Última atualização em 22/07/2026 por Alan Zampieri
Marchou rápido demais? O que aconteceu na Câmara
Vamos direto ao ponto, maringaense: a Prefeitura enviou o projeto de lei que cria os 66 cargos comissionados junto com um pacote de matérias em regime de urgência, no fim do primeiro semestre do exercício legislativo. A Câmara aprovou em sessão extraordinária, com 15 votos favoráveis, 3 contrários, 1 abstenção e 4 vereadores ausentes. No mesmo pacote, também foi autorizada a contratação temporária por Processo Seletivo Simplificado (PSS), válida por seis meses, prioritariamente para Saúde e Educação, conforme noticiado pelo Maringá Mais.
Na prática, a estrutura de cargos em comissão da Prefeitura sobe de 381 para 447, um salto relevante em qualquer análise de gestão pública. Segundo o próprio Executivo, a medida busca adequar a administração ao crescimento da rede de serviços municipais e melhorar a coordenação entre secretarias.

Ponto forte, ponto fraco: o que a gestão empresarial ensina aqui
Como advogado e consultor que lida todo dia com estrutura organizacional, eu não trato “cargo comissionado” como palavrão. Toda prefeitura precisa de gente de confiança em posições estratégicas, é assim que se garante coordenação entre secretarias e execução de prioridades do gestor eleito. Esse é o ponto forte real do argumento do Executivo, e seria desonesto fingir que não existe.
O ponto fraco é outro: aumento de estrutura sem estudo técnico prévio publicado é decisão no escuro, tanto para o vereador que vota quanto para o munícipe que paga a conta. O Observatório Social de Maringá já cobrou publicamente a ausência de informações detalhadas que comprovem a necessidade da ampliação, e criticou a velocidade da tramitação, em regime de urgência, no encerramento do semestre, justamente quando a atenção da imprensa e da população costuma estar mais dispersa.
“Cargo comissionado não é problema. Cargo comissionado, sem meta pública, é.”
Aqui cabe a pergunta que todo bom gestor faz antes de aumentar o quadro de qualquer organização: qual problema concreto esses 66 cargos resolvem, com qual indicador de resultado, e em quanto tempo isso será avaliado? O projeto aprovado não responde a isso publicamente e é exatamente essa lacuna que abre espaço para desconfiança, ainda que a intenção da gestão seja legítima.
Maringá não está sozinha, mas está andando na contramão de várias cidades de porte parecido
Esse não é um debate exclusivo maringaense. Cidades de porte semelhante ao nosso vêm tratando reforma administrativa como sinônimo de redução de estrutura, não de ampliação:
Taubaté (SP), com população próxima da de Maringá, enviou em 2026 um pacote de modernização administrativa que reduz os cargos comissionados de 174 para 152, com economia estimada em mais de R$ 1 milhão ao ano e diminuição do número de secretarias, justamente para separar funções estratégicas de atividades técnicas.
Lages (SC) aprovou reforma que eliminou 42 cargos comissionados, com economia anual projetada em cerca de R$ 2 milhões, a partir do trabalho de uma comissão técnica formada especificamente para desenhar a reforma antes de qualquer votação.
Nenhuma das duas foi radical nem populista, ambas mantiveram cargos de confiança onde fazem sentido. A diferença central é o processo: primeiro o diagnóstico técnico, publicado e debatido; depois, se necessário, o projeto de lei. Maringá inverteu essa ordem, e é essa inversão, não o número em si, que deveria estar no centro do debate público agora.
O debate é nosso, maringaense
Educação, saúde, mobilidade: são para essas áreas que qualquer ampliação de estrutura administrativa deveria mostrar, com números, que serviu. Transparência não é adjetivo de discurso “politiqueiro”, é método de gestão.
Acompanhe a tramitação de projetos como esse pelo Portal da Transparência da Prefeitura e pelo site da Câmara Municipal de Maringá, participe das audiências públicas quando forem convocadas e cobre dos seus vereadores como eles votam e as justificativas registradas em ata. Fiscalizar não é oposição por oposição, é o mínimo que qualquer cidade que se preze pela boa gestão deve exigir de quem administra o dinheiro público.
Alan Zampieri | Advogado e Consultor de Negócios
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