Última atualização em 12/01/2026 por Alan Zampieri
Números que Não Mentem
Os dados epidemiológicos compilados pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) pintam um quadro preocupante para 2025 . Desde o início do ano, o Paraná registrou 10.038 casos de Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAG) com 469 óbitos, representando um aumento de 13% nos casos comparado ao mesmo período de 2024. Paradoxalmente, observamos uma redução de 23% nos óbitos, sinalizando que, apesar do maior volume de casos, a qualidade do atendimento tem se mantido ou até melhorado em alguns aspectos.
Comparativo de casos de SRAG nas principais regionais de saúde do Paraná entre 2024 e 2025
O Laboratório Central do Estado (Lacen/PR) processou o maior número de exames em um único mês desde 2023: impressionantes 3.769 exames em maio, representando 63% a mais que a média histórica de 2,3 mil exames mensais. Entre as amostras analisadas, o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e a Influenza predominam, somando 51,52% dos casos identificados.
A Distribuição Regional
A análise por regionais de saúde revela disparidades significativas que merecem atenção especial. Enquanto algumas regiões como Curitiba apresentaram redução de 8,6% nos casos de SRAG, outras como Apucarana explodiram com aumento de 400%.
Nossa Maringá, representada pela 15ª Regional de Saúde, registrou 644 casos em 2025 contra 688 em 2024, uma redução de 6,4% que, embora positiva, ainda mantém números preocupantes.
Evolução dos casos de SRAG e óbitos em Maringá entre 2024 e 2025
Nossa Realidade Local: Os Números da 15ª Regional de Saúde
Como maringaense que vive e respira esta cidade, sei que precisamos olhar com lupa para nossa realidade local 3. A 15ª Regional de Saúde, que abrange 29 municípios e uma população estimada em 820 mil habitantes, registrou 39 óbitos por SRAG tanto em 2024 quanto em 2025, mantendo uma estabilidade que, embora trágica pela perda de vidas, indica controle na letalidade.
Contudo, os 644 casos registrados até a Semana Epidemiológica 22 ainda representam um desafio significativo para nossa rede de atendimento.
A situação se torna ainda mais complexa quando analisamos que Maringá precisa de mais R$ 47 milhões para “fechar o caixa” da Saúde em 2025. Embora o orçamento da pasta tenha sido pactuado em R$ 793 milhões, o custeio total dos serviços demanda mais de R$ 840 milhões. Esta lacuna orçamentária representa não apenas um desafio administrativo, mas uma ameaça real à qualidade dos serviços oferecidos à população.
O Impacto na Força de Trabalho
O credenciamento aberto pela Prefeitura de Maringá para contratação de 40 médicos plantonistas evidencia a carência de profissionais em nossa rede. Os médicos receberão R$ 129,66 por hora trabalhada, com até 19.400 horas médicas disponíveis mensalmente, totalizando 232.800 horas anuais. Além disso, está previsto um Processo Seletivo Simplificado para 230 novos profissionais da Atenção Básica, incluindo 49 médicos, 15 enfermeiros e 144 agentes comunitários de saúde.
Investimento ou Insuficiência? Os Números do Estado
O orçamento paranaense para 2025 destina R$ 9,3 bilhões para a Saúde, representando um crescimento de 17,4% em relação ao ano anterior. Este valor situa a Saúde como a segunda maior pasta em investimentos, atrás apenas da Educação, que recebe R$ 18,6 bilhões. Para contextualizar a magnitude destes números: a Saúde recebe mais recursos que Segurança Pública (R$ 6,4 bilhões), Ciência e Tecnologia (R$ 4,3 bilhões) e Infraestrutura (R$ 1,86 bilhão) juntos.
