Última atualização em 10/11/2025 por Alan Zampieri
Como alguém que cresceu nesta terra, que viu a cidade conquistar pela quarta vez o título de melhor cidade do Brasil para se viver, posso afirmar: chegou a hora de darmos o próximo passo rumo a uma gestão ainda mais transparente e participativa.
Quando Nossa Voz Vira Política Pública de Verdade
O Orçamento Cidadão 2025 não é apenas mais uma consulta popular – é a materialização de algo que defendo há anos: a democracia não pode acontecer só de quatro em quatro anos. Ela precisa ser viva, pulsante, presente no dia a dia de quem governa e de quem é governado.
A Prefeitura de Maringá, através do Ipplam e da Secretaria da Fazenda, está promovendo uma série de assembleias de planejamento da gestão territorial que começaram no dia 23 de junho e seguem até esta quarta-feira, dia 25. Mas aqui está o detalhe que muita gente não sabe: essas discussões vão subsidiar não apenas o orçamento de 2026, mas todo o Plano Plurianual de 2026 a 2029.
Estamos falando de um orçamento estimado em mais de R$ 3,2 bilhões para 2025, recursos que podem transformar definitivamente a vida dos maringaenses. E o melhor: você não precisa ser especialista em finanças públicas para participar. Precisa apenas ser cidadão e ter vontade de ver nossa cidade evoluir.
Por Que Maringá Está Pronta para Este Salto?
Nossa cidade não chegou ao topo do ranking nacional por acaso. Quando observamos nossos indicadores, fica claro por que somos referência nacional em qualidade de vida.
Indicadores de qualidade de vida que posicionam Maringá como a melhor cidade do Brasil para se viver, segundo ranking 2024 da Macroplan
Lideramos em sete dos quinze indicadores analisados pela consultoria Macroplan: cobertura da atenção básica, menor taxa de mortalidade infantil, taxa de matrículas em pré-escola, atendimento de água, atendimento de esgoto, esgoto tratado e coleta de lixo. Nosso índice geral de 0,765 é o melhor da história da pesquisa.
Mas aqui está o ponto: excelência se constrói com participação. As cidades que conseguem sustentar altos padrões de qualidade de vida são aquelas que ouvem sua população de forma sistemática e organizada.
O DNA da Participação: Lições de Quem Deu Certo
Quando estudamos as experiências de orçamento participativo pelo Brasil, vemos uma trajetória interessante. Porto Alegre, pioneira desde 1989, já envolveu mais de 50 mil pessoas em seus processos participativos. São Paulo conseguiu incorporar 84 propostas populares em sua Lei Orçamentária de 2023. Recife, durante as gestões petistas entre 2001 e 2012, transformou o orçamento participativo no “motor propulsor” da democratização da cidade.
Comparativo do orçamento participativo entre principais cidades brasileiras, destacando o potencial de Maringá no cenário nacional
O que todas essas experiências têm em comum? A compreensão de que políticas públicas eficazes nascem do diálogo entre gestores e população. Não é à toa que o Banco Mundial reconhece a experiência de Porto Alegre como exemplo bem-sucedido de parceria entre governo e sociedade civil.
Aqui em Maringá, temos todas as condições para ir além. Nossa tradição de planejamento urbano, que nos rendeu o conceito de “Cidade Jardim”, pode agora evoluir para um planejamento orçamentário igualmente participativo e sustentável.
Como Você Pode Fazer a Diferença (É Mais Simples do Que Parece)
As assembleias de planejamento da gestão territorial estão acontecendo em cinco regiões da cidade:
- APGT 1: Escola Municipal Odete Ribaroli Gomes de Castro (Zona 05)
- APGT 2: Escola Municipal Toninha Mamprim (Jardim São Francisco)
- APGT 3: Escola Municipal Professora Nadyr Maria Alegretti (Parque das Grevíleas)
- APGT 4: Escola Municipal Oscar Pereira dos Santos (Jardim Industrial)
- APGT 5: Escola Municipal Dr. João Batista Sanches (Jardim Pro-Lar)
Além das assembleias presenciais, você pode participar através do questionário online. O importante é entender que sua proposta não é apenas uma sugestão – ela pode virar projeto de lei, dotação orçamentária, política pública real.
Sustentabilidade e Transparência: Os Pilares do Futuro
Enquanto defensor de um meio ambiente ecologicamente equilibrado e da sustentabilidade, vejo no Orçamento Cidadão uma oportunidade única de integrarmos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) ao nosso planejamento municipal.
Cidades como Fortaleza já desenvolveram metodologias específicas para mapear gastos públicos alinhados aos ODS. São Paulo destinou R$ 539,51 milhões para sua Secretaria do Verde e do Meio Ambiente em 2025. É hora de Maringá fazer esse mesmo movimento, mas com a participação direta dos cidadãos.
A transparência não é apenas um valor democrático – é uma ferramenta de eficiência. Quando a população participa do planejamento orçamentário, os projetos ficam mais direcionados às necessidades reais e os recursos são aplicados com maior efetividade.
Os Desafios Que Precisamos Encarar de Frente
Seria ingenuidade não reconhecer os desafios. A experiência brasileira mostra que orçamento participativo bem-sucedido requer algumas condições: organização da sociedade civil, comprometimento político e equipes técnicas preparadas.
Em Recife, por exemplo, o fim do orçamento participativo após 2012 deixou um vazio na participação popular que até hoje impacta a democratização da cidade. Isso nos ensina que processos participativos precisam ser institucionalizados, não dependendo apenas da vontade política do gestor de plantão.
Aqui em Maringá, temos vantagens competitivas: uma sociedade civil organizada, tradição de planejamento e, agora, um marco legal que pode garantir a continuidade desses processos independentemente de quem esteja no governo.
Nossa Responsabilidade com o Futuro
Conforme instituições como Renova Brasil, Rede de Ação Política pela Sustentabilidade e Fundação FHC, a democracia participativa não é apenas um ideal – é uma necessidade prática em tempos de crise de representatividade.
O Orçamento Cidadão 2025 é nossa chance de mostrar que Maringá pode ser pioneira não apenas em qualidade de vida, mas também em inovação democrática. Inspirando-me em gestores como Ulisses Maia, Eduardo Paes, João Campos e Tábata Amaral e Topazio Neto, acredito que o futuro da política está na construção colaborativa entre governo e sociedade.
Mãos à Obra: Sua Cidade Te Chama
Não deixe essa oportunidade passar. Participe das assembleias, responda ao questionário online, mobilize sua família, seus vizinhos, sua comunidade. Cada proposta bem fundamentada pode virar realidade no orçamento municipal.
Lembre-se: reclamação sem participação é apenas ruído. Participação com proposta é transformação. E a transformação é o que Maringá sempre soube fazer melhor.
Nossa cidade merece um orçamento que seja realmente cidadão. Um orçamento que carregue a cara e o sonho de cada maringaense. Um orçamento que transforme nossa excelência em indicadores sociais em ainda mais qualidade de vida para todos.
A mesa está posta, a conversa começou. Agora é com você, maringaense. Vamos juntos construir a Maringá do futuro?
Alan Zampieri | Advogado e Consultor de Negócios
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