Última atualização em 16/01/2026 por Alan Zampieri
Sessão plenária na Câmara Municipal de Maringá mostrando vereadores durante reunião formal com resultados da votação expostos
Acaba de sair do forno a decisão que vai mexer no bolso de todo mundo que tem imóvel na nossa cidade. Como previsto, os vereadores aprovaram hoje, por 16 votos a 6, o projeto que vai deixar o IPTU bem mais caro já no ano que vem. E vou explicar tudo nos mínimos detalhes, porque transparência é fundamental numa gestão eficiente.
A Votação de Hoje: Como Foi a Decisão dos Vereadores

Aviso de IPTU 2025 com a exposição de infraestrutura pública financiada por serviços do governo local
A sessão foi tensa, com secretários municipais e membros do Executivo presentes em peso para acompanhar a votação. O projeto de lei complementar nº 2393/2025 foi aprovado em primeira discussão e agora segue para segunda votação na próxima semana.
Confira o voto de cada vereador:
Votaram A FAVOR do projeto (16 vereadores):
- Akemi Nishimori (PSD)
- Angelo Salgueiro (Podemos)
- Bravin Junior (PP)
- Diogo Altamir da Lotérica (PSDB)
- Sidnei Telles (Podemos)
- Guilherme Machado (PL)
- Jeremias (PL)
- Lemuel do Salvando Vidas (PDT)
- Luiz Neto (Agir)
- Majô (PP)
- Maninho (Republicanos)
- Mário Hossokawa (PP)
- Odair Fogueteiro (PP)
- William Gentil (PP)
- Pastor Sandro (União)
- Uilian da Farmácia (União)
Votaram CONTRA o projeto (6 vereadores):
- Daniel Malvezzi (Novo)
- Giselli Bianchini (PP)
- Mário Verri (PT)
- Professora Ana Lúcia (PDT)
- Professor Pacífico (Novo) – assumiu o lugar da vereadora cassada Cris Lauer
- Ítalo Maroneze (PDT)
Ausente na votação:
- Flávio Mantovani (PSD)
O secretário de Fazenda Carlos Augusto Ferreira foi direto ao ponto numa coletiva de imprensa: sim, o aumento do IPTU vai servir para cobrir as perdas com o IPVA. “Sim (servirá para recompor o IPVA), além de tentar nos levar, não vai estar 100% enquadrado, com a determinação do Tribunal de Contas, também obviamente vai servir para cobrir essa necessidade”, admitiu.
Comparando com o Histórico
Vamos aos números concretos, porque é assim que se faz política técnica. Durante meus 8 anos acompanhando a política maringaense, nunca vi uma mudança tão drástica no IPTU quanto a que está sendo proposta.

Evolução dos Reajustes do IPTU em Maringá (2015-2026): 2026 marca mudança estrutural além da inflação
Olhem só essa evolução histórica: nos últimos 11 anos (2015-2025), a média dos reajustes foi de 6,4% ao ano. Sempre seguindo apenas a inflação medida pelo IPCA-15. Em 2025, tivemos um reajuste de 4,45%. Para 2026, além dos 5,3% de inflação, teremos uma mudança estrutural na base de cálculo que pode elevar o imposto em até 30%.
A questão é técnica, mas vou traduzir em miúdos. Hoje, quando a Prefeitura calcula o IPTU do seu imóvel, ela pega o valor que consta na planta genérica (aquela tabela oficial de preços) e dá um desconto de 40% em cima. Depois aplica a alíquota do imposto. É como se um imóvel avaliado em R$ 200 mil fosse tributado como se valesse apenas R$ 120 mil.
O projeto aprovado hoje quer mudar isso. Primeiro, aplicar o reajuste de 5,3% da inflação – isso é normal, acontece todo ano. Mas a grande mudança é reduzir esse desconto de 40% para 25%. Na prática, aquele mesmo imóvel de R$ 200 mil passaria a ser tributado como se valesse R$ 150 mil, não mais R$ 120 mil.