Distribuição do orçamento do Paraná 2025 por setor (R$ 78,7 bilhões total)
No âmbito estadual, os investimentos específicos em saúde para 2025 superam R$ 1,1 bilhão, com destaque para a Atenção Básica (R$ 570 milhões) e Assistência Hospitalar Ambulatorial (R$ 281 milhões). Estes recursos permitirão a continuidade da construção de 14 Ambulatórios Médicos de Especialidades, Pronto Atendimentos Municipais (PAM) e Unidades Mistas de Saúde (UMS).
A Realidade Federal: PAC Saúde 2025
O investimento federal através do PAC Saúde 2025 destina R$ 5,8 bilhões para construção de 945 novas unidades de saúde e aquisição de 18,9 mil equipamentos para UBSs. O Paraná pode apresentar até quatro propostas para construção de Policlínicas, enquanto 124 municípios paranaenses têm possibilidade de encaminhar propostas para Centros de Atenção Psicossocial.
O Inverno Chegando: A Tempestade Perfeita
O inverno de 2025 no Paraná promete ser mais rigoroso que nos últimos dois anos, segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar). Esta previsão ganha contornos dramáticos quando correlacionamos com os dados históricos: em 2024, de janeiro a abril, 9.950 pessoas foram internadas no Paraná para tratamento de pneumonia ou influenza, uma média de 82 internamentos por dia, resultando em 1.521 óbitos.
A “etiqueta respiratória” recomendada pela Sesa inclui utilização de máscaras cirúrgicas, higienização constante das mãos, descarte adequado de lenços de papel e manutenção de ambientes arejados. Estas medidas, aparentemente simples, tornam-se cruciais quando consideramos que junho e julho são os meses mais intensos em relação ao frio, diminuindo a imunidade das pessoas e aumentando exponencialmente os riscos.
A Resposta Emergencial: Novos Leitos
A Sesa autorizou a abertura de 58 novos leitos para atender a crescente demanda relacionada a casos de SRAG 1. As unidades estão distribuídas estrategicamente: 20 leitos pediátricos no Hospital Infantil Waldemar Monastier (HIWM) em Campo Largo, 13 leitos no Hospital do Coração Bom Jesus em Ponta Grossa e 25 leitos pediátricos no Hospital Madre de Dio em São Miguel do Iguaçu.
Linha de Frente da Prevenção: A Estratégia Nacional
A vacinação contra a gripe representa nossa principal arma preventiva contra o agravamento do cenário. Diferentemente dos anos anteriores, a imunização contra a gripe será mantida ao longo de todo o ano, buscando garantir maior cobertura vacinal e proteção contínua da população. O imunizante trivalente disponibilizado pelo SUS protege contra três tipos do vírus Influenza, incluindo a cepa H1N1.
Em Maringá, a campanha está disponível em 34 Unidades Básicas de Saúde (UBSs), incluindo os distritos de Floriano e Iguatemi. O público-alvo prioritário inclui crianças de 6 meses a menores de 6 anos, idosos com 60 anos ou mais, gestantes, trabalhadores da saúde, professores e pessoas com comorbidades.
Os Números da Cobertura
O Vacinômetro Nacional mostra que o Paraná aplicou 2.336.173 vacinas contra Influenza, mas apenas 40,80% do grupo prioritário de gestantes, crianças e idosos procurou pela imunização. A meta do Ministério da Saúde é atingir 90% de cada grupo prioritário, evidenciando uma lacuna preocupante de quase 50% na cobertura.
Benchmarking: Aprendendo com Outras Experiências
São Paulo: O Estado de São Paulo desenvolveu o aplicativo SP Mulher Segura, que, embora focado na proteção feminina, demonstra como a tecnologia pode ser aplicada na saúde pública 13. O Protocolo Não Se Cale capacitou 82.423 profissionais de bares, restaurantes e casas noturnas, mostrando como a capacitação massiva pode multiplicar a efetividade das políticas públicas.
