Advocacia Participativa 2026, em Maringá

Última atualização em 10/08/2026 por Alan Zampieri

Agora, a conta que ninguém gosta de fazer

Aqui começa a parte incômoda. Se 1,5 mil atendimentos em dois dias é notícia boa, ela também é sintoma. Fila daquele tamanho não se forma por acaso: ela se forma porque, nos outros 360 dias do ano, muita gente em Maringá simplesmente não sabe onde bater, e há uma demanda reprimida na sociedade.

Fui conferir os números na fonte oficial. A página da Defensoria Pública do Paraná em Maringá, atualizada em junho deste ano, lista sete defensores públicos na sede, atuando em Criminal, Execução Penal, Família e Sucessões, Infância e Juventude, com atendimento ao público de segunda a quinta-feira, das 12h às 17h. Vinte horas semanais. Para uma cidade de 429.660 habitantes, a terceira maior do Paraná.

E não é um problema local: é estrutural e estadual. A Pesquisa Nacional da Defensoria Pública aponta que apenas 17,2% das comarcas paranaenses são regularmente atendidas pela instituição, e que mais de 5,3 milhões de paranaenses não têm acesso ao serviço. Deixo claro: a crítica não é aos defensores, que fazem muito com pouco. A crítica é ao desenho institucional e estrutural.

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