Última atualização em 16/01/2026 por Alan Zampieri
Vista aérea de um moderno trevo de trevo cercado por campos verdes e edifícios industriais leves, exemplificando uma infraestrutura semelhante a projetos de desvio rodoviário como o Contorno Sul de Maringá
A assinatura do convênio para a duplicação do Contorno Sul marca um divisor de águas na história de Maringá e da região metropolitana. Como alguém que acompanha de perto a política maringaense há anos, posso afirmar com convicção: esta é possivelmente a mais importante decisão de investimento público dos últimos três decênios em nossa cidade.
O que mais me impressiona nesta conquista é o modelo de parceria estabelecido entre a Associação Comercial e Empresarial de Maringá (ACIM) e o poder público. A ACIM não apenas propôs a solução – ela investiu recursos próprios para contratar e doar o projeto executivo completo ao Estado.
Isso demonstra o que há de melhor no “capital social” maringaense, como bem definiu o prefeito Silvio Barros. Nossa cidade sempre se destacou pela capacidade de mobilização da sociedade civil organizada, e este projeto é a prova viva de que quando empresários, entidades e poder público trabalham juntos, os resultados superam qualquer expectativa individual.
Essa dinâmica de cooperação não é novidade em Maringá, mas ganha contornos excepcionais quando falamos de um investimento desta magnitude. O governador Ratinho Junior criou um “banco de projetos” que permite que empresas e entidades doem estudos técnicos ao Estado, acelerando drasticamente o processo de implementação de obras estratégicas.
Tecnologia de Primeiro Mundo: O Diferencial do Pavimento em Concreto
Uma das características mais relevantes desta obra é a escolha tecnológica pelo pavimento rígido. A duplicação utilizará a técnica whitetopping, pioneira no Paraná e já testada com sucesso em mais de 500 quilômetros de rodovias estaduais.
Para quem não conhece os detalhes técnicos, o whitetopping consiste na aplicação de uma camada de concreto diretamente sobre o pavimento asfáltico existente, que passa a funcionar como sub-base. Esta tecnologia oferece vantagens incomparáveis: vida útil de pelo menos 20 anos (o dobro do asfalto convencional), resistência superior a veículos pesados, maior segurança em frenagens e melhor drenagem de águas pluviais.
Os custos de manutenção também são significativamente menores. Enquanto um pavimento asfáltico precisa de intervenções constantes, especialmente em trechos com tráfego pesado como o Contorno Sul, o pavimento de concreto mantém suas características estruturais por décadas.

Principais indicadores do projeto de duplicação do Contorno Sul de Maringá, demonstrando o impacto do investimento de R$ 450 milhões
O Impacto na Segurança Viária: Salvando Vidas no Trânsito
Não podemos ignorar a realidade dramática dos acidentes no Contorno Sul. Os dados são alarmantes: 755 ocorrências entre 2023 e 2025, resultando em 17 mortes, 1.832 vítimas e envolvimento de 1.514 veículos. Estes números não são apenas estatísticas – representam famílias destruídas, sonhos interrompidos, traumas que atravessam gerações.
A duplicação com viadutos eliminará os principais pontos de conflito, especialmente a temida rotatória de entrada da cidade por Sarandi. Serão construídos um viaduto duplo e quatro viadutos simples apenas no entroncamento com a BR-376, além de mais 13 estruturas distribuídas ao longo do percurso.
Quando comparamos com casos similares pelo Brasil, vemos que projetos de duplicação com separação de níveis costumam reduzir em até 70% o número de acidentes graves. A experiência de cidades como Curitiba, com seus viadutos e trincheiras, demonstra que investir em infraestrutura segura não é custo – é investimento em desenvolvimento humano.
Logística Regional: O Novo Corredor do Agronegócio
Maringá não é apenas uma cidade – é o coração logístico do noroeste paranaense. Por nosso Contorno Sul passa diariamente o escoamento da produção agrícola de Campo Mourão, Cianorte e toda a região oeste em direção ao Porto de Paranaguá.
São mais de 21 mil veículos por dia, sendo uma parcela significativa de caminhões carregados com a riqueza do campo paranaense. O atual gargalo não prejudica apenas os maringaenses que precisam se deslocar para Sarandi, Paiçandu e Marialva – impacta diretamente a competitividade do agronegócio regional.
Com a duplicação, criaremos um verdadeiro “corredor de desenvolvimento” que conectará de forma eficiente a BR-376 à PR-317, proporcionando fluidez ao transporte de cargas e reduzindo custos logísticos para produtores e empresários de toda a região.
