Última atualização em 16/01/2026 por Alan Zampieri
Aqui está mais uma daquelas iniciativas que fazem a gente se orgulhar de ser maringaense e, sobretudo, de ver nossa advocacia trabalhando “na prática” pela sociedade. A Semana da Advocacia Participativa da OAB Maringá não é apenas mais um evento institucional – é um verdadeiro movimento de transformação social que coloca o direito onde ele deveria estar: ao alcance de quem mais precisa.
Quando olhamos para essa terceira edição, que acontecerá de 11 a 15 de agosto, vemos claramente o amadurecimento de uma política pública local que começou modesta em 2022 e hoje se tornou referência nacional. Não é à toa que outros municípios da região, como Paiçandu, já aprovaram legislação para receber o projeto. É assim que as boas ideias se espalham – de cidade em cidade, transformando realidades.
Evolução da Semana da Advocacia Participativa da OAB Maringá: crescimento no número de orientações jurídicas e advogados voluntários (2022-2025)
O Terminal Urbano: Palco da Cidadania Maringaense
A escolha do Terminal Urbano como epicentro das ações não foi casual – foi estratégica. Com mais de 30 mil pessoas circulando diariamente pelo local, o espaço se transforma numa verdadeira “praça da justiça” nos dias 12 e 13 de agosto, das 9h às 19h. Ali, onde maringaenses de todos os cantos da cidade se encontram em suas rotinas, a advocacia vai ao encontro da população de forma natural e acessível.
Essa proximidade geográfica é fundamental quando falamos de acesso à justiça. Não adianta ter o melhor serviço jurídico do mundo se ele está distante da realidade das pessoas que mais precisam. O Terminal Urbano conecta literalmente a advocacia aos bairros periféricos, às zonas de maior vulnerabilidade social, àqueles que enfrentam dificuldades para chegar até um escritório no centro da cidade.
Mais que Orientação: Uma Rede de Proteção Social
O diferencial da iniciativa maringaense não está apenas nos números impressionantes – mais de 1.000 orientações na edição anterior e expectativa de superá-los em 2025 – mas na qualidade e amplitude do atendimento oferecido. São mais de 60 comissões temáticas envolvidas, cobrindo desde direito previdenciário e de família até áreas especializadas como direito dos migrantes e da pessoa com deficiência.
Distribuição das áreas de atendimento jurídico na Semana da Advocacia Participativa da OAB Maringá
Essa diversidade reflete uma visão moderna de advocacia social, que compreende as múltiplas vulnerabilidades da sociedade contemporânea. Quando uma pessoa idosa recebe orientação sobre possíveis fraudes em seu benefício do INSS, ou quando uma família de migrantes venezuelanos é acolhida e orientada sobre seus direitos, estamos vendo o direito cumprir sua função social mais nobre.
A iniciativa se destaca também pelo caráter pedagógico, permitindo que estudantes de direito vivenciem a prática advocatícia em contexto social real. É uma formação que vai além dos códigos e doutrinas – é educação jurídica com propósito social, preparando uma nova geração de profissionais mais conscientes de seu papel na sociedade.
Inspiração Nacional: Aprendendo com Outras Experiências
Quando analisamos iniciativas similares pelo Brasil, percebemos que Maringá está no caminho certo, mas pode ir além. O Mutirão PopRuaJud no Rio de Janeiro, por exemplo, oferece não apenas orientação jurídica, mas também serviços integrados como alimentação, corte de cabelo e assistência à saúde. O programa Meu Pai Tem Nome, da Defensoria Pública de São Paulo, mostrou como ações focalizadas podem ter alto impacto social.
Em São Paulo, o Pop Rua Jud Sampa atendeu populações em situação de rua com documentação, cadastros sociais e orientação jurídica integrada. A TamoJuntas, organização que surgiu nas redes sociais, demonstra como a advocacia voluntária pode se articular de forma inovadora para atender mulheres vítimas de violência.
Esses exemplos nos mostram possibilidades de expansão e aprimoramento. Imaginem uma Semana da Advocacia Participativa que, além da orientação jurídica, oferecesse emissão de documentos, cadastramento em programas sociais, atendimento multidisciplinar com psicólogos e assistentes sociais. Não seria apenas orientação jurídica – seria uma verdadeira Central de Cidadania.
