Última atualização em 17/01/2026 por Alan Zampieri
A Nova Capital do Cooperativismo: Desenvolvimento Que Impressiona
Não há como negar: Maringá é referência nacional em desenvolvimento econômico. A cidade ocupa a sétima posição no Ranking de Competitividade dos Municípios 2025, divulgado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), sendo a segunda mais competitiva do Paraná, atrás apenas de Curitiba. O estudo avalia gestão pública, saneamento, qualidade da educação e indicadores sociais, e Maringá se sobressaiu especialmente no funcionamento da máquina pública e no saneamento.
A economia diversificada da cidade, baseada em agronegócio, indústria, comércio, serviços e tecnologia, tem atraído investimentos robustos. Maringá é chamada de “nova capital do cooperativismo” e exemplo para o país em termos de atração de investimentos. A cidade possui IDH de 0,808, segundo o PNUD, colocando-a entre as mais desenvolvidas do Brasil. Com cerca de 104 prédios e 9,6 mil apartamentos em construção, o mercado imobiliário ferve. Há ainda 26 empreendimentos em fase de aprovação ou lançamento, totalizando mais de 3,6 mil novos apartamentos.
Segundo Rogério Yabiku, presidente do Sinduscon Paraná Noroeste, a valorização imobiliária não é acaso: “Maringá é destaque nacional. Já foi considerada várias vezes a melhor cidade para se viver, e isso atrai muita gente nova querendo morar aqui”. O caráter universitário de Maringá também impulsiona a demanda: “É um polo estudantil. Muita gente vem para estudar e acaba ficando para morar. Isso impulsiona a procura por imóveis”.
A Outra Face da Moeda: Transporte Público em Crise
Agora vem a parte que precisamos encarar: o transporte coletivo de Maringá está em situação preocupante. Dados oficiais revelam que apenas 13% dos trabalhadores maringaenses vão de ônibus ao emprego, contra 17% da média estadual. A cidade registra um dos menores índices de uso de transporte coletivo entre as grandes cidades paranaenses. Atualmente, o sistema registra média de 64 mil usuários por dia, bem abaixo dos índices pré-pandemia, que chegaram a ser de 140 mil passageiros ao dia.
A tarifa do transporte coletivo foi reajustada em junho de 2025 de R$ 4,80 para R$ 5,20, aumento de R$ 0,40. Mas o número mais impressionante é outro: a tarifa técnica, que representa o custo real do deslocamento por passageiro, está em R$ 7,90. Para manter a tarifa em R$ 5,20, o município pagará R$ 39 milhões em subsídios à Transporte Coletivo Cidade Canção (TCCC) ao longo de 2025, o maior valor desde 2022. Dividindo esse subsídio por cada morador da cidade, mesmo aqueles que não usam o transporte coletivo, seria o equivalente a R$ 95 por maringaense.

Maringá em desvantagem: mobilidade urbana abaixo das médias estadual e nacional
Pesquisas do Plano de Mobilidade Urbana (PlanMob) revelam que 47% dos deslocamentos na cidade já são feitos por automóveis, enquanto o transporte coletivo responde por apenas 19%. A frota de veículos em Maringá cresceu de forma desproporcional à população: hoje há praticamente 1,39 habitante por veículo, número que se aproxima perigosamente da relação de um para um. Em 2023, Maringá ganhou 10.652 veículos, o que equivale a um novo veículo a cada 49 minutos.
Áreas Verdes: O Cartão Postal Que Precisa Ser Democratizado
Maringá é conhecida nacionalmente como a “Cidade Canção” e a “Cidade Verde”, com planejamento urbano que alia desenvolvimento urbano com preservação de áreas verdes. A cidade é considerada uma das mais arborizadas do Brasil, com parques e áreas verdes ocupando parte significativa do território urbano. O Parque do Ingá, com sua reserva florestal, é um exemplo de conservação ambiental e espaço de lazer utilizado por muitas pessoas.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o mínimo de 12 m² de área verde por pessoa em áreas urbanas. Em empreendimentos planejados como o Alphaville Maringá, esse número chega a 1.200 m², muito maior que o mínimo recomendado. O acesso a áreas verdes está relacionado à redução do estresse, melhora da qualidade do sono e maior prática de atividades físicas. Ambientes arborizados costumam apresentar temperaturas mais amenas e melhor qualidade do ar.
