Última atualização em 12/01/2026 por Alan Zampieri
Quando?
O alerta é para agora. Dados recentes do Detran-PR mostram que Maringá já soma 355.630 veículos registrados para uma população de 425.983 habitantes, ou seja, quase um carro por morador. Em 2023, a cidade ganhou mais de 10 mil veículos, o que equivale a um novo veículo a cada 49 minutos.
O quê?
Esse crescimento acelerado da frota tem impactos diretos: congestionamentos, aumento de acidentes e pressão sobre a infraestrutura viária. Só em 2024 foram mais de 7,7 mil acidentes, com 1.756 pessoas feridas e 18 mortes. Em fevereiro de 2025, foram 580 ocorrências, média de 21 por dia.
Quem?
A questão afeta toda a população maringaense, especialmente trabalhadores, estudantes, profissionais liberais e servidores públicos que dependem da mobilidade para suas atividades diárias.
Onde?
Os pontos mais críticos, segundo o Detran-PR, são as avenidas Colombo, Brasil, São Paulo, Horácio Racanello Filho e Pedro Taques. Nessas vias, o excesso de carros já compromete a fluidez e a segurança.
Como?
A cidade investiu em sincronização semafórica e mudanças de sentido em vias para tentar melhorar o fluxo, mas essas medidas têm efeito limitado diante do crescimento da frota. O transporte coletivo enfrenta desafios como tempo de espera elevado, pontos de ônibus deteriorados e falta de integração tarifária.
Por quê?
O modelo de desenvolvimento urbano priorizou por décadas o automóvel, em detrimento de alternativas sustentáveis. Isso não é exclusividade de Maringá, mas um reflexo de políticas nacionais que agora cobram seu preço.
Quanto?
O impacto é sentido no bolso do cidadão, com perda de tempo, aumento de custos com combustível, manutenção e saúde, além de prejuízos ambientais.
O Risco Real de Colapso
Com quase um veículo por habitante, Maringá está sim sob risco de colapso viário. O crescimento da frota supera o ritmo de expansão da infraestrutura urbana, resultando em congestionamentos, acidentes e queda na qualidade de vida. O modelo atual é insustentável.
Há Saída – Exemplos Nacionais e Internacionais
Cidades de porte semelhante e capitais brasileiras já enfrentaram dilemas parecidos e encontraram soluções inovadoras:
- Curitiba: Pioneira no BRT, priorizou o transporte coletivo e hoje é referência mundial em mobilidade sustentável.
- Fortaleza: Expandiu ciclovias, criou faixas exclusivas para ônibus e sistemas de bicicletas compartilhadas, reduzindo mortes no trânsito e promovendo alternativas ao carro.
- São Paulo: Integração de transporte público, ciclovias e faixas para motociclistas melhoraram a fluidez e segurança.
- Caruaru: Transformou antigas linhas férreas em parques lineares, incentivando caminhabilidade e convivência.
Esses exemplos mostram que é possível reverter o quadro com políticas públicas integradas, incentivo à micromobilidade, investimento em transporte coletivo e planejamento urbano sustentável.
Oportunidades e caminhos para Maringá
Pontos fortes:
- Maringá já possui legislação municipal de incentivo ao transporte sustentável.
- A Prefeitura reduziu a tarifa do ônibus de R$ 5 para R$ 4 para atrair mais usuários.
- A cidade tem tradição em planejamento urbano e participação social.
Pontos de melhoria:
- Transporte coletivo ainda carece de eficiência, conforto e integração tarifária.
- Pouca infraestrutura para bicicletas, patinetes e pedestres.
- Falta de campanhas educativas e de conscientização sobre mobilidade sustentável.
Ameaças:
- Crescimento da frota acima da média populacional.
- Aumento de acidentes e congestionamentos.
- Impactos ambientais e sociais negativos.
Oportunidades:
- Redefinir contratos do transporte coletivo, priorizando eficiência e qualidade.
- Implementar vias binárias, eliminar conversões à esquerda e investir em sinalização moderna.
- Promover ocupação urbana planejada, evitando sobrecarga em regiões específicas.
- Incentivar o uso de bicicletas, patinetes elétricos e transporte coletivo com preço acessível.
- Inspirar-se em cidades-modelo e adaptar soluções inovadoras à realidade maringaense.
Mobilidade sustentável é o caminho
Como maringaense, acredito que o futuro da nossa cidade depende de escolhas corajosas e inovadoras. Não podemos mais aceitar que cada novo carro seja visto como progresso. Progresso de verdade é garantir que todos possam se locomover com dignidade, segurança e respeito ao meio ambiente.
Defendo que a Câmara de Maringá e a Prefeitura ampliem os investimentos em transporte coletivo de qualidade, criem corredores exclusivos para ônibus, expandam ciclovias e incentivem o uso de bicicletas e patinetes elétricos. Precisamos de políticas públicas que promovam a mobilidade sustentável, com transparência, participação popular e foco na qualidade de vida.
É hora de aprender com quem já fez diferente e melhor. Maringá tem tudo para ser referência nacional em mobilidade urbana, mas isso exige diálogo, coragem e compromisso com o futuro.
A cidade que queremos para nossos filhos e netos é aquela onde todos possam ir e vir com liberdade, segurança e respeito. Mobilidade é direito, não privilégio. Vamos juntos construir uma Maringá mais sustentável, humana e próspera.
Alan Zampieri | Advogado e Consultor de Negócios
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