Florianópolis: Capital brasileira mais bem avaliada no quesito “Atenção à Saúde Primária”, segundo o Ministério da Saúde . 89,4% das equipes de “Saúde da Família” do município tiveram avaliação acima da média ou muito acima da média. Com o resultado, Florianópolis receberá o dobro da verba repassada pelo Ministério da Saúde para a Atenção Primária.
Porto Alegre: A crise na saúde da Região Metropolitana de Porto Alegre serve como alerta sobre os riscos da falta de coordenação regional. Atualmente, mais de 50% das internações hospitalares na capital gaúcha são do interior, sobrecarregando a rede de assistência. Esta situação espelha riscos que Maringá pode enfrentar se não fortalecermos nossa capacidade regional de atendimento.
Propostas Concretas para Maringá
Fortalecimento da Atenção Primária
Inspirado no modelo de Florianópolis, proponho a criação de um programa municipal de qualificação das equipes de Saúde da Família em Maringá. O investimento na atenção primária reduz a pressão sobre hospitais e pronto-atendimentos, otimizando recursos e melhorando resultados.
Integração Regional
A 15ª Regional de Saúde precisa de um sistema integrado de regulação de leitos que permita visualizar em tempo real a disponibilidade em todos os 29 municípios. Esta integração evitaria o fenômeno observado em Porto Alegre, onde a falta de interoperabilidade dos sistemas compromete a eficiência da regulação.
Tecnologia a Serviço da Saúde
Proponho a criação de um aplicativo “Maringá Saúde” que permita acompanhamento em tempo real da ocupação de leitos, agendamento de consultas e monitoramento de campanhas de vacinação. A tecnologia pode democratizar o acesso à informação e otimizar a utilização dos recursos disponíveis.
O Complexo Econômico-Industrial da Saúde
O Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Ceis) representa o maior volume de investimentos públicos e privados da última década, com R$ 57,4 bilhões previstos até 2026. Este programa pode beneficiar diretamente o Paraná através da atração de indústrias farmacêuticas e de equipamentos médicos, gerando emprego, renda e reduzindo a dependência de importações.
A reconstrução do Ceis tem potencial para mobilizar R$ 30 bilhões anuais em parcerias público-privadas, fortalecendo a confiança do setor e garantindo uma saúde pública mais robusta e eficiente. Para Maringá, isso representa oportunidades de atração de investimentos em biotecnologia e inovação em saúde.
Colapso ou Transformação? As oportunidades na Crise
Toda crise carrega em si oportunidades de transformação. O aumento de 13% nos casos de SRAG, paradoxalmente acompanhado de redução de 23% nos óbitos, indica que nossos profissionais estão salvando mais vidas proporcionalmente. Este dado sugere que o “colapso” não é inevitável, mas sim um risco que pode ser mitigado com planejamento adequado e execução eficiente.
O Futuro da Saúde Paranaense Está em Nossas Mãos
O inverno que se aproxima representa nosso maior teste. As previsões de temperaturas mais baixas, combinadas com a circulação intensificada de vírus respiratórios, exigirão o máximo de nossa capacidade de resposta. A campanha de vacinação gratuita pelo SUS é nossa primeira linha de defesa, mas só será efetiva se alcançarmos a meta de 90% de cobertura nos grupos prioritários.
A saúde dos paranaenses não é moeda de troca política: é compromisso civilizatório que transcende partidos e ideologias. Cabe a todos nós – gestores públicos, profissionais de saúde, sociedade civil e cidadãos – transformar este momento de crise em oportunidade de construção de um sistema mais resiliente, eficiente e humano. O colapso não é destino: é escolha que podemos evitar com coragem, planejamento e ação coordenada.
O Paraná tem recursos, tem profissionais competentes e tem uma população que merece o melhor. Agora precisamos ter a sabedoria de transformar desafios em soluções e números em vidas salvas. Este é meu compromisso como maringaense, como candidato e como cidadão que acredita na força transformadora da política quando exercida com ética, transparência e foco nos resultados.
Alan Zampieri | Advogado e Consultor de Negócios
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