Última atualização em 02/02/2026 por Alan Zampieri
Uma Trajetória de Crescimento Planejado
Maringá conquistou em 2025 a 7ª posição no Ranking de Competitividade dos Municípios, segundo levantamento do Centro de Liderança Pública (CLP), subindo duas posições em relação a 2024 e consolidando-se como a segunda cidade mais competitiva do Paraná, atrás apenas de Curitiba (5º lugar). Mais impressionante que a posição atual é a trajetória: em 2021, Maringá ocupava apenas o 17º lugar, o que significa um avanço extraordinário de 10 posições em apenas 4 anos.
Este resultado não é fruto do acaso. É consequência de um planejamento estratégico que remonta aos anos 1990, quando a sociedade civil organizada da cidade se mobilizou através do movimento “Repensando Maringá” (1994-1996), criando posteriormente o CODEM — Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá, fundado em 1996. O resultado que observamos hoje é prova viva de que governança compartilhada entre poder público e sociedade civil funciona.
Mas há um detalhe importante: em um contexto nacional onde muitas cidades estão estagnadas ou em retrocesso, Maringá avança. Porém, a análise técnica do ranking revela também os gargalos que precisam ser enfrentados com urgência para que a cidade não atinja um patamar de acomodação.

Evolução de Maringá no Ranking Nacional de Competitividade (2021-2025) e Pilares de Destaque em 2025
Os Pilares do Sucesso
Saneamento Básico: Liderança Nacional Consolidada
Maringá subiu 24 posições em saneamento básico e agora ocupa a 1ª colocação estadual e a 7ª posição nacional neste pilar. A cidade alcançou nota máxima na coleta de resíduos domésticos e na destinação adequada do lixo. Este resultado reflete décadas de investimento consciente em infraestrutura, transformando a cidade em referência ambiental no Brasil.
O que fazer agora? A liderança em saneamento deve ser aprofundada em direção à economia circular e gestão sustentável de resíduos, não apenas na coleta, mas na redução de geração de resíduos através de programas de conscientização e logística reversa.
Educação: A Vocação Natural de Maringá
Com IDEB de 7,2 nos anos iniciais do ensino fundamental (2023), Maringá superou a média nacional (6,0) e todas as grandes cidades do Paraná. De 2021 a 2023, a cidade registrou crescimento de 10% no índice, recuperando e igualando o melhor desempenho histórico de 2019.
A rede municipal de ensino ampliou a cobertura de ensino integral para 75% das escolas municipais, ultrapassando a meta nacional de 50% do Plano Nacional de Educação (PNE). 80,5% das crianças alcançaram o patamar de alfabetização, o maior índice entre as grandes cidades paranaenses. A proporção de docentes é de um professor para cada 13,6 alunos, permitindo atendimento mais personalizado.
Estes números confirmam a educação como vocação histórica de Maringá. Desde 2005, quando o MEC iniciou as avaliações, a cidade mantém trajetória ascendente, com investimentos em formação continuada, projetos como “Amigos da Leitura” e programas de recomposição de aprendizagem (“Acelera” e “Aprender Mais”).
Mas é preciso também considerar a qualidade da saúde mental dessa comunidade educadora. Como detalharemos adiante, este é um ponto crítico que exige ação imediata.
Qualidade da Saúde e Indicadores Sociais: Excelência em Vida
Maringá alcançou o 1º lugar no pilar “Qualidade da Saúde” do ranking de competitividade. Além disso, a cidade conquistou a 1ª colocação entre municípios com mais de 200 mil habitantes no pilar de Indicadores Sociais do ranking “As Melhores Cidades do Brasil” (Austin Rating).
O Índice de Progresso Social 2025 registrou nota 7,18 para Maringá, o melhor desempenho entre municípios com mais de 50 mil habitantes. Na qualidade de vida geral, a cidade ocupa 5ª posição nacional com nota 8,78.
Funcionamento da Máquina Pública: Gestão Eficiente como Marca
Maringá ocupa a 3ª posição estadual e 7ª nacional em funcionamento da máquina pública. Este pilar considera transparência municipal, qualidade das informações contábeis e fiscal, e capacidade administrativa.
O resultado indica que Maringá conseguiu transformar a máquina pública municipal em um instrumento ágil e eficiente, capaz de implementar políticas com qualidade. Isto é raro no Brasil, onde muitos municípios sofrem com inércia burocrática e descontinuidade administrativa.
Os Gargalos Críticos: Onde Maringá Precisa Agir
Não seria honesto abordar apenas os sucessos. Uma análise técnica rigorosa obriga a reconhecer as fragilidades que ameaçam o desenvolvimento equilibrado da cidade.
Segurança Pública: O Vácuo que Persiste
Apesar de avanços recentes, Maringá figura na 133ª posição no pilar de segurança pública. Este dado é particularmente preocupante porque a segurança é um dos pilares fundamentais para atrair investimentos e manter qualidade de vida.
Contudo, é justo registrar que há movimento positivo. Homicídios dolosos caíram 37,5% no primeiro semestre de 2025 em relação ao mesmo período de 2024 (de 24 para 15 casos). Furtos caíram 5%, passando de 3.831 para 3.636 ocorrências. Quando comparados aos dados de 2018 (há sete anos), os furtos e roubos de veículos diminuíram quase 13%.
A cidade ocupa agora a 7ª posição entre as mais seguras do Paraná, com índice de 15,4 mortes violentas por 100 mil habitantes. O programa “Cidade Segura” do estado, com atuação integrada das forças policiais, tem produzido resultados. Mas há espaço para consolidação: Maringá deveria integrar estratégias de prevenção social com ações de segurança pública, através de políticas de inclusão e oportunidades.
