em planejamento cultural. O Femucic nos mostra o caminho; cabe a nós trilhá-lo com determinação e visão de futuro.
A música, como dizia Tom Jobim, é a mais completa das artes. No Femucic 2025, ela encontra em Maringá não apenas palco, mas lar. E lares bem cuidados sempre produzem os melhores frutos.
Participe do Femucic 2025. Participe da construção de uma Maringá ainda mais culturalmente rica e diversa.
Alan Zampieri | Advogado e Consultor de Negócios
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