Quando Cidades Similares Fazem Diferente: Exemplos Para Nos Inspirar
Joinville (SC)
São José dos Campos (SP)
Curitiba (PR), Florianópolis (SC) e Campo Grande (MS)
Curitiba, líder entre as capitais no Índice de Progresso Social (IPS) com nota de 69,89, destaca-se em gestão pública eficiente e serviços de qualidade. Campo Grande, segunda colocada com 69,63, e Florianópolis, oitava colocada com 67,91, também se destacam. Florianópolis possui Sistema de Avaliação de Indicadores do Desempenho Urbano (SAIDU), atrelado ao Instituto de Planejamento Urbano, que requisita, recebe, processa, administra e consolida dados para avaliar o cumprimento de metas de políticas urbanas.
Recife (PE)
Plano Diretor de Maringá: A Lei Que Pode Mudar Tudo
Maringá está em processo de implementação do novo Plano Diretor, aprovado pela Lei Complementar nº 1.424/2024, que entrou em vigor no início de 2024. A lei consolida novas diretrizes de uso do solo, zoneamento e desenvolvimento urbano, alinhando a cidade com os princípios do Estatuto da Cidade e da Agenda 2030 de sustentabilidade. O Plano Diretor de Maringá é o instrumento estratégico de ordenamento territorial, desenvolvimento e expansão urbana, e de orientação dos agentes públicos e privados que atuam na produção e gestão da cidade.
As principais mudanças incluem expansão de áreas urbanizáveis, com novas macrozonas de interesse de urbanização e zonas urbanas de desenvolvimento industrial. Houve alteração no uso e ocupação do solo, com revisões na Lei de Uso e Ocupação do Solo flexibilizando densidades construtivas, especialmente em áreas próximas à infraestrutura existente. Foram incorporados instrumentos urbanísticos modernos como Outorga Onerosa do Direito de Construir, Transferência de Potencial Construtivo (TPC) e IPTU progressivo no tempo.
Além disso, Maringá está elaborando o Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado (PDUI) da Região Metropolitana de Maringá (RMM), instrumento urbanístico que busca orientar o planejamento e a gestão da região de forma integrada, guiado pelos aspectos de uso do solo, mobilidade e meio ambiente. As Funções Públicas de Interesse Comum (FPICs) definidas foram: Planejamento Territorial e Uso do Solo, Mobilidade Metropolitana e Meio Ambiente. O PDUI foi totalmente elaborado e está com a Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná para aprovação.
Desenvolvimento Que Inclui, Não Que Exclui
A valorização imobiliária de Maringá é motivo de orgulho, mas não pode ser um fim em si mesma. De que adianta termos o metro quadrado mais caro do Paraná se uma parcela significativa da população não consegue pagar por moradia digna? De que vale estarmos no topo dos rankings nacionais se o trabalhador que mora em bairro afastado gasta duas horas por dia no transporte público precário? Essas perguntas incômodas precisam guiar nossas decisões políticas nos próximos anos.
Maringá está em um momento decisivo. Podemos continuar no caminho da valorização imobiliária desenfreada, criando uma cidade cada vez mais cara e excludente, ou podemos fazer diferente: usar nossa pujança econômica para construir uma cidade verdadeiramente justa, onde a qualidade de vida seja direito de todos, não privilégio de poucos. A escolha é nossa. Vamos construir juntos uma Maringá que seja exemplo não só em indicadores econômicos, mas principalmente em justiça social e inclusão. Essa é a cidade que merecemos, essa é a cidade que podemos construir.
Alan Zampieri | Advogado e Consultor de Negócios
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