Benchmarking: O Que Outras Cidades Ensinam
Analisando experiências similares pelo país, encontramos lições valiosas. Em Curitiba, o Contorno Norte da Região Metropolitana, com investimento de R$ 170 milhões em 17 quilômetros, demonstrou que obras desta natureza geram um ciclo virtuoso de desenvolvimento.
Feira de Santana, na Bahia, investiu R$ 216 milhões na duplicação de seu Anel de Contorno, incluindo vias marginais, ciclovia e cinco passarelas de pedestres. O resultado foi a redução significativa de congestionamentos e o impulso ao desenvolvimento econômico regional.
O diferencial de Maringá está na escala do investimento por quilômetro – aproximadamente R$ 38 milhões por quilômetro – que permite a implementação de soluções tecnológicas de primeira linha, especialmente o pavimento rígido e as 18 obras de arte especiais.
O Contexto Econômico: Mais de R$ 1 Bilhão em Investimentos
É fundamental situarmos o Contorno Sul no contexto maior dos investimentos estaduais na região. Somando a duplicação da PR-317 (R$ 60,8 milhões), o viaduto do Catuaí (R$ 50 milhões) e outras intervenções menores, chegamos a quase R$ 1 bilhão em investimentos na mobilidade urbana de Maringá nos últimos anos.
Esse volume de recursos demonstra o reconhecimento, por parte do governo estadual, da importância estratégica de Maringá para o desenvolvimento paranaense. Nossa cidade não é beneficiada por acaso – somos o centro econômico e logístico que conecta o interior do Estado ao litoral.
Sustentabilidade e Meio Ambiente: O Pavimento Inteligente
Um aspecto pouco explorado na discussão pública é o caráter sustentável do pavimento de concreto. Diferentemente do asfalto, que absorve calor e contribui para as “ilhas de calor urbano”, o concreto reflete a luz solar, reduzindo a temperatura superficial e diminuindo a necessidade de iluminação artificial.
Além disso, a maior durabilidade significa menos intervenções futuras, reduzindo a geração de resíduos de construção e o consumo de recursos naturais ao longo das duas próximas décadas.
Transparência e Gestão: O Papel da Sociedade Civil
A ACIM deu o exemplo ao doar o projeto, mas sua responsabilidade não termina aí. É fundamental que haja acompanhamento técnico permanente da execução, desde a fase de audiências públicas até a entrega final da obra.
Proponho que seja criado um Observatório Cidadão do Contorno Sul, composto por representantes da ACIM, OAB, CREA, universidades e associações de bairro. Este observatório teria acesso técnico aos dados da obra e emitiria relatórios públicos mensais sobre o andamento dos trabalhos.
A transparência não pode ser apenas discurso – precisa ser prática cotidiana, especialmente em uma obra desta magnitude que impactará a vida de centenas de milhares de pessoas.
O Futuro Começou: Uma Nova Era Para Maringá
Olhando para frente, vejo esta obra como o marco inicial de uma nova fase de desenvolvimento para nossa região metropolitana. Com o Contorno Sul duplicado, Maringá consolidará definitivamente sua posição como “capital regional” do noroeste paranaense.
A obra vai além da mobilidade – representa a maturidade política de uma cidade que aprendeu a fazer parcerias eficientes entre público e privado. É um exemplo que deveria ser estudado e replicado em outros municípios brasileiros.
Não se trata apenas de concreto e asfalto. Trata-se de vidas salvas, tempo economizado, combustível poupado, estresse reduzido, produtividade aumentada. Trata-se, enfim, de qualidade de vida para todos os maringaenses e para quem escolheu nossa região como lar ou rota de negócios.
Participação e Vigilância Cidadã
Este é o momento de cada maringaense assumir seu papel de cidadão ativo. As audiências públicas obrigatórias devem contar com participação massiva da população. Não podemos deixar que uma obra desta importância seja decidida apenas nos gabinetes.
Convido todos os leitores a:
- Acompanhar o cronograma das audiências públicas na prefeitura
- Participar das discussões sobre os impactos ambientais e sociais
- Fiscalizar a transparência dos processos licitatórios
- Cobrar qualidade técnica na execução das obras
- Exigir cumprimento dos prazos estabelecidos
A democracia participativa não acontece por decreto – acontece pela mobilização consciente da sociedade civil. Este projeto nasceu da organização empresarial maringaense, mas seu sucesso dependerá da vigilância de todos nós.
Maringá merece uma obra à altura de sua importância regional. Com acompanhamento cidadão, parcerias inteligentes e gestão eficiente, o Contorno Sul pode se tornar referência nacional de como fazer infraestrutura pública no século XXI.
O futuro da mobilidade regional começou. Cabe a cada um de nós garantir que seja um futuro próspero, seguro e sustentável para as próximas gerações.
Alan Zampieri | Advogado e Consultor de Negócios
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