Uma Proposta Inédita para Maringá: Centro Permanente de Advocacia Social
Baseado na análise das experiências nacionais e na consolidação da Semana da Advocacia Participativa, proponho a criação do Centro Permanente de Advocacia Social de Maringá – um espaço físico que funcionaria durante todo o ano, não apenas na semana de agosto.
Este centro seria instalado estrategicamente no Terminal Urbano, aproveitando a infraestrutura já existente e o fluxo constante de pessoas. Funcionaria com plantões semanais de advogados voluntários, parcerias com universidades para estágios supervisionados e conexão direta com órgãos públicos municipais e estaduais para encaminhamentos imediatos.
A proposta incluiria três eixos integrados: orientação jurídica gratuita (continuidade natural da Semana da Advocacia Participativa), mediação comunitária (resolução de conflitos sem judicialização) e educação em direitos (palestras mensais em bairros e escolas sobre temas jurídicos básicos).
O projeto seria financiado através de parceria entre OAB Maringá, Prefeitura Municipal e iniciativa privada local, seguindo modelos de responsabilidade social empresarial já consolidados. A gestão seria compartilhada, garantindo a sustentabilidade financeira e institucional.
A Liderança que Faz a Diferença
Sob a presidência de Pedro Henrique Souza, a OAB Maringá tem demonstrado uma visão estratégica de aproximação entre advocacia e sociedade. Sua experiência de quase duas décadas na instituição e o compromisso com a inclusão de toda a advocacia se refletem na ampliação e qualificação de iniciativas como a Semana da Advocacia Participativa.
O presidente tem razão quando afirma que “a advocacia vai ao encontro da sociedade, levando acolhimento, informação e transformação social”. Mas vai além: está construindo um modelo de advocacia que outras cidades já querem replicar, consolidando Maringá como referência em advocacia social no Paraná e no Brasil.
Desafios e Oportunidades
Evidentemente, iniciativas dessa magnitude enfrentam desafios. A demanda sempre supera a oferta – são milhares de pessoas que necessitam de orientação jurídica e apenas alguns dias de atendimento. A articulação logística de mais de 500 voluntários e 60 comissões exige coordenação exemplar. E há sempre o risco de casos que demandam acompanhamento mais prolongado do que uma orientação pontual pode oferecer.
Por outro lado, as oportunidades são ainda maiores. A Semana da Advocacia Participativa pode se tornar uma política pública modelo, replicável em outras cidades e exportável para outros estados. Pode evoluir para um programa permanente de advocacia social. E pode inspirar uma nova geração de advogados mais conscientes de seu papel social.
O Futuro da Advocacia Maringaense
O que vemos acontecer em Maringá nos dias 12 e 13 de agosto não é apenas um mutirão jurídico – é um laboratório de inovação em acesso à justiça. É a demonstração prática de que a advocacia pode ser instrumento de transformação social quando se aproxima da população com propósito claro e organização eficiente.
A consolidação da Semana da Advocacia Participativa como lei municipal garante sua perenidade, mas a verdadeira garantia de continuidade está no reconhecimento da sociedade maringaense de que essa é uma iniciativa que funciona, que transforma vidas e que merece ser apoiada e expandida.
A Semana da Advocacia Participativa precisa do apoio de toda a sociedade maringaense. Se você é advogado, considere participar como voluntário nas próximas edições. Se é empresário, avalie como sua empresa pode apoiar iniciativas de responsabilidade social jurídica. Se é cidadão, divulgue a iniciativa para quem precisa e valorize essa política pública local que nos orgulha.
Nos dias 12 e 13 de agosto, procure o piso superior do Terminal Urbano e conheça de perto o que é uma advocacia comprometida com a transformação social. Porque uma cidade que cuida de seus cidadãos através do direito é uma cidade que constrói um futuro mais justo para todos.
Não é apenas sobre direito – é sobre dignidade humana, cidadania plena e a construção de uma Maringá mais justa e solidária. E isso, meus caros maringaenses, é motivo de muito orgulho.
Alan Zampieri | Advogado e Consultor de Negócios
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