Última atualização em 16/01/2026 por Alan Zampieri
Entre janeiro e maio de 2023, nossa região registrou 6.092 casos de violência contra mulheres, sendo que Maringá concentrou impressionantes 3.207 casos apenas nos primeiros cinco meses do ano. Para quem ainda não fez as contas: isso representa uma média de 21,2 casos por dia. Vinte e uma mulheres, todos os dias, procurando ajuda em nossa cidade.
O Paradoxo da Conscientização: Avanços e Desafios

Gráfico mostra crescimento preocupante da violência doméstica em Maringá, com aumento de 57,8% entre 2018 e 2024
Como professor universitário e alguém que acompanha de perto as políticas públicas de nossa cidade, preciso reconhecer os avanços significativos que Maringá conquistou.
A Prefeitura de Maringá tem intensificado as ações do Outubro Rosa com uma programação robusta que inclui mutirões de coleta de exames preventivos em 34 Unidades Básicas de Saúde, palestras educativas e atividades de bem-estar como massagens, aromaterapia e auriculoterapia. Essas iniciativas demonstram compreensão de que o cuidado com a mulher deve ser integral e multidisciplinar.
Maringá como Laboratório de Políticas Públicas Eficazes
Nossa cidade desenvolveu uma estrutura exemplar que merece destaque nacional. O Centro de Referência de Atendimento à Mulher Maria Mariá (CRAMMM), a Patrulha Maria da Penha criada em 2017, e a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher formam uma rede que deveria ser modelo para cidades de porte similar.
Mas aqui está o ponto que me incomoda como defensor da boa técnica e gestão em políticas públicas: mesmo com toda essa estrutura, os números continuam subindo. Entre 2018 e 2024, houve crescimento de 57,8% nos casos de violência doméstica registrados. Isso não significa que nossas políticas falharam – pelo contrário, pode indicar que criamos um ambiente onde as mulheres se sentem mais seguras para denunciar.
Outubro Rosa Além do Câncer
O que muitos não percebem é a conexão intrínseca entre o Outubro Rosa e o combate à exploração feminina. Mulheres em situação de violência doméstica têm menor probabilidade de realizar exames preventivos regularmente. O medo, a dependência econômica e o controle exercido pelo agressor criam barreiras que vão muito além do acesso ao sistema de saúde.
Lições de Outras Cidades: O que Podemos Aprender
Cidades como Recife, com João Campos à frente, desenvolveram programas integrados que conectam saúde da mulher com proteção social. Florianópolis, sob gestão de Topázio Neto, criou redes intersetoriais que tratam simultaneamente prevenção oncológica e violência doméstica. São Paulo implementou carretas móveis que levam tanto exames de mamografia quanto orientação jurídica para mulheres em situação de risco.
O Fenômeno Digital da Exploração: Novos Desafios
Precisamos falar sobre algo que está crescendo silenciosamente em nossa região: o revenge porn e a exploração digital de mulheres. A Lei 13.718/2018 criminalizou essas práticas, estabelecendo penas de 1 a 5 anos de reclusão para quem divulga imagens íntimas sem consentimento. Mas a aplicação dessa legislação em âmbito municipal ainda é insuficiente.
Os Números Que Não Podemos Ignorar
O Paraná registra uma mulher vítima de violência a cada dois minutos. Em Maringá, nossa realidade específica mostra que a região norte concentra os maiores índices, com o Jardim Alvorada liderando com 69 medidas protetivas expedidas, seguido pelo Conjunto Requião com 43 casos.
Maringá na Vanguarda: Oportunidades e Ameaças
Nossa cidade tem todas as condições para se tornar referência nacional em políticas integradas. Contamos com o Hospital Universitário da UEM como centro de excelência, estrutura municipal robusta e tradição em inovação em políticas públicas. A chegada da Casa da Mulher Brasileira consolidará nossa posição como polo regional de proteção feminina.
Mobilização: O Papel de Cada Maringaense
Como cidadão e profissional comprometido com nossa cidade, faço um chamado direto: não podemos tratar Outubro Rosa como campanha temporária. Precisamos de engajamento permanente de nossa sociedade civil, empresariado consciente e lideranças comunitárias.
Convoco os maringaenses a se mobilizarem por políticas públicas que tratem simultaneamente prevenção oncológica e combate à exploração feminina. Nossas mulheres merecem mais que campanhas sazonais – merecem proteção integral, digna e eficaz.
Não se trata de ideologia política, mas de eficiência em políticas públicas. Quando integramos ações, otimizamos recursos, ampliamos alcance e salvamos mais vidas. É assim que construímos uma Maringá verdadeiramente sustentável e justa para todas as mulheres.
Alan Zampieri | Advogado e Consultor de Negócios
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