Meio Ambiente: A Inconsistência Preocupante
Maringá ocupa apenas 356ª posição no pilar meio ambiente, apesar de liderar em combate ao desmatamento ilegal. Esta contradição revela um ponto crítico: enquanto a cidade brilha em políticas específicas (desmatamento), sofre fragilidades em questões sistêmicas como qualidade do ar, tratamento de esgoto e preservação de recursos hídricos.
A cidade é conhecida como “Cidade Verde” pela excelente arborização e urbanismo planejado. Porém, o ranking indica que esta reputação não se traduz em políticas abrangentes de gestão ambiental. A questão da qualidade do ar, da adequação dos sistemas de tratamento de esgoto, e da proteção de mananciais precisa entrar na agenda municipal com urgência.
Saúde Mental: A Emergência Silenciosa
Talvez o achado mais inquietante desta pesquisa diz respeito à saúde mental da população. Enquanto Maringá lidera em indicadores gerais de saúde, há um problema crescente: 453 profissionais da educação municipal solicitaram afastamento por motivos de saúde mental no primeiro semestre de 2025. Este número representa aproximadamente 7,5% do quadro municipal de educação (que conta com cerca de 6 mil profissionais).
O dado é ainda mais alarmante quando visto em série histórica: eram 40 afastamentos em 2022, 61 em 2023, 79 em 2024, e depois 453 no primeiro semestre de 2025. Trata-se de crescimento exponencial.
Os diagnósticos mais comuns? Transtorno depressivo, transtorno afetivo bipolar, ansiedade generalizada e transtorno de pânico. Os educadores apresentaram 911 atestados e se ausentaram por 6.304 dias no primeiro semestre de 2025.
O Papel Insubstituível da Sociedade Civil Organizada
Um fator que distingue Maringá de muitas cidades brasileiras é a força de sua sociedade civil organizada. O CODEM, fundado em 1996, é exemplo vivo dessa capacidade cívica.
O CODEM funciona com estrutura de Mesa Diretora, Plenário e 11 Câmaras Técnicas Setoriais, composto por 14 entidades deliberativas, 22 membros titulares e 18 suplentes, representando também Lions, Rotarys, Lojas Maçônicas, Sindicatos, Associações e outras entidades da sociedade civil. Suas atribuições incluem gerir o Fundo Municipal de Desenvolvimento Econômico (FMD) e participar ativamente do planejamento estratégico.
Este modelo de governança compartilhada é o que explica boa parte do sucesso de Maringá. Enquanto em muitas cidades há conflito entre poder público e sociedade civil, em Maringá há diálogo permanente, corresponsabilização e integração de esforços.
Isto não significa ausência de conflito ou discordância. Significa que as diferenças são canalizadas através de instituições sólidas, não através de polarização ou judicialização.
Comparativos Nacionais: O Contexto Competitivo
Para entender o significado real da 7ª colocação de Maringá, é útil comparar com outras cidades:
- Florianópolis (SC): 1º lugar nacional, lidera em inovação e dinamismo econômico
- Vitória (ES): 2º lugar nacional, lidera em capital humano
- São Paulo (SP): 3º lugar nacional, lidera em sustentabilidade fiscal
- Curitiba (PR): 5º lugar nacional, destaque em funcionamento da máquina pública
- Maringá (PR): 7º lugar nacional, destaque em saneamento e qualidade da saúde
Que significa esse ranking? Em primeiro lugar, que as cidades do Sul e Sudeste dominam as primeiras posições, refletindo concentração de investimento histórico nessas regiões. Em segundo, que Maringá compete com sucesso neste contexto, apesar de estar no interior do Paraná e não ser uma capital.
O Desafio de Consolidar a Liderança
Maringá alcançou a 7ª colocação no Ranking de Competitividade dos Municípios através de um modelo que combina:
- Planejamento de longo prazo (Masterplan 2047)
- Governança compartilhada (CODEM, sociedade civil)
- Investimento consistente em educação e saúde
- Gestão pública eficiente e transparente
Porém, esse sucesso não é irreversível. Há gargalos críticos — segurança pública inadequada, qualidade ambiental negligenciada, e uma emergência silenciosa de saúde mental — que podem comprometer o desenvolvimento futuro se não forem enfrentados com urgência.
As três propostas inovadoras apresentadas (saúde mental nos ambientes de trabalho, qualidade do ar com dados abertos, e empreendedorismo sustentável com inovação) estão dentro da competência constitucional municipal, são financeiramente viáveis se bem estruturadas, e responderiam aos maiores gargalos identificados.
O que se pede agora é ação contundente, pragmática e orientada por dados. Não há espaço para ideologia ou perfeccionismo que paralisa. O que há é um compromisso claro com resultados mensuráveis e transparência.
Maringá consolidou-se entre as melhores cidades do Brasil. Agora é hora de transformar essa competitividade em qualidade de vida integral, onde os números de desenvolvimento econômico encontram-se com a saúde mental preservada, o meio ambiente protegido, e a segurança garantida.
A sociedade civil maringaense — através de suas instituições como CODEM, ACIM, universidades e associações — está preparada para este diálogo. O poder público municipal tem demonstrado capacidade de escuta e implementação. O momento é de mobilização conjunta em torno de um projeto de cidade que seja simultaneamente competitiva, sustentável e humanizada.
Alan Zampieri | Advogado e Consultor de Negócios
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