Última atualização em 16/01/2026 por Alan Zampieri
O Modelo que Vem Dando Certo: Lições do Poupatempo São Paulo
Mas o que mais chama atenção é a aprovação. Com índice de satisfação de 98,7% entre os usuários, o Poupatempo de São Paulo demonstra que é possível, sim, prestar serviço público de qualidade. E não para por aí: em 2024, o programa gerou economia de R$ 228 milhões aos cofres públicos, mesmo com a ampliação da rede.

Comparativo de Atendimentos: Programas de Centralização de Serviços no Brasil
Eficiência Além das Estatísticas
Vamos aos fatos concretos. O Poupatempo não é apenas sobre comodidade – é sobre eficiência econômica. Em São Paulo, o programa ampliou em 1.300% a oferta de serviços digitais nos últimos dois anos, reduzindo pela metade o tempo médio de espera dos usuários (de 13 para 6 minutos) e diminuindo o tempo de atendimento de 12 para 7 minutos.
No Paraná, a expectativa é igualmente promissora. Com funcionamento de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, cada unidade será equipada com estrutura padronizada e acessível, incluindo áreas de espera, atendimento e estacionamento. Mais que isso: a plataforma digital oferecerá três modalidades de acesso – serviços totalmente online, digitais com auxílio por videochamada e híbridos.
Aqui está uma questão que sempre defendo: tecnologia sem inclusão é privilégio, não direito. O Poupatempo Paraná pensou nisso ao oferecer atendimento por videochamada para quem tem dificuldades com tecnologia. É gestão pública que não deixa ninguém para trás.
O Lado Inesperado: Quando Resolver Documentos Vira Caso de Polícia
Um aspecto fascinante e pouco divulgado do Poupatempo é seu papel involuntário no combate ao crime. Em São Paulo, as unidades se tornaram verdadeiras “armadilhas” para foragidos da justiça. Dados revelam que, mensalmente, cerca de 15 pessoas procuradas pela justiça são capturadas em cada posto ao tentarem obter documentos.
Os casos são diversos e impressionantes. Em julho de 2025, um homem procurado por homicídio foi preso ao tentar retirar novo RG no Poupatempo da Rua do Curtume, em São Paulo. Em janeiro, outro foragido foi capturado por esquartejamento ao solicitar segunda via de documento em Itaquera.
Funciona assim: o Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton Daunt cruza dados de quem utiliza os serviços com bancos nacionais de procurados, incluindo análise biométrica que identifica documentos falsos. É segurança pública funcionando em sinergia com prestação de serviços.
Para Maringá e região, isso significa que o Poupatempo será também uma ferramenta adicional de combate à criminalidade. Não é o objetivo principal, mas é consequência natural quando se integram sistemas e se moderniza o Estado.
O que Outros Estados nos Ensinam
O Paraná não está reinventando a roda – está aprendendo com experiências bem-sucedidas. O pioneirismo coube à Bahia, que em 1995 criou o SAC (Serviço de Atendimento ao Cidadão), inspiração direta para o Poupatempo paulista dois anos depois. Com 79 unidades e mais de 210 milhões de atendimentos desde sua criação, o SAC baiano chegou a ser reconhecido pela ONU como “modelo internacional de excelência em administração pública”.
No Distrito Federal, o “Na Hora” funciona desde 2001 e em 2025 já ultrapassou 1 milhão de atendimentos, com média superior a 7 mil atendimentos diários. Em Minas Gerais, as UAIs (Unidades de Atendimento Integrado) inovaram ao incluir “Praças Digitais” com Wi-Fi gratuito, promovendo inclusão digital.
Cada estado encontrou sua identidade dentro do modelo. O Paraná, com o Poupatempo, soma o melhor dessas experiências: a abrangência paulista, a pioneirismo baiano, a inovação mineira e a eficiência brasiliense.
Transparência e Governança: Pilares que Sustentam a Modernização
A experiência de outros estados nos mostra que centralizar serviços é apenas o primeiro passo. O verdadeiro ganho está na transparência que sistemas integrados proporcionam. Quando dados fluem entre diferentes órgãos, quando processos são rastreáveis e quando o cidadão consegue acompanhar em tempo real o andamento de suas solicitações, temos não apenas eficiência – temos democracia funcionando.
O Custo da Eficiência: Investimento que se Paga
Falar em economia de R$ 2 bilhões pode soar como promessa eleitoreira, mas os dados de São Paulo confirmam a viabilidade. A economia de R$ 228 milhões em 2024 se dividiu entre prevenção de despesas futuras (50,7%) e redução de custos operacionais (49,3%).
Como isso acontece? Redução de estruturas físicas duplicadas, otimização de recursos humanos, diminuição de gastos com papel e insumos, menor necessidade de deslocamentos pelos servidores, integração de sistemas que elimina retrabalho. É gestão moderna aplicada ao setor público.
Para Maringá, os benefícios vão além do econômico. Uma cidade que oferece serviços públicos de qualidade atrai investimentos, retém talentos e melhora indicadores de desenvolvimento humano. É competitividade territorial no melhor sentido.
O Futuro Chegou ao Paraná
O Poupatempo Paraná não é apenas mais um programa de governo. É sintoma de uma mudança de mentalidade: do Estado que existe para si mesmo para o Estado que existe para servir. É a concretização de que é possível, sim, prestar serviço público com qualidade, eficiência e dignidade.
Para Maringá, representa oportunidade única de consolidar-se como referência em gestão pública moderna. A cidade que foi planejada para o futuro agora ganha ferramentas para construí-lo.
Mas nada disso acontece automaticamente. Demanda acompanhamento, cobrança, participação. O sucesso do Poupatempo depende não apenas da boa vontade do governo, mas do envolvimento ativo da sociedade civil.
Seja Parte da Transformação
Este é o momento de nos organizarmos como sociedade para garantir que o Poupatempo Paraná seja implementado com excelência em Maringá. Proponho três ações concretas:
Primeira: Acompanhamento cidadão da implantação. Criemos um observatório civil para monitorar cronogramas, cobrar transparência nos processos e sugerir melhorias. A participação popular é antídoto contra a mediocridade.
Segunda: Articulação com entidades representativas. OAB, sindicatos, associações empresariais e movimentos sociais devem se envolver desde o início, garantindo que os serviços atendam às reais necessidades da população.
Terceira: Proposição de inovações locais. Como o Poupatempo Móvel Universitário, outras ideias podem surgir da criatividade maringaense. O importante é pensarmos além do mínimo obrigatório.
O Poupatempo Paraná é mais que política pública – é oportunidade histórica de provarmos que podemos ter, sim, Estado eficiente e cidadania plena. Que Maringá seja protagonista dessa transformação.
Afinal, como sempre digo: não se muda uma cidade apenas no dia das Eleições. Muda-se com participação, vigilância e proposição constante. O Poupatempo nos dá essa chance. Não a desperdicemos.
Alan Zampieri | Advogado e Consultor de Negócios
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