Última atualização em 12/01/2026 por Alan Zampieri
O Passado que Não Devemos Repetir
O zoológico do Parque do Ingá foi desativado em 2007, e não foi por acaso. Na época, o próprio IBAMA determinou a transferência de cerca de 190 animais porque as condições eram inadequadas tanto para os bichos quanto para os visitantes. Imaginem só: os leões viviam em um espaço de apenas 36 metros quadrados – isso é menor que muitos apartamentos em Maringá!
A situação era tão crítica que, mesmo após reformas que retiraram o piso de concreto e colocaram terra para deixar mais próximo ao habitat natural, o quadro de estresse animal continuou. Para melhorar as condições, seria necessário derrubar árvores nativas, o que caracteriza crime ambiental. Ou seja, era um dilema sem solução viável.
A Conta que Não Fecha
Agora, vamos falar de números, porque política séria se faz com transparência financeira. Se fosse reativado hoje, o zoológico custaria aproximadamente R$ 100 mil por mês aos cofres municipais. Para vocês terem uma ideia, isso é mais que o salário anual de três professores da rede municipal!
O investimento inicial seria ainda mais assustador: entre R$ 5 e 8 milhões para adequar às normas atuais do IBAMA. E vejam o contexto: nossa Prefeitura teve que contingenciar R$ 80 milhões do orçamento só no primeiro quadrimestre de 2025. Nossa capacidade de investimento com recursos próprios é de apenas 1%.
Como justificar esse gasto quando temos escolas precisando de reforma, postos de saúde com carências e tantas outras prioridades básicas?
O Mundo Mudou, e Maringá Deve Acompanhar

O mundo evoluiu muito desde 2007. Hoje, até o Beto Carrero World, que manteve um zoológico por 32 anos, decidiu fechar o seu em 2024. A justificativa foi clara: “os animais precisam de um ambiente mais próximo ao seu habitat natural”.
A tendência global é clara: zoológicos tradicionais estão sendo substituídos por santuários ecológicos, centros de reabilitação e programas de educação ambiental mais eficazes. Maringá, que sempre foi pioneira e referência regional, não pode andar para trás nesse processo.

Análise custo-benefício de alternativas para educação ambiental
Alternativas Inteligentes que Já Funcionam
Aqui em Maringá, já temos alternativas muito mais eficientes funcionando no próprio Parque do Ingá. As trilhas interpretativas, por exemplo, custam apenas R$ 15 mil por mês e atendem cerca de mil visitantes mensalmente. Compare com os R$ 100 mil que custaria o zoológico!
Essas trilhas conectam nossa população com a natureza de forma muito mais educativa. Como explica o secretário Marco Antonio Azevedo: “O parque se torna um laboratório vivo, proporcionando oportunidades de aprender sobre atividades ambientais e a história do parque”.
Outra alternativa seria investir em um Centro de Reabilitação de Fauna Silvestre (CETAS), em parceria com a UEM. Custaria apenas R$ 30 mil mensais, teria função social comprovada e ainda geraria pesquisa científica para nossa universidade.
A Oportunidade Perdida com o Japão
Em junho deste ano, recebemos a visita da princesa Kako do Japão, em uma missão diplomática para celebrar os 130 anos de relações Brasil-Japão. Ela visitou Maringá especificamente por causa da nossa histórica parceria com Kakogawa, nossa cidade-irmã há 53 anos.
Imaginem que oportunidade única tivemos de mostrar para ela um Jardim Japonês revitalizado e em pleno funcionamento! Mas perdemos essa chance de ouro. O jardim está sendo reformado agora, quando poderia ter sido um cartão de visitas espetacular para fortalecer ainda mais nossos laços culturais e econômicos com o Japão.
O Jardim Japonês, aliás, representa muito mais que um espaço paisagístico. É símbolo vivo da maior parceria internacional de Maringá. Com um investimento de apenas R$ 25 mil mensais, ele poderia atrair muito mais turistas que um zoológico, especialmente considerando o crescente interesse pelo turismo cultural e sustentável.
Questões Constitucionais e Jurídicas
Enquanto advogado, é necessário destacar algo sério: requerimentos como esse geram custos ao município. Cada proposta movimenta a máquina pública, consome tempo de servidores e recursos que poderiam estar sendo usados em questões realmente prioritárias.
O Supremo Tribunal Federal reafirmou recentemente que os Tribunais de Contas podem punir prefeitos por despesas injustificadas. A Lei de Responsabilidade Fiscal exige demonstração clara de interesse público relevante para investimentos dessa magnitude.
Como justificar R$ 100 mil mensais em um zoológico quando a própria tendência mundial é pelo fechamento dessas instituições em favor de alternativas mais modernas e eficazes?
O Caminho do Bem-Estar Animal
Maringá tem tudo para ser referência nacional em políticas progressistas de bem-estar animal. Em vez de confinar animais em espaços limitados, podemos liderar iniciativas de conservação in situ, programas de educação ambiental e parcerias com centros de pesquisa.
O Estado de São Paulo já desenvolve pesquisas inovadoras sobre bem-estar animal com foco na saúde pública. Por que não seguirmos esse exemplo e criarmos programas que realmente façam diferença para a conservação da fauna silvestre?
Maringá do Futuro
Em vez de olhar para trás, proponho que Maringá olhe para frente. Vamos investir na revitalização completa do Jardim Japonês, expandir as trilhas interpretativas e criar um centro de referência em educação ambiental.
Esses investimentos custariam juntos menos da metade do que gastaria um zoológico, mas teriam impacto educacional muito maior e estariam alinhados com as melhores práticas internacionais de conservação.
Imaginem o orgulho que seria mostrar para futuras delegações japonesas um jardim que honre verdadeiramente nossa parceria histórica, ou receber pesquisadores internacionais em um centro de reabilitação de fauna de excelência na UEM!
O requerimento para reativar o zoológico representa tudo aquilo que devemos evitar: gasto público elevado, retrocesso em políticas de bem-estar animal e perda de oportunidades estratégicas.
Maringá tem potencial para ser referência nacional em sustentabilidade e conservação ambiental. Temos o Parque do Ingá, que é patrimônio natural de valor inestimável. Temos parceria histórica com o Japão, que nos coloca em posição privilegiada no cenário internacional. Temos a UEM, que pode ser nossa parceira em pesquisa e inovação.
Maringá merece mais. E nós podemos entregar isso.
Alan Zampieri | Advogado e Consultor de Negócios
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