Última atualização em 16/04/2026 por Alan Zampieri
Quando um jovem de 22 anos, nascido e criado em Maringá, conquista um dos prêmios mais prestigiosos da ciência mundial, não estamos falando apenas de uma história individual de sucesso. Estamos testemunhando o potencial transformador da educação pública de qualidade e a necessidade urgente de políticas públicas que ampliem esse alcance.
O Fenômeno Juliano Ito: Muito Mais que uma Conquista Individual
Juliano Hiroyuki Ito não é apenas mais um estudante brilhante. Ele é a prova viva de que a universidade pública brasileira, quando bem estruturada e apoiada, pode competir no mais alto nível mundial. Sua pesquisa sobre o “Impacto de medicamentos antituberculose na infectividade do micobacteriófago D29 em células hospedeiras de Mycobacterium smegmatis” representa uma abordagem inovadora para um dos maiores desafios da saúde global.
“O prêmio do Juliano não é só uma medalha no peito de um jovem cientista, é prova que o DNA de Maringá, unido à universidade pública, pode liderar a ciência mundial.”
UEM: A Universidade Estadual que Compete com os Gigantes Mundiais
A conquista de Juliano não aconteceu no vácuo. Ela é fruto de uma universidade que, nos últimos anos, tem se posicionado sistematicamente entre as melhores do país e da América Latina. A UEM é hoje a 5ª melhor universidade estadual do Brasil e ocupa a 34ª posição entre todas as universidades brasileiras no ranking mundial CWUR 2025.
A Internacionalização Como Estratégia de Excelência
O professor Meneguello fez uma observação que deveria ecoar nos corredores do poder público maringaense: “Este prêmio valida as estratégias de internacionalização da UEM”. A universidade mantém parcerias vigentes com 120 universidades e institutos em 32 países nos cinco continentes, além de estar em negociação ativa com outras 20 instituições.
Benchmarking Internacional: O Que Outras Cidades Estão Fazendo
Enquanto celebramos a conquista individual de Juliano, precisamos olhar para experiências exitosas de outras cidades brasileiras. Florianópolis, por exemplo, investiu no setor tecnológico desde a década de 1980 e hoje o setor de tecnologia representa 25% do PIB da cidade – a maior fatia entre as capitais brasileiras.
O Porto Digital de Recife, fundado em 2000, abriga mais de 350 empresas e startups, gerando milhares de empregos e fortalecendo a economia local. Mais recentemente, a Prefeitura do Recife lançou o programa “UniverCidade”, integrando os Núcleos de Inovação Tecnológica de oito universidades e criando a plataforma EDIT.AI para facilitar pedidos de financiamento público.
Marco Legal Federal: As Ferramentas Já Existem
O Brasil dispõe de um arcabouço legal robusto para o fomento à pesquisa e inovação. O Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação (Lei nº 13.243/2016) estabeleceu diretrizes claras para fortalecer a cooperação entre universidades e empresas.
O Potencial Subutilizado de Maringá
Maringá possui todos os ingredientes para ser um hub de inovação ainda mais significativo. A cidade abriga a MaringaTech, certificada Cerne I pelo Sebrae e credenciada ao sistema estadual de parques tecnológicos do Paraná. O Centro de Inovação de Maringá, estabelecido em 2012, promove a cooperação público-privada e já gerou iniciativas como o Maringá Conecta.
A Universidade Pública Como Patrimônio Estratégico
A história de Juliano Ito nos ensina algo fundamental: a universidade pública não é gasto – é investimento estratégico. Cada real aplicado na UEM se multiplica em conhecimento, inovação e desenvolvimento regional. A pesquisa de Juliano, desenvolvida com recursos públicos, pode revolucionar o tratamento da tuberculose globalmente.
O Desafio da Continuidade
O maior desafio é garantir que casos como o de Juliano se multipliquem. Como ele mesmo disse: “Deixem de lado a ‘síndrome de vira-lata’. Não somos inferiores”. Mas para isso, precisamos de políticas públicas consistentes e de longo prazo.
O professor Jean Meneguello fez uma observação crucial: “Gostaríamos que ele crescesse com a universidade, mas sabemos que ele leva o nome da UEM consigo”. Nossa missão como gestores públicos é criar condições para que talentos como Juliano queiram ficar e construir suas carreiras aqui.
Hora de Agir
A conquista de Juliano Ito nos oferece uma janela de oportunidade única. É o momento de Maringá dar um salto qualitativo em suas políticas de ciência, tecnologia e inovação.
Aos empresários maringaenses: Conheçam os laboratórios da UEM. Há soluções inovadoras esperando aplicação prática. A Lei do Bem oferece incentivos fiscais significativos para investimentos em P&D.
Aos formadores de opinião: Defendam a universidade pública. Divulguem cases de sucesso como o de Juliano. Mostrem que a UEM é um patrimônio estratégico de Maringá.
Aos estudantes: Procurem oportunidades de pesquisa. Como disse Juliano, “Muitos congressos internacionais oferecem prêmios de viagem e até inscrições gratuitas. Basta ir atrás das oportunidades”.
Aos cidadãos maringaenses: Cobrem de seus representantes políticas públicas que fortaleçam o ecossistema de inovação local. Apoiem candidatos comprometidos com a educação superior e a pesquisa científica.
A história de Juliano Hiroyuki Ito é, antes de tudo, uma história de esperança. Ela nos mostra que, quando investimos na educação pública de qualidade e criamos ambientes propícios à inovação, nossos jovens podem conquistar o mundo. Agora é nossa vez de construir as condições para que essa conquista se torne regra, não exceção.
Alan Zampieri | Advogado e Consultor de Negócios
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