Os argumentos da Prefeitura
O Tribunal de Contas do Paraná, através da Portaria nº 511/2009, determina que os municípios atualizem essas plantas a cada quatro anos. Dos 399 municípios paranaenses, apenas 103 (26%) cumprem essa regra. A fiscalização do TCE-PR mostrou que, em média, o valor presumido usado no cálculo do IPTU corresponde a apenas 30% do valor real dos imóveis, quando deveria ser pelo menos 70%.
Em outras palavras, há anos pagamos um IPTU muito abaixo do que seria tecnicamente correto. Isso pode até parecer bom para o contribuinte, mas gera injustiças: quem tem imóveis mais valorizados paga proporcionalmente menos, enquanto quem mora em regiões menos nobres arca com um peso tributário maior.
A perspectiva da gestão eficiente: menos imposto, mais resultado
Como alguém que defende a eficiência na gestão pública, preciso ser claro: não sou favorável a aumentar impostos como primeira opção. A função de um gestor público eficiente é entregar mais serviços com menos recursos, não arrecadar mais para manter a mesma qualidade.
Maringá tem uma arrecadação robusta de IPTU: R$ 381 milhões previstos para 2025. Nossa máquina administrativa deveria focar em otimizar essa receita atual através de melhor cobrança da inadimplência, modernização dos processos e redução de custos operacionais.
O Que Outras Cidades Fizeram?
Olhem só o que aconteceu em outros lugares ao longo da história. Em 2013, Maringá já passou por isso quando a Câmara aprovou um projeto que gerou aumentos de 15% a 30%, chegando a 60% em alguns bairros. Na época, o argumento era o mesmo: a planta genérica não tinha reajuste há 12 anos.
Em São Paulo, a prefeitura atualizou a planta genérica para 2026, mas manteve isenções para imóveis até R$ 150 mil e descontos progressivos até R$ 390 mil. Londrina fez atualizações que geraram aumentos de até 400% em alguns casos, resultando em investigação do Ministério Público.
Rio Branco do Sul, após atualizar parcialmente a planta genérica em 2021, teve aumento de 197,7% na arrecadação do IPTU. Em Curitiba, os descontos para pagamento à vista chegam a apenas 4%, bem menores que os 10% que Maringá oferece.
Mobilização pela Justiça Tributária
Maringaenses, chegou a hora de mostrarmos que nossa cidade não aceita decisões tomadas às pressas, sem o devido debate público. Não podemos permitir que aumentos de impostos sejam aprovados sem que haja melhorias dos serviços públicos.
O que você pode fazer agora:
- Acompanhe a sessão da Câmara desta terça-feira (30/09) e da quinta-feira (02/10), ambas às 9h, presencialmente ou pela TV Câmara
- Procure seu vereador e manifeste sua opinião sobre o projeto
- Cobre transparência: peça simuladores online e mais audiências públicas
- Compartilhe informações corretas sobre o projeto com seus vizinhos e familiares
Nossa Câmara Municipal precisa entender que representa o povo, não apenas os interesses arrecadatórios do Executivo. É hora de mostrarmos que Maringá merece uma gestão mais eficiente, transparente e comprometida com quem realmente produz a riqueza desta cidade: os pequenos comerciantes e os trabalhadores maringaenses.
Juntos, podemos exigir uma tributação justa que não comprometa ainda mais o sonho da casa própria em nossa cidade. Mas isso só acontecerá se cada um de nós assumir seu papel na defesa de uma Maringá melhor para todos.
Qual a sua opinião sobre esse aumento do IPTU maringaense para 2026?
Profissionais liberais, comerciantes, trabalhadores, servidores públicos e toda a população maringaense, deixe seu comentário sobre esse aumento do IPTU 2026. Você acha que teremos melhores serviços com o aumento da arrecadação?
Alan Zampieri | Advogado e Consultor de Negócios
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