Última atualização em 16/01/2026 por Alan Zampieri
Quando um jovem de 22 anos, nascido e criado em Maringá, conquista um dos prêmios mais prestigiosos da ciência mundial, não estamos falando apenas de uma história individual de sucesso. Estamos testemunhando o potencial transformador da educação pública de qualidade e a necessidade urgente de políticas públicas que ampliem esse alcance.
O Fenômeno Juliano Ito: Muito Mais que uma Conquista Individual
Juliano Hiroyuki Ito não é apenas mais um estudante brilhante. Ele é a prova viva de que a universidade pública brasileira, quando bem estruturada e apoiada, pode competir no mais alto nível mundial. Sua pesquisa sobre o “Impacto de medicamentos antituberculose na infectividade do micobacteriófago D29 em células hospedeiras de Mycobacterium smegmatis” representa uma abordagem inovadora para um dos maiores desafios da saúde global.
UEM: A Universidade Estadual que Compete com os Gigantes Mundiais
A conquista de Juliano não aconteceu no vácuo. Ela é fruto de uma universidade que, nos últimos anos, tem se posicionado sistematicamente entre as melhores do país e da América Latina. A UEM é hoje a 5ª melhor universidade estadual do Brasil e ocupa a 34ª posição entre todas as universidades brasileiras no ranking mundial CWUR 2025.
A Internacionalização Como Estratégia de Excelência
O professor Meneguello fez uma observação que deveria ecoar nos corredores do poder público maringaense: “Este prêmio valida as estratégias de internacionalização da UEM”. A universidade mantém parcerias vigentes com 120 universidades e institutos em 32 países nos cinco continentes, além de estar em negociação ativa com outras 20 instituições.
Benchmarking Internacional: O Que Outras Cidades Estão Fazendo
Enquanto celebramos a conquista individual de Juliano, precisamos olhar para experiências exitosas de outras cidades brasileiras. Florianópolis, por exemplo, investiu no setor tecnológico desde a década de 1980 e hoje o setor de tecnologia representa 25% do PIB da cidade – a maior fatia entre as capitais brasileiras.
O Porto Digital de Recife, fundado em 2000, abriga mais de 350 empresas e startups, gerando milhares de empregos e fortalecendo a economia local. Mais recentemente, a Prefeitura do Recife lançou o programa “UniverCidade”, integrando os Núcleos de Inovação Tecnológica de oito universidades e criando a plataforma EDIT.AI para facilitar pedidos de financiamento público.
Marco Legal Federal: As Ferramentas Já Existem
O Brasil dispõe de um arcabouço legal robusto para o fomento à pesquisa e inovação. O Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação (Lei nº 13.243/2016) estabeleceu diretrizes claras para fortalecer a cooperação entre universidades e empresas.
O Potencial Subutilizado de Maringá
Maringá possui todos os ingredientes para ser um hub de inovação ainda mais significativo. A cidade abriga a MaringaTech, certificada Cerne I pelo Sebrae e credenciada ao sistema estadual de parques tecnológicos do Paraná. O Centro de Inovação de Maringá, estabelecido em 2012, promove a cooperação público-privada e já gerou iniciativas como o Maringá Conecta.
A Universidade Pública Como Patrimônio Estratégico
A história de Juliano Ito nos ensina algo fundamental: a universidade pública não é gasto – é investimento estratégico. Cada real aplicado na UEM se multiplica em conhecimento, inovação e desenvolvimento regional. A pesquisa de Juliano, desenvolvida com recursos públicos, pode revolucionar o tratamento da tuberculose globalmente.
O Desafio da Continuidade
O maior desafio é garantir que casos como o de Juliano se multipliquem. Como ele mesmo disse: “Deixem de lado a ‘síndrome de vira-lata’. Não somos inferiores”. Mas para isso, precisamos de políticas públicas consistentes e de longo prazo.
O professor Jean Meneguello fez uma observação crucial: “Gostaríamos que ele crescesse com a universidade, mas sabemos que ele leva o nome da UEM consigo”. Nossa missão como gestores públicos é criar condições para que talentos como Juliano queiram ficar e construir suas carreiras aqui.
Hora de Agir
A conquista de Juliano Ito nos oferece uma janela de oportunidade única. É o momento de Maringá dar um salto qualitativo em suas políticas de ciência, tecnologia e inovação.
Aos empresários maringaenses: Conheçam os laboratórios da UEM. Há soluções inovadoras esperando aplicação prática. A Lei do Bem oferece incentivos fiscais significativos para investimentos em P&D.
Aos formadores de opinião: Defendam a universidade pública. Divulguem cases de sucesso como o de Juliano. Mostrem que a UEM é um patrimônio estratégico de Maringá.
Aos estudantes: Procurem oportunidades de pesquisa. Como disse Juliano, “Muitos congressos internacionais oferecem prêmios de viagem e até inscrições gratuitas. Basta ir atrás das oportunidades”.
Aos cidadãos maringaenses: Cobrem de seus representantes políticas públicas que fortaleçam o ecossistema de inovação local. Apoiem candidatos comprometidos com a educação superior e a pesquisa científica.
A história de Juliano Hiroyuki Ito é, antes de tudo, uma história de esperança. Ela nos mostra que, quando investimos na educação pública de qualidade e criamos ambientes propícios à inovação, nossos jovens podem conquistar o mundo. Agora é nossa vez de construir as condições para que essa conquista se torne regra, não exceção.
Alan Zampieri | Advogado e Consultor de Negócios
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