Última atualização em 11/01/2026 por Alan Zampieri
O Número Que Maringá Preferia Não Divulgar: R$ 5,8 Milhões/Ano Em Aluguel
Maringá assinou 33 contratos de aluguel de imóveis públicos.
Maiores gastos:
| Secretaria/Órgão | Endereço | Valor Mensal | Valor Anual |
|---|---|---|---|
| Semob (Mobilidade) | Av. Colombo, 3.114 | R$ 54.500 | R$ 654.000 |
| Seduc (Inovação) | Av. Cerro Azul, 544 | R$ 40.000 | R$ 480.000 |
| Escola de Governo | Rua Santos Dumont, 2.720 | R$ 39.500 | R$ 474.000 |
| Guarda Municipal | Rua Fernão Dias, 680 | R$ 38.500 | R$ 462.000 |
| Selog (Logística) | Av. Rebouças, 200 | R$ 33.000 | R$ 396.000 |
Apenas esses 5 contratos custam R$ 205,5 mil/mês — R$ 2,47 milhões/ano.
Soma de todos os 33 contratos: R$ 490 mil/mês = R$ 5,8 milhões/ano.
Para colocar em perspectiva: R$ 5,8 milhões anual em aluguel é equivalente a:
- R$ 29,6 mil por dia apenas pagando proprietários privados
- 3,4 meses de folha de pagamento da Prefeitura (folha mensal ≈ R$ 1,7 milhão)
- 4% do orçamento municipal de R$ 3,58 bilhões
Por Quê Cidadão Não Sabe Esses Números?
Resposta honesta: porque Prefeitura não divulga voluntariamente.
Lei de Acesso à Informação (LAI, Lei 12.527/2011) obriga disponibilização de informações públicas. Maringá cumpre: Portal da Transparência existe, dados estão disponíveis.
Porém, “disponível” ≠ “visível”.
- Acessar portal de transparência
- Saber que existe seção “Contratos”
- Procurar manualmente por “aluguel” ou “locação”
- Ler PDFs de contratos individuais
- Fazer contas para somar R$ 5,8 milhões
Resultado: informação existe, mas é invisível para 99% da população.
Diferença entre [Lei da Transparência (LC 131/2009) e Lei de Acesso à Informação (12.527/2011)]:
- Transparência: Prefeitura publica mensalmente (até 24h) receitas e despesas
- Acesso à Informação: Cidadão pode solicitar documentos específicos
Maringá cumpre ambas formalmente. Porém, transparência de gastos municipais continua invisível ao olho público.
Exemplo: você sabe quanto sua Prefeitura gasta com aluguel de prédios? Provavelmente não — porque não foi comunicado.
Análise de Gastos: Onde Estão Os R$ 5,8 Milhões?

Sedes administrativas consomem 40% (R$ 2,3 M) do gasto anual; Saúde/Social 19% (R$ 1,1 M); Educação 12% (R$ 689 mil); resto distribuído entre tecnologia, programa social e outros
1. Sedes de Secretarias Municipais: R$ 2,3 Milhões/Ano (40%)
Problema identificado: Maringá aluga 6 prédios para funcionarem como sedes de secretarias:
- Semob: R$ 654 mil/ano
- Selog: R$ 396 mil/ano
- Setrab: R$ 300 mil/ano
- Outros (5 secretarias): ~R$ 950 mil/ano
Questão crítica: por que Maringá não construiu/comprou seus prédios próprios?
Resposta (2021): Prefeitura reconheceu problema e criou “novos critérios para diminuir gastos com locação”. Plano era reduzir 20%.
Resultado (2025): gastos ainda em R$ 5,8 milhões — sem redução efetiva.
2. Saúde e Assistência Social: R$ 1,1 Milhão/Ano (19%)
CAPS, UBS, CREAS, CRAS — unidades essenciais de saúde e assistência.
Razão legítima: são itinerantes (população precisa desses serviços em vários pontos da cidade).
Porém, pergunta fica: por que não investir em prédios próprios permanentes?
3. Educação: R$ 689 Mil/Ano (12%)
Seduc aluga imóvel para Diretoria de Inovação (Av. Cerro Azul) — R$ 480 mil/ano.
Além disso, escolas municipais alugam salas comerciais temporárias durante reformas (R$ 208.900/ano).
Transparência aqui é especialmente importante: pais deveriam saber que escola do filho pode estar em prédio alugado (não permanente) durante reforma.
4. Programa de Aluguel Social: R$ 327,4 Mil/Ano (6%)
Maringá aluga 37 imóveis particulares para oferecer como “benefício eventual” a famílias em vulnerabilidade.
Modelo: Prefeitura paga aluguel de moradia para família com renda insuficiente ou em calamidade.
Questionamento ético-fiscal: seria mais eficiente (a longo prazo) comprar imóveis próprios para habitação social ao invés de pagar aluguel perpétuo a proprietários privados?
Cálculo simples:
- Cenário aluguel: 37 imóveis × R$ 8.840/ano (média) = R$ 327,4 mil/ano indefinidamente
- Cenário compra: investir R$ 2,5 milhões (compra uma vez) em prédios com múltiplas unidades, depois usar como habitação social perpetuamente
Breakeven: 8 anos. Economia cumulativa após 15 anos: R$ 2,6 milhões
Comparativo Incômodo: Maringá Gasta Muito, Transparência Zero

Se Maringá investisse R$ 45 milhões em infraestrutura própria, economizaria R$ 5,8 mi/ano em aluguéis; breakeven ocorre em ano 8 com economia crescente após
Simulação: Se Maringá investisse em infraestrutura própria:
- Investimento inicial: R$ 45 milhões em 3-5 prédios de uso administrativo (Semob, Selog, Seduc, Escola de Governo, Guarda Municipal)
- Financiamento: distribuir ao longo de 10 anos (R$ 4,5 mi/ano), compatível com Lei de Responsabilidade Fiscal
- Resultado em 20 anos: economia acumulada de R$ 63 milhões (R$ 5,8 M/ano × 20 = R$ 116 M em aluguel vs. R$ 45 M investimento + manutenção = R$ 53 M)
Não é que Maringá não possa. É que não prioriza.
Comparação com outras cidades:
- Curitiba: investe ~R$ 620 milhões/ano em infraestrutura urbana (10% do orçamento municipal); resultou em maior portfólio de prédios próprios
- São Paulo: modelo similar — invest heavy em infraestrutura própria vs. aluguel
Transparência Não É Luxo, É Obrigação Constitucional
Fato: Maringá gasta R$ 5,8 milhões/ano em aluguel de prédios públicos.
Fato: essa informação não é comunicada voluntariamente à população.
Fato: Lei de Acesso à Informação obriga, mas população não conhece direito.
Avanço: Leis 17.226/2025 e 17.449/2025 corrigem essa invisibilidade.
Pergunta incômoda: por que levou até 2025 para obrigar por lei que Prefeitura comunique quanto custa cada prédio que aluga?
Resposta: porque transparência não era prioridade política até cidadãos e vereadores cobrarem.
Alan Zampieri | Advogado e Consultor de Negócios
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