Última atualização em 12/01/2026 por Alan Zampieri
Quem vive em Maringá sabe: quando se fala em Paolicci e Gianoto, não é só história – é um retrato das cicatrizes e aprendizados da nossa cidade.
O que foram os Casos Paolicci e Gianoto?
Para quem chegou há pouco na cidade ou não acompanhou de perto, vale um breve resumo. O Caso Paolicci, nos anos 80, e o Caso Gianoto, nos anos 90, envolveram desvios milionários dos cofres públicos de Maringá. Ambos os episódios colocaram a cidade sob os holofotes nacionais, com investigações conduzidas pelo Ministério Público do Paraná, Tribunal de Contas e cobertura intensa da imprensa local – de nomes como Angelo Rigon a veículos como CBN Maringá e Maringá Post.
Na época, o impacto foi devastador. Não só pelo rombo financeiro, mas pela quebra de confiança entre população e gestores públicos. O sentimento de “dinheiro do povo indo pelo ralo” ainda ecoa nos grupos de WhatsApp, nas rodas de conversa do Mercadão e até nos corredores da Câmara Municipal.
O que mudou desde então?
De lá pra cá, Maringá evoluiu muito em governança e controle social. A implementação de portais da transparência, a atuação firme do Ministério Público e do Tribunal de Contas do Estado do Paraná, além de projetos de lei municipais que reforçam a fiscalização, trouxeram avanços concretos. A Prefeitura de Maringá, por exemplo, ampliou canais de denúncia e criou mecanismos de auditoria interna, inspirando-se em boas práticas de cidades como Curitiba, Recife e Florianópolis.

Contudo, a recuperação efetiva dos valores desviados ainda é um desafio. Segundo dados oficiais, menos de 30% dos recursos foram restituídos aos cofres municipais até o momento, conforme relatórios do TCE-PR e do MPPR. Isso exige não apenas processos judiciais ágeis, mas também uma cultura de gestão pública orientada para resultados e responsabilidade.
Pontos Fortes e Oportunidades
- Transparência e participação: Maringá é referência em portais de transparência e audiências públicas, aproximando o cidadão das decisões.
- Legislação moderna: Projetos como o “Maringá Mais Transparente” e o fortalecimento da Ouvidoria Municipal são exemplos de inovação legislativa.
- Engajamento social: A sociedade civil tem se mostrado ativa, cobrando políticas públicas eficientes e ética na gestão.
Desafios à Vista e Oportunidades de Evolução
- Recuperação lenta: O retorno do dinheiro desviado ainda é aquém do esperado, gerando frustração e desconfiança.
- Burocracia judicial: Processos longos e recursos infindáveis dificultam a efetividade das decisões.
- Risco de novos escândalos: A vigilância precisa ser constante para evitar que erros do passado se repitam.
O que dizem especialistas e exemplos de outras cidades
Capitais como Recife e Florianópolis avançaram em mecanismos de “compliance” e controle social, com resultados positivos na recuperação de ativos e prevenção de desvios. Especialistas em direito público, como a deputada Tábata Amaral e o prefeito João Campos, defendem a integração entre órgãos de controle, sociedade e gestores para garantir eficiência e justiça.
Maringá do Amanhã: Construindo uma Cidade Mais Justa e Transparente
Maringá precisa:
- Aprimorar a legislação municipal, criando instrumentos mais ágeis para bloqueio e repatriação de bens.
- Fortalecer a educação cívica, para que cada maringaense entenda seu papel na fiscalização dos recursos.
- Ampliar o diálogo entre Câmara, Prefeitura e sociedade, promovendo debates públicos sobre gestão e transparência.
- Investir em tecnologia, usando inteligência artificial para cruzamento de dados e detecção de irregularidades.
O que podemos aprender?
Os Casos Paolicci e Gianoto são, acima de tudo, lições de que democracia e transparência não são conquistas definitivas, mas processos contínuos. O dinheiro público pertence ao povo e deve ser tratado com respeito, zelo e responsabilidade. Precisamos de políticas públicas mensuráveis, que entreguem resultados reais para a população – da saúde à educação, da infraestrutura à sustentabilidade.
Alan Zampieri | Advogado e Consultor de Negócios
🔗 Leitura